Rússia faz teste bem-sucedido de novo míssil para proteção de Moscou

A-235 está posicionado na 9ª divisão de sistemas de defesa antimísseis, a 50 km de Moscou

A-235 está posicionado na 9ª divisão de sistemas de defesa antimísseis, a 50 km de Moscou

Press Photo
Mísseis de curto alcance irão reforçar atual sistema antiaéreo ao norte da capital. Para especialista, principal inovação é a presença de ogivas cinéticas, em vez de nucleares.

As Forças Aeroespaciais russas testaram na última terça-feira (21), em um campo de tiro no Cazaquistão, um novo míssil de curto alcance para o seu sistema A-235 Nudol, instalado nos arredores de Moscou, informou uma fonte da Gazeta Russa na indústria da defesa.

“A modernização do sistema de defesa antimísseis do A-135 ao A-235 para proteger Moscou vem acontecendo desde a década de 2000. Atualmente, o sistema está sendo equipado com novos mísseis”, disse a fonte. O A-235 foi implantado na 9ª divisão de sistemas de defesa antimísseis, no assentamento Sofrino-1, a 50 km ao norte de Moscou.

Perto dali está situada a estação de radar Don-2N, que se assemelha a uma pirâmide maia e cujo objetivo é detectar mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs, na sigla em inglês) inimigos.

“O sistema de defesa antimísseis nos arredores de Moscou, que é capaz de atingir objetos a curta distância, é um dos programas mais secretos da Rússia”, diz Víktor Litóvkin, especialista militar da agência Tass.

No final do ano passado, apenas a equipe de filmagem do canal estatal Zvezda, que colabora diretamente com o Ministério da Defesa russo, recebeu acesso ao teste do novo míssil.

Testes análogos no final de 2015 Fonte: YouTube/News-Front

Pré-história do A-235

De acordo com o Tratado de Mísseis Antibalísticos assinado pelos Estados Unidos e pela União Soviética em 1972, ambos os lados se comprometeram a empregar não mais do que dois sistemas de defesa antimísseis – um perto da respectiva capital do país, e outro, diretamente próximo à concentração de instalações de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais.

Dois anos depois, porém, Moscou e Washington concordaram em se limitar a um único sistema de sua escolha. Enquanto a URSS implantou um sistema perto da capital para se proteger de ICBMs nucleares, os EUA posicionaram o seu na base Grand Forks, em Dakota do Norte.

Segundo Litóvkin, o sistema A-135 era originalmente equipado com mísseis 53T6, que, conforme a classificação da Otan, são chamados de ‘Gazelles’ (Gazelas, em português). “Estes sistemas são capazes de interceptar mísseis balísticos inimigos que viajam a uma velocidade de sete quilômetros por segundo e a uma altura de cinco quilômetros”, diz.

A principal diferença do novo modelo seria a presença de uma ogiva cinética, e não nuclear.

“O míssil estratégico intercontinental se move em velocidade supersônica em uma nuvem de alvos falsos. Detectar, em tal ‘massa’, uma ogiva nuclear é um desafio técnico incrivelmente difícil. É por isso que, originalmente, os 53T6s eram equipados com uma ogiva nuclear que simultaneamente interceptava os mísseis do inimigo e destruía todos os seus objetos avançados com uma explosão nuclear”, explica Litóvkin.

“Com o avanço dos tecnologias, entretanto, o governo russo optou por evitar eventuais perdas tecnológicas e humanas resultantes da radiação de duas explosões nucleares”, conclui.

Atualmente, o Ministério da Defesa russo revelou uma parte dos objetos e elementos do sistema inicial A-135 e, pela primeira vez, uma parte da estrutura de transporte do A-135 está exibida em uma plataforma estática aberta no Patriot Park, a 72 km a oeste de Moscou.

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