Armas hipersônicas serão incorporadas ao Exército no início dos anos 2020

Ogivas de sistemas de mísseis balísticos Yars servirão de modelo

Ogivas de sistemas de mísseis balísticos Yars servirão de modelo

Vladímir Smirnov/TASS
Novos mísseis poderão atingir velocidade de até Mach 5, ou 6.200 km/h. Desenvolvimento de motor e sistema de controle ainda é principal barreira.

A Corporação de Mísseis Táticos da Rússia pretende criar uma arma capaz de atingir alvos a velocidades hipersônicas no início da década de 2020. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da corporação Boris Obnosov.   

A expectativa é produzir um míssil chegue a uma velocidade de Mach 5, ou quase 6.200 quilômetros por hora – cinco vezes a velocidade do som.

Também estão envolvidos no projeto cientistas da Academia Russa de Ciências e da Fundação de Pesquisa Avançada pertencente à Comissão Militar-Industrial.

Alguns elementos de sistemas atuais de mísseis russos já conseguem desenvolver velocidade hipersônica, embora apenas quando estão se aproximando de seus alvos, explica o especialista militar da agência TASS Víktor Litóvkin.

Por exemplo, “ogivas dos sistemas de mísseis de longo alcance Yars e Rubej, que na reta final de seu voo começam a fazer manobras a uma velocidade hipersônica para superar o escudo do inimigo. A ogiva do míssil de curto alcance Iskander-M também tem a mesma capacidade”, disse Litóvkin à Gazeta Russa.

A Corporação de Mísseis Táticos foi criada em 2002, por meio da união de 32 empresas especializadas na produção mísseis guiados de alta velocidade, e é uma das sete russas no ranking dos 100 maiores fornecedores de armas do mundo do Defense News. Em 2015, a empresa obteve uma receita de US$ 2,4 bilhões.

Principais obstáculos

De acordo com uma fonte da Gazeta Russa na indústria de defesa, desenvolver um motor e sistemas de controle capazes de trabalhar com velocidade hipersônica por um longo período de tempo estão entre as maiores dificuldades na criação das armas.

“A uma velocidade de Mach 5, uma nuvem de plasma se forma em torno do objeto que barra as ondas de rádio. Por isso, se o míssil desviar de sua trajetória ou houver outros problemas durante o voo, os operadores ainda são incapazes de corrigir a situação remotamente”, explicou a fonte.

A base técnica e as pesquisa sobre armas hipersônicas na Rússia remontam à época soviética. No entanto, após a dissolução da URSS, os trabalhos foram abandonados, e os investimentos para estudos na área só foram retomados recentemente.

Os Estados Unidos são o país que hoje apresenta maior progresso no desenvolvimento de armas hipersônicas.

“A norte-americana Boeing criou o modelo Х-51 Waverider, que consegue manter uma velocidade de 6.250 km/h por quatro minutos. No entanto, foram realizados apenas testes pontuais, sem ogiva, sistema de orientação e etc. Como o foguete irá se comportar em ação ainda é uma incógnita”, disse o analista.

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