Tropas russas se unem a Exército sírio para libertar Aleppo

Contexto urbano dificulta operações e exige atuação de forças terrestres

Contexto urbano dificulta operações e exige atuação de forças terrestres

Mikhail Voskresenski/RIA Nôvosti
Apoiado pelas forças russas, o Exército sírio iniciou uma ofensiva às regiões urbanas ao sul de Aleppo. Ataque direto à cidade não está previsto devido à concentração de civis.

O Exército sírio deu início na terça-feira (12) a ataques contra posições da Frente al-Nusra, filial síria da rede terrorista Al Qaeda, nos arredores de Aleppo. A ofensiva conta com apoio aéreo da Rússia.

Segundo o chefe de operações do Estado-Maior, o tenente-general Serguêi Rudskoi, as forças de Damasco não pretendem promover ataques à cidade, mas sim prevenir um bloqueio de Aleppo pelos terroristas.

“Se não evitarmos as operações terroristas, as regiões no norte da Síria se encontrarão mais uma vez sitiadas. É por isso que as atividades do Exército sírio e da aviação russa são destinadas a minar os planos dos grupos ligados à Frente al-Nusra”, declarou Rudskoi.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, dados coletados revelam a intenção dos militantes de conduzir uma ofensiva em larga escala para cortar a estrada que liga Aleppo a Damasco.

“O Exército sírio empregará forças três vezes mais potentes que as dos militantes, o que é necessário para qualquer ofensiva bem-sucedida em um contexto urbano”, explica Ivan Konovalov, diretor do Centro para Assuntos Estratégicos, em Moscou.

“Além do Exército nacional da Síria, o ‘nosso lado’ tem também a participação militar de unidades da Guarda Revolucionária Iraniana e do Hezbollah”, completou.

O observador militar da agência de notícias Tass Víktor Litóvkin ressalta, porém, que seria difícil expulsar os grupos fundamentalistas das ruas e áreas residenciais de Aleppo.

“O problema é que os militantes estão se escondendo em áreas urbanas densamente povoadas. Aleppo é a segunda maior cidade da Síria, e as operações em um contexto urbano só podem ser conduzidas de forma cirúrgica: com forças terrestres e forças especiais”, diz o analista.

Aspecto político

Ainda segundo Litóvkin, os EUA e as forças da coalizão internacional continuarão a guerra contra os militantes, mas conduzirão operações independentes em regiões vizinhas. “Eles não vão participar da ofensiva com as forças centrais apoiadas pela força aérea da Rússia”, afirma.

O fato de os EUA e as demais forças da coalizão não estarem integradas à operação demonstra, segundo os especialistas, que Washington e Moscou ainda não foram capazes de elaborar uma posição unida sobre a Síria, apesar da suposta colaboração secreta entre os países.

“Haverá agora uma onda de declarações contra a Rússia, dizendo que ela está bombardeando as forças erradas e matando civis”, aponta Fiódor Lukianov, editor-chefe da publicação “Russia in Global Affairs”.

“Infelizmente, pessoas morrem em todas as guerras. Mas a cooperação entre a Rússia e o Ocidente sobre a questão da Síria nunca foi tão estável, apesar das mudanças radicais nas relações nos últimos anos”, arremata.

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