Pútin anuncia ampla inspeção surpresa de arsenais militares

Sob as ordens de Pútin (esq.), Choigu (dir.) coordena exercícios em larga escala

Sob as ordens de Pútin (esq.), Choigu (dir.) coordena exercícios em larga escala

Mikhail Metzel/TASS
O governo russo lançou na terça-feira (14) a primeira verificação de todos os depósitos de equipamento militar do país. Ao longo de quase dez dias, também será avaliados os postos de controle militares e as ações das tropas em situações de emergência.

O presidente russo Vladímir Pútin ordenou esta semana uma inspeção surpresa da prontidão de combate das Forças Armadas do país. A checagem, anunciada pelo Kremlin na terça-feira (14) será conduzida até o próximo dia 22, foi prontamente informada aos adidos militares de países estrangeiros.

Além do treinamento tradicional das tropas, está sendo dada atenção especial ao componente de mobilização, ao estado de unidades de reserva e aos estoques de armas e equipamento militar, informou o ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu.

“Diversos depósitos de armazenamento de armas e equipamentos, bem como alguns dos pontos de controle militares, estão sujeitos à verificação”, disse Choigu.

Primeira vez

Choigu introduziu a prática de verificações não anunciadas no verão russo de 2013. Desde então, os exercícios são realizados várias vezes ao ano, sendo a maioria destinada à prática de movimentação rápida das tropas em longas distâncias, bem como missões de combate direto. Esta é, porém, a primeira vez que uma verificação de grande escala dos arsenais é conduzida no país.

Segundo Aleksêi Leonkov, PhD em Ciências Militares e especialista da revista “Arsenal Otetchestva (“Arsenal da Pátria”), diversos depósitos hoje existentes são herança da época soviética, para casos de guerra, e muitos estão localizados na Europa Oriental.

“A lógica para criação de armazéns era: quando houve o Pacto de Varsóvia, estas eram posições da linha de frente, que enfrentariam o inimigo”, diz Leonkov. “Moldova, Ucrânia, Bielorrússia e países bálticos – havia grandes depósitos para equipar os exércitos dessas regiões.”

Também há armazéns na região dos Urais, Altai e Irkutsk, que estavam fora do alcance de mísseis nucleares, bem como depósitos de armas ao longo da fronteira com a China.

“Há também depósitos no Extremo Oriente russo, incluindo um enorme armazém na área de Tchita e Irkutsk, com lotes de veículos militares, incluindo caminhões, veículos rastreados e artilharia transportável. Esses armazéns são suficientes para formar, pelo menos, duas tropas terrestres em cada direção de ataque”, acrescenta o especialista.

Ação, e não reação

Segundo Leonkov, esse tipo de verificação de arsenais era realizado regularmente durante a União Soviética, mas, desde a queda do regime, há 25 anos, os controles passaram a ser feitos apenas “quando acontece alguma coisa”.

“Essas verificações de grande escala são uma forma de prevenção e devem ser feitas pelo menos duas vezes por ano, quando o equipamento é colocado no depósito (antes do inverno e do verão)”, disse Leonkov.

Apenas entre 2011 e 2015, os armazéns militares russos registraram cerca de 20 acidentes em. Em 2012, por exemplo, três explosões ocorreram em um depósito de munição na região de Orenburgo, resultando na destruição de 20 peças de equipamento.

Em outro episódio, um armazém de artilharia pegou fogo, afetando uma área com raio de mais de 3 km, ou o equivalente a oito assentamentos.

“Até onde me lembro, ninguém se empenhou seriamente em lidar com isso antes de Choigu, eles só reagiam aos acidentes”, acrescenta Leonkov.

Equipamentos limitados

Um dos principais motivos pelos quais é importante avaliar o estado dos arsenais é o fato das fábricas de defesa não produzirem atualmente equipamentos sofisticados em grandes quantidades. Uma planta produz, por exemplo, até 30 aviões militares por ano.

“Se algo acontecer, a fábrica não será capaz de atender a demanda. Portanto, há depósitos que podem atender às necessidades do Exército por um primeiro período, no caso de um ataque de surpresa, quando há perdas muito grandes”, explica Leonkov.

Para o especialista, a verificação dos arsenais, incluindo em situações de emergência,  é ainda mais útil tendo em conta que a munição foi ativamente consumida por nove meses durante a operação contra os militantes do Estado Islâmico na Síria.

Embora os atuais exercícios sejam finalizados no dia 22 de junho, a meta é que os militares realizem mais de 2.000 exercícios diferentes até 1º de dezembro. Até 50% deles serão conduzidos nos próximos seis meses em condições noturnas, segundo a pasta da Defesa.

Publicado originalmente pelo portal Gazeta.ru

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