Kremlin critica ‘reação exagerada’ do Pentágono sobre navio

Bombardeiro Su-24 russo fotografo de superfície do USS Donald Cook, no Báltico

Bombardeiro Su-24 russo fotografo de superfície do USS Donald Cook, no Báltico

AP
Destróier norte-americano chegou a apenas 70 km de base russa no Báltico e Moscou justificou ação por medida de segurança. Segundo departamento de Estado dos EUA, proximidade poderia ter estimulado abate de aeronaves.

Após os bombardeiros Su-24 russos terem sobrevoado o destróier norte-americano USS Donald Cook e o Pentágono divulgar  na quarta-feira (13) um vídeo do comportamento “agressivo” dos aviões, o Ministério da Defesa russo declarou surpresa pela “reação exagerada” dos EUA.

O episódio, no início desta semana, aconteceu quando o navio realizava exercícios conjuntos com a Polônia em águas neutras do mar Báltico. 

O comando europeu das forças armadas dos Estados Unidos e a Casa Branca condenaram as “manobras aéreas perigosas e pouco profissionais por parte dos aviões russos”.

A pasta da Defesa russa justificou, porém, que a tripulação do avião russo estava realizando voos de treinamento sobre a mesma região e ressaltou que o navio norte-americano estava a apenas 70 quilômetros da base russa no Báltico, situada na região de Kaliningrado. 

Ao se depararem com o navio, os pilotos russos “deram a volta observando todas as medidas de segurança”, lê-se no comunicado oficial.

O incidente estaria diretamente relacionado com a proximidade do destruidor dos Estados Unidos em relação à base militar russa, segundo o presidente do Centro Internacional para Análise Geopolítica, o coronel-general aposentado Leonid Ivachov.

“Os marinheiros usam o termo ‘expulsão’ para indicar quando um barco faz o outro retroceder até que esteja a uma distância segura”, explica.

As aeronaves russas não portavam armas ou equipamentos a bordo capaz de desativar os componentes eletrônicos do navio dos Estados Unidos. 

Abate de aviões

A reação dos pilotos russos ao navio dos Estados Unidos foram condenadas não somente pela Casa Branca, mas também pelo departamento de Estado norte-americano.

“É imprudente. É uma provocação. É um perigo. E, de acordo com nossas regras de enfrentamento, [essas aeronaves] poderiam ter sido abatidas”, declarou o secretário John Kerry.

O porta-voz do departamento de Estado dos EUA, John Kirby, informou que Kerry irá tratar do incidente com seu homólogo russo, Serguêi Lavrov.

De acordo com Ivachov, trata-se de uma das normas militares internas dos Estados Unidos segundo a qual, por exemplo, um navio da Marinha norte-americana abateu, em 1988, um Airbus com 290 passageiros a bordo no céu do Golfo Pérsico.

“O Pentágono declarou então que a aeronave iraniana tinha sido erroneamente identificada como um caça F-14 das Forças Armadas”, recorda o analista militar.

Membro da comissão para assuntos internacionais do Conselho da Federação (Senado russo), Igor Morozov, declarou que o destróier norte-americano estava tão perto das fronteiras russas que, caso tive derrubado os aviões, “não teria sido capaz de escapar”.

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