Pasta da Defesa irá compartilhar com Otan dados sobre suas inspeções

Exercícios conjuntos Rússia-Bielorrússia na região de Kaliningrado

Exercícios conjuntos Rússia-Bielorrússia na região de Kaliningrado

Ígor Zarembo/RIA Nôvosti
Informações sobre militares e armas usadas em verificações de prontidão de combate, bem como seus objetivos, serão enviadas à Aliança de países ocidentais. Medida anunciada por senador deve reduzir grau de tensão entre as partes.

A Rússia começará a enviar unilateralmente à Otan mais detalhes sobre as inspeções surpresas conduzidas em suas forças armadas, segundo declarou o vice-presidente da comissão de defesa do Conselho da Federação (Senado russo), Frants Klintsevitch, ao jornal “Izvéstia”.

Moscou estaria assumindo “um gesto de boa vontade”, disse o senador, ao anunciar que irá fornecer não só informações sob o Documento de Viena, sobre medidas de fortalecimento da confiança e da segurança, que foi ratificado pela Rússia em 2011.

Klintsevitch destacou que as medidas adicionais tem por objetivo ajudar a reduzir a tensão nas relações com a Aliança e mostrar aos países que a compõem que as suas preocupações acerca de Moscou são de natureza “artificial”.

Entre as ações propostas, os oficiais militares russos redigirão briefings especiais para adidos militares, além de enviar-lhes um pacote especial com informações sobre cada exercício, incluindo número de soldados e equipamentos, assim como locais, planos e objetivos dos exercícios em questão.

Nos últimos anos, os exercícios militares na Rússia vêm regularmente causando uma onda de desaprovação entre os países da Otan, sobretudo treinos na região de Pskov (na fronteira com a Estônia), que são vistos por observadores militares ocidentais como simulações de uma invasão aos vizinhos bálticos.

Em declarações anteriores, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que a Rússia compromete a “transparência e previsibilidade” da situação na Europa ao realizar exercícios militares sem notificar seus vizinhos com 42 dias de antecedência, conforme estabelece o parágrafo 41 do Documento de Viena, que permite “atividades militares notificáveis ​​(...) sem aviso prévio às tropas envolvidas”.

Negociar é preciso

Embora a resolução russa seja unilateral, a troca de informação deverá ser, posteriormente, realizada em um formato bilateral, acredita Serguêi Karaganov, decano da Faculdade de Economia e Política Mundial na Escola Superior de Economia, em Moscou.

“O Documento de Viena e os tratados anteriores foram criados em condições geopolíticas completamente distintas, com diferentes tecnologias, e, mais importante, em um nível de confiança totalmente diferente”, disse Karaganov à Gazeta Russa.

“A compreensão mútua entre as partes nas décadas de 1980 e 1990 era várias vezes superior, incluindo da parte da Rússia. Eu acho que não devemos complementar os documentos antigos, mas desenvolver novos, de acordo com os tempos”, completou.

Para o sucesso da iniciativa, porém, Karaganov acredita que os principais personagens envolvidos devam, em primeiro lugar, realizar negociações de bastidores.

“O diálogo no formato Rússia-Otan, em uma base política, como era antes, não faz sentido”, disse Karaganov. “Somente um contato direto entre militares poderá ser eficaz. Este diálogo deve ser conduzido a portas fechadas e tratar de coisas reais, em vez de usar estratégias políticas e de propaganda na televisão.”

Outro passo para a melhoria das relações será o uso de transponders (sistemas de identificação amigo ou inimigo) em aeronaves militares pertencentes à Aliança e à Rússia que patrulham águas neutras e fronteiras de Estado.

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