Governo russo estuda conceder isenção do imposto de importação para grãos

Foto: RIA Nóvosti

Foto: RIA Nóvosti

Atualmente, a maior parte das importações russas de grãos tem origem no Cazaquistão. Os grãos importados desse países estão isentos de impostos. As importações com origem em países não-CEI (Comunidade de Estados Independentes –ex-repúblicas soviéticas) são taxadas a 5%.

O Ministério da Agricultura da Rússia está estudando adotar medidas para segurar o aumento dos preços dos grãos, entre as quais intervenções no mercado interno e a possibilidade de concessão da isenção do imposto de importação para grãos.

Segundo informações disponíveis, a isenção do imposto de 5% para a importação dos grãos produzidos no exterior será o tema da próxima reunião no Ministério da Agricultura. Autoridades oficiais se recusam a comentar o assunto antes da reunião e prometem divulgar informações depois do evento.

Atualmente, a maior parte das importações russas de grãos tem origem no Cazaquistão. Os grãos importados desse países estão isentos de impostos. As importações com origem em países não-CEI (Comunidade de Estados Independentes –ex-repúblicas soviéticas) são taxadas a 5%.

Caso o imposto de importação venha a ser extinto, os operadoras do mercado poderão ganhar até US$ 20 por tonelada, afirmam analistas.

Para operadores do mercado, as autoridades competentes começaram a coletar informações sobre os volumes e origem das importações de grãos já em meados de dezembro passado.

O imposto de 5% é o principal obstáculo ao comércio de grãos, disse o presidente da União Russa de Grãos, Arkadi Zlochevski. As importações de grãos da França e da Alemanha para o noroeste do país são desvantajosas, por exemplo, acrescentou Zlochevski.

De acordo com alguns especialistas, com a extinção da taxa, cada tonelada de grãos poderá render aos operadores do mercado entre US$ 10 e US$ 20.

Segundo estimativas do centro de análise Sovekon, a extinção do imposto tornará as importações muito mais atraentes. Em caso de alta dos preços no mercado mundial ou baixa dos preços no mercado interno, a margem dos importadores pode diminuir, acrescenta o diretor executivo do Sovekon, Andrêi Sizov.

O eventual aumento das importações agregado às intervenções maciças no mercado por parte do governo pode segurar os preços no mercado interno, afirma o analista.

Importação

Segundo a empresa Rusagrotrans, em dezembro do ano passado, a Rússia importou 65 mil toneladas de grãos, das quais 32 mil toneladas de trigo e 33 mil toneladas de cevada e arroz.

Ao todo, no segundo semestre do ano passado, o país importou 457 mil toneladas de grãos, das quais 201 mil toneladas de trigo, disse o diretor da Rusagrotrans, Ígor Pavenski. Para efeito de comparação, no ano agrícola 2011/2012, a Rússia havia importado 324 mil toneladas de grãos, das quais 104 mil toneladas de trigo.

De acordo com Pavenski, a partir do próximo mês, as importações, sobretudo aquelas provenientes do Cazaquistão, podem aumentar significativamente. O Cazaquistão afirmou que pode fornecer de 200 mil e 250 mil toneladas de trigo por mês à Rússia no primeiro semestre deste ano.

É possível que neste ano agrícola (a terminar em 30 de junho de 2013) o volume total da importação de trigo atinja cerca de um milhão de toneladas.

"Não há nada de assustador no fato de o país importar grãos", afirma Pavenski. "Por exemplo, a União Europeia é um dos maiores exportadores mundiais de farinha de trigo, importando, ao mesmo tempo, vários milhões de toneladas de trigo duro e forrageiro", completou.

No ano 2011/2012, a União Europeia vendeu 16,6 milhões de toneladas e comprou 7,4 milhões de toneladas de trigo, disse Pavenski.

 

Publicado originalmente pelo RBC Daily

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.