Dois terços dos russos não têm poupança, aponta pesquisa

 Foto: ITAR-TASS

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Segundo levantamento, fazer economias e poupar dinheiro é mais típico para o grupo formado pelas pessoas de idade (35%), com curso superior (36%) e entre moscovitas e peterburguenses (47%).

Apenas 30% dos russos possuem poupança, percentual que se mantém inalterado há dois anos. Os números foram revelados por um levantamento realizado pelo Centro de Estudos de Opinião Pública, o Vcion, em dezembro passado.

Segundo a pesquisa, fazer economias e poupar dinheiro é mais típico para o grupo formado pelas pessoas de idade (35%), com curso superior (36%) e entre moscovitas e peterburguenses (47%).

Um total de 67% dos entrevistados disserem não terem nenhuma poupança ­–nas zonas rurais, o percentual atinge 77%.

Dentre os objetivos mais citados de se ter uma poupança estão a compra de um apartamento ou casa (29%), uma reserva para momentos difíceis (24%) e tratamentos médicos (23%).

Outros 15% juntam dinheiro para a educação, 13% para as férias, 12% para a compra de um automóvel e 11% para uma reserva financeira em caso de perda do emprego.

Já 8% economizam para comprar bens de alto valor, 7% para comprar um terreno, 4% para abrir seu próprio negócio e 3% para acumular um rendimento extra.

Nos últimos meses, o percentual daqueles que poupam para momentos difíceis cresceu de 20% para 24% e o daqueles que juntam dinheiro para tratamentos médicos de 19% para 23%.

Para a maioria dos russos (55%), a compra de um imóvel continua a ser a melhor aplicação do dinheiro poupado. O percentual daqueles que preferem investir na compra de ouro e jóias caiu de 27% para 24%, enquanto o de interessados em abrir uma conta em rublos no Banco de Poupança (Sberbank) aumentou de 25% a 29% nos últimos meses. 

Um total de 9% dos russos prefere investir o dinheiro extra na compra de moeda estrangeira em espécie, 7% prefere comprar ações e 3% adquirir cotas de fundos mútuos.

"Os russos têm uma taxa de poupança muito baixa em comparação com outras nações", afirma o analista da holding de investimento Finam Anton Soroko.

De acordo com uma sondagem efetuada pela empresa TNS Emnid, na Alemanha, apenas 27% das pessoas não tem nenhuma poupança.

"A principal causa de a maioria dos russos não ter poupança é a pobreza. Daí decorre o subdesenvolvimento do mercado financeiro no país e também o crescimento do crédito ao consumo: as pessoas tomam crédito para comprar as coisas mais elementares, como ferro de passar, telefone e aspirador de pó", diz o especialista do Centro de desenvolvimento da Escola Superior de Economia, Dmítri Mirochnichenko.

Por outro lado, a situação russa em termos de poupança não é única, adianta o especialista, citando como exemplo os EUA, que, antes da crise, registrava uma taxa negativa de poupanças (quando as dívidas superam a renda).

Soroko insiste, entretanto, que a causa do baixo percentual de russos com poupança no país não está na pobreza da população, mas na especificidade da mentalidade do povo russo.

"Os russos preferem gastar todo o dinheiro ao invés de poupá-lo, enquanto os alemães, assim como a maioria dos europeus, preferem", diz  Soroko.

"O crescimento do bem-estar da população tem pouco a ver com o desejo de poupar, tornando-se ambas as coisas completamente independentes em determinadas condições", completa o especialista.

Segundo ele, para aumentar o percentual das poupanças no país é preciso "construir um sistema econômico em que poupar seja mais vantajosos do que gastar e aumentar a confiança dos russos no futuro", conclui Soroko.

 

Para a íntegra do artigo em russo, acesse: http://expert.ru/2013/01/14/zhit-segodnyashnim-dnem

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