“Temos tudo para aumentar a cooperação militar com América Latina”

Kôjin: "O mundo todo pode ver como nossas armas funcionam na prática".

Kôjin: "O mundo todo pode ver como nossas armas funcionam na prática".

kremlin.ru
Assessor presidencial russo para o setor fala sobre intenções no continente e afirma que Síria é vitrine para equipamentos do país. "O mundo todo pode ver como nossas armas funcionam na prática".

O assessor presidencial para cooperação técnico-militar da Rússia, Vladímir Kôjin, discorre sobre a principal concorrente da Rússia em exportação de equipamentos militares, o fornecimento de sistemas de defesa antiaérea S-300 ao Irã e as perspetivas da colaboração com a América Latina.

Como se pode avaliar a atual carteira de encomendas na área técnico-militar da Rússia?

A Rússia mostra altos resultados nas exportações de equipamentos militares ao exterior. Isso acontece mesmo em condições desfavoráveis, agravadas não só pelas sanções contra a Rússia, mas também pela intensificação da concorrência no mercado de armamentos em geral. A carteira de encomendas é estável e ultrapassa os US$ 50 bilhões.

Como as sanções afetam o comércio?

Apesar de prejudiciais, as sanções nos mostram a necessidade de criar novos meios. Após sua introdução, diversos países da América Latina, África e Sudeste da Ásia passaram a mostrar mais interesse nos sistemas de armamentos russos.

Esses potenciais compradores entendem que estamos sob sanções, e que essas podem causar problemas. Mesmo assim, a demanda por armas russas cresce.

A demanda por equipamento militar russo cresce devido à operação na Síria?

O mundo todo pode ver como nossas armas funcionam na prática. Já temos uma fila de possíveis compradores dos navios com sistemas "Kalibr", por exemplo.

A que pé anda o fornecimento de sistemas da defesa antiaérea S-300 para o Irã?

O contrato já está sendo implementado. Estamos recebendo os pagamentos. Seguimos todas as condições do contrato. O primeiro lote dos sistemas já está pronto.

Como você poderia avaliar o potencial do mercado latino-americano?

A [agência russa de exportação de armamentos] Rosoboronexport está realizando um programa de promoção de armamento e equipamento militar russo na América Latina.

Nosso principal parceiro na região é a Venezuela, que compra uma quantidade considerável de diferentes produtos militares. 

Mas, atualmente, estudamos a possibilidade de expandir a cooperação e desenvolver diversos projetos de longo prazo com o Peru. Além disso, estamos construindo centros de manutenção e treinamento de pilotos para helicópteros russos na Venezuela, no Brasil e no Peru.

Os helicópteros russos têm demanda nos países da América Latina devido a sua confiabilidade e eficiência em diversas condições climáticas e geográficas. Esperamos assinar novo acordos para o fornecimento desses.

Mas não nos limitamos a fornecer modelos finais de armamentos e equipamentos militares. Estudamos ainda a possibilidade de transferir tecnologia militar moderna a nossos parceiros na América Latina para modernizar os equipamentos na região. As relações com Cuba são um bom exemplo desse tipo de colaboração. Esperamos desenvolver uma cooperação semelhante com a Argentina.

Fazemos de tudo para entrar nos mercados dos países que tradicionalmente se dirigem a outros exportadores de armas. Nosso equipamento é bastante competitivo. Temos tudo para aumentar cooperação militar com os países da América Latina, uma das regiões mais promissores em termos de exportação de armamento e tecnologia russa.

Quem é o principal concorrente da Rússia na exportação dos equipamentos técnico-militares?

No médio prazo, temos apenas um concorrente, os Estados Unidos. Os EUA desenvolvem e modernizam ativamente todo tipo de equipamento militare. A Europa fica atrás dos EUA, porque não tem projetos equiparáveis aos dos americanos - como, por exemplo, as armas laser ou motores hipersônicos.

Como o conflito com a Ucrânia afetou a cooperação russa no setor com parceiros estrangeiros?

Não posso dizer que conflito tenha causado danos irreparáveis, mas a diferença é perceptível. A ruptura de relações com a Ucrânia afetou principalmente a produção de motores para construção naval e para aviões. Mas o problema já está quase resolvido.

Como você avalia as perspectivas de desenvolvimento de cooperação com parceiros dos EUA e da Europa?

Durante os últimos dois anos, diversos países europeus mostraram incapacidade de exercer uma política independente dos EUA e falta de desejo de desenvolver uma cooperação técnico-militar mutuamente vantajosa.

Mas isso não significa que não estejamos dispostos a cooperar. Se alguém expressar desejo de localizar sua produção na Rússia, iremos considerar a proposta.

Os desfiles militares na Praça Vermelha ajudam a promover armamento russo?

Especialistas conhecem todos os nossos produtos. A Rosoboronexport participa de quase todas as grandes exposições. Além de trazer e mostrar os armamentos já disponíveis, como, por exemplo o tanque T-90, nós mostramos tecnologias do futuro, o que a Rússia produzirá amanhã.

Não temos a intenção de assustar, os desfiles são uma oportunidade de mostrar nossas realizações ao todo o país.

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