Antenas de telefonia celular ajudarão a rastrear aviões e mísseis inimigos

Instalação de antena de telefonia móvel no vilarejo de Babarikino

Instalação de antena de telefonia móvel no vilarejo de Babarikino

Iakov Andreev/RIA Nôvosti
Desenvolvido por engenheiros russos, sistema Rubej permitirá a militares detectar objetos voadores que entrarem no campo eletromagnético das redes GSM.

Projetistas russos criaram um sistema de controle do espaço aéreo que amplia significativamente as capacidades de defesa antimíssil de Moscou.

Desenvolvido por uma subsidiária da corporação estatal tecnologia Rostec, o sistema, intitulado Rubej, pode detectar objetos voadores em campos eletromagnéticos de estações radio base (ERBs, isto é, equipamentos que fazem a conexão entre os telefones celulares e a companhia telefônica) implantadas por todo território russo.

Os autores do projeto garantem que as redes GSM ajudarão os militares a detectar, por meio dos radares, uma série de objetos de difícil visualização, incluindo mísseis de cruzeiro, drones e pequenas aeronaves inimigas.

Funcionamento do Rubej

A rede de telefonia celular forma um campo eletromagnético por meio da troca contínua de sinais entre torres, transmissores e repetidores.

Quando objetos de metal entram nessa área, os receptores das estações registram instantaneamente uma mudança no campo e, graças ao Rubej, serão capazes de transmitir as coordenadas do objeto para a “base”.

O sistema será capaz de determinar a classe do objeto (seja míssil, helicópteros, aviões e etc.), permitindo que os comandantes nos centros de controle para sistemas de defesa aérea das Forças Aeroespaciais tomem uma decisão sobre como agir.

Além das mais de 250 mil antenas de telefonia móvel já existentes na Rússia, este número cresce a cada ano. Segundo os desenvolvedores, isso permitirá a criação de um campo livre de interferência, que vai operar 24 horas por dia em diferentes frequências e transmitir dados automaticamente para unidades antiaéreas.

O Rubej está instalado não nas estações radio base, mas diretamente nos postos de controle de sistemas de defesa aérea, e será executado sem nenhum custo financeiro para as operadoras móveis.

Oportunidade ou risco?

De acordo com Leonid Konik, editor-chefe do site Comnews, o projeto é muito arriscado por três razões principais.

Em primeiro lugar, o raio de ação de uma estação ERB varia apenas de 3 a 30 km, dependendo de seu alcance e da densidade de edifícios ao redor.

Além disso, as operadoras móveis orientam suas estações conforme a transmissão, e o voo de um avião ou míssil inimigo não irá necessariamente ocorrer no perímetro abrangido por determinada antena.

A principal barreira, porém, é que os equipamentos de rede móvel são inteiramente produzidos no exterior. Portanto, segundo Konik, “até mesmo a discussão teórica sobre a sua utilização para a defesa do país é bastante inútil”.

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