Pútin coloca Força Aérea Russa em estado de alerta

Bombardeiro Su-24 posicionado na base russa de Hmeimim, na Síria

Bombardeiro Su-24 posicionado na base russa de Hmeimim, na Síria

Ramil Sitdikov/RIA Nôvosti
Inspeção surpresa visa a testar prontidão de combate das tropas de combate aéreo. Especialistas contam ao site de notícias Gazeta.ru como a campanha russa na Síria mudou a abordagem para preparação de pilotos e introdução de armamento.

O presidente russo Vladímir Pútin ordenou na terça-feira (7) que os militares realizassem uma inspeção rápida da Força Aérea, segundo informou o ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu. Todos os comandos, quartéis, unidades e divisões da aviação e da defesa aérea do país entraram em alerta de combate.

Em dezembro, durante uma reunião da alta cúpula do Ministério da Defesa, Choigu relatou ao presidente que o nível de prontidão dos militares russos melhorou graças à campanha síria. “Quase 85% dos oficiais de voo da Força Aérea Russa tiveram experiência de combate na Síria”, disse o ministro no encontro.

Falta de pilotos experientes

Segundo um especialista próximo aos oficiais da Força Aérea Russa, no início de 2016 havia escassez de pilotos. O número de profissionais então chegava a 1.500.

“Fomos obrigados a tomar medidas de emergência para aumentar nossa equipe de voo”, diz o especialista. “Faltavam pilotos experientes que fossem capazes de lutar. Hoje resolvemos esse problema”, completa.

Para atender à demanda, as escolas de voo militar tiveram que reduzir o período de treinamento para algumas especialidades de cinco para quatro anos.

“Grande parte dos recursos – financeiros, munições e armamento – agora vão para o treinamento e reciclagem de pilotos”, diz a fonte. “Agora que mais recursos são destinados a atividades de combate, combinamos preparação e ações de combate."

Isso ajudou a Força Aérea, segundo o especialista, a obter novos oficiais treinados, incluindo em aviões de longo alcance e estratégicos e caças.

Síria como campo de teste

Mais de 160 modelos de armas novas e avançadas foram testados durante a campanha síria, informou Choigu ainda em dezembro.

Durante o combate, os especialistas identificaram falhas e alguns dispositivos não corresponderam às expectativas, disse no comitê militar-industrial ao site Gazeta.ru. Em alguns casos, os equipamentos sofreram alterações na própria base.

Além disso, foram utilizados na Síria mísseis de cruzeiro a longa distância e armas de alta precisão em diferentes horas do dia, partes do ano e locais, o que demonstrou sua confiabilidade, acrescenta a fonte.

“Os novos caças Su-30SM e Su-35S funcionaram muito bem. (...) Os pilotos acreditam que o Su-35 é um dos melhores aviões do mundo, e suas novas armas estão sendo submetidas a testes para melhorar ainda mais o potencial de combate”, disse.

Armamento de alta precisão

Os bombardeiros Su-24 e Su-25, apelidados pelos americanos de “tanques voadores”, também se mostraram bastante eficazes, sobretudo após receberem o SVP-24. Trata-se de um dispositivo que calcula o tempo de liberação da bomba em relação à velocidade de voo, condições climáticas e outros parâmetros.

“Estamos muito satisfeitos com esse dispositivo”, disse a fonte. “De um modo geral, deu nova vida às antigas munições, não conhecemos nada igual de outros países. Nossa aviação de longo alcance também está equipada com SVP-24s”, completou.

Todos os aviões russos na Síria também estavam equipados com o sistema Vitebsk, que provaram sua utilidade na defesa de mísseis lançados por sistemas portáteis.

Em geral, os militares estão satisfeitos com os resultados dos sistemas de defesa aérea durante a campanha síria, que incluiu o S-400, o S-300V4 e o superfície-ar Pantsir.

Com o site de notícias Gazeta.ru

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