Rússia e Armênia criam tropas conjuntas no Cáucaso

Rússia já tem base com quase cinco mil militares na Armênia.

Rússia já tem base com quase cinco mil militares na Armênia.

Maksim Blinov/RIA Novosti
Países oferecerão proteção mútua em caso de ataque na região.

Na última segunda-feira (14), o presidente russo Vladímir Pútin aprovou uma proposta do governo para a criação de uma aliança entre Forças Armadas da Rússia e da Armênia na região do Cáucaso.

Mas o Ministério da Defesa e o dos Negócios Estrangeiros da Rússia deverão ainda negociar com os armênios a assinatura de um documento final sobre a resolução.

O objetivo principal da aliança é garantir a segurança dos dois países na região do Cáucaso.

De acordo com o documento, militares russos e armênios terão que responder conjuntamente a qualquer ataque contra uma das partes, assim como suprimir quaisquer tentativas de avanço ilegal através das fronteiras dos dois países.

Em tempo de paz, a aliança será controlada pelo Estado Maior da Armênia. Mas, durante hostilidades, o responsável será o Comando do Distrito Militar do Sul da Rússia, baseado na cidade de Rostov no Don (mil quilômetros a sul de Moscou).              

"A partir de agora, o Estado Maior da Armênia tem a autoridade final para planejar atividades conjuntas na região: exercícios, treinamento de pessoal etc.”, diz o pesquisador da Academia das Ciências da Rússia, Pável Zolotariov.

O acordo também permitirá que Moscou e Erevan realizem uma política independente.

"O mais importante é a criação de um 'espaço de defesa comum' entre os dois países. Além do desenvolvimento de planos conjuntos de treinamento e uso das tropas, a Armênia poderá comprar armamentos russos a preços domésticos, e não como um cliente estrangeiro”, diz o especialista militar do jornal Izvêstia, Dmítri Safonov.

No caso de um ataque contra a Armênia, todo o exército do Distrito Militar do Sul (as forças da Frota do Mar Negro e da Flotilha do Cáspio, as forças terrestres, a Força Aérea etc.) participará da defesa do território armênio, segundo Safonov.

O acordo será válido por cinco anos, com a possibilidade de prorrogação automática. A Rússia já assinou documento semelhante com a Bielorrússia.

Resposta à OTAN?

Para Zolotariov, a nova aliança não significa uma tentativa da Rússia de criar um mecanismo semelhante à Otan.

"A aliança implica na criação de um orçamento e de política militar conjuntos, e apenas permite melhorar o alinhamento dos dois exércitos no caso de um combate", diz Zolotariov.

Tropas russas na Armênia

A Rússia possui uma base militar no território armênio, na cidade de Gyumri, localizada a 126 km ao norte de Erevan.

A 102° base tem quase 5 mil militares destacados. A base tem três regimentos de infantaria mecanizada, um regimento de artilharia e um regimento de defesa antiaérea.

Além disso, possui diversos caças de quarta geração MiG-29, cerca de 100 tanques T-72, 150 veículos blindados BMP-2 e BTR-70/80, diversos sistemas de mísseis BM-21 "Grad" e BM-30 "Smerch", um batalhão de sistema de defesa antiaérea S-300V e Buk-M1, assim como helicópteros Mi-24 e Mi-8.

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