Procuram-se 5 golfinhos para servir no Exército russo

Treinamento de golfinhos para fins militares é prática na Rússia e nos EUA desde a Guerra Fria

Treinamento de golfinhos para fins militares é prática na Rússia e nos EUA desde a Guerra Fria

Domínio Público
O Ministério da Defesa russo irá comprar e treinar animais para desarmar minas e efetuar missões subaquáticas. Golfinhos ficarão baseados em oceanário na Crimeia.

O Ministério da Defesa russo pretende adquirir cinco golfinhos, que farão parte do programa de mamíferos marinhos para fins militares na península da Crimeia. O órgão pagará 350 mil rublos (mais de 18 mil reais) por cada animal, segundo o comunicado divulgado no site do Kremlin.

Os golfinhos, duas fêmeas e três machos com idades entre 3 e 5 anos e comprimento igual ou inferior a 2,7 metros, devem ser transportados ao centro de treinamento do oceanário de Sevastopol até 1º de agosto. 

As funções específicas que os golfinhos assumirão não foram divulgadas, mas acredita-se que o país poderá retomar o programa de treinamento soviético de “sabotadores”.

O treinamento de golfinhos para detecção de minas e resgate de mergulhadores é conduzido desde os anos 1960 pela ex-União Soviética e pelos Estados Unidos.

Uma fonte da pasta da Defesa revelou à Gazeta Russa que o oceanário recebendo, paralelamente, mais recursos humanos, incluindo a transferência de algumas tropas de unidades militares de Moscou para Sevastopol.

Golfinhos na 3ª idade

A busca por novos golfinhos se deve ao número reduzido (inferior a 10) dos mamíferos no Instituto de Pesquisa de Sevastopol e à falta de financiamento do centro pela Ucrânia, que não treinou os animais para executar tarefas específicas.

Além disso, os golfinhos estão envelhecendo e precisam de substitutos adequados para reduzir o desnível em relação aos EUA, o único país no mundo além da Rússia que treina animais marinhos para conduzir missões com as forças armadas.

O centro de treinamento norte-americano está localizado na base naval de San Diego, na Califórnia, e reúne 85 golfinhos e 50 leões-marinhos. Ali os animais são treinados para executar tarefas como a remoção de minas e a operação em conjunto com drones.

Desde a URSS

No período da União Soviética, os golfinhos eram intensivamente treinados em um oceanário na Baía dos Cossacos para realizar operações submarinas, incluindo retirada e implantação de minas, e missões antissabotagem e de reconhecimento.

Com a queda do regime soviético, em 1991, o oceanário em Sevastopol ficou sob a jurisdição da Ucrânia. Desde então, o número de animais marinhos, entre golfinhos, baleias beluga e leões-marinhos, caiu drasticamente.

Os golfinhos restantes foram usados por Kiev para terapias com crianças e adultos portadores de distúrbios neurológicos e doenças do sistema musculoesquelético.

Os animais foram requisitados pelos militares russos após a integração da Crimeia à Rússia, em março de 2014, para servir os interesses da Marinha russa.

Os funcionários do Instituto de Pesquisa de Sevastopol haviam expressado esperança de que a Rússia alocaria dinheiro para financiar o centro e perpetuar a pesquisa das habilidades de golfinhos, incluindo a compra de novos equipamentos.

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