‘A mulher de Tchaikovsky’, de Kirill Serebrennikov, terá estreia no Festival de Cannes

Kirill Serebrennikov/Hype Film, 2022
Longa independente será um dos poucos russos no Festival de Cinema de Cannes, que começa em 17 de maio. Damos 5 motivos pelos quais cinéfilos e fãs de música clássica não devem perdê-lo.

  1. O único filme russo no Festival de Cannes
Cena do filme ‘A mulher de Tchaikovsky’

O cinema independente russo tem se mostrado em ascensão. Nos últimos anos, poucos festivais deixaram de incluir filmes russos em seus programas. No ano passado, o drama de Kira Kovalenko ‘Unclenching the Fists’ ganhou o prêmio principal no programa Un Certain Regard em Cannes, enquanto ‘A Febre de Petrov’, de Serebrennikov, e ‘Compartimento nº 6’, do diretor finlandês Juho Kuosmanen, coproduzido com a Rússia, também foram selecionados para a competição principal. Este último acabou ganhando o Grande Prêmio do Júri  do festival.

Em 2022, devido ao contexto atual, Cannes mudou suas regras de seleção para filmes russos. Foi anunciado oficialmente que os longas produzidos com a participação de fundos do Orçamento estatal não serão considerados pelo júri. Assim, apenas três obras concorreram à participação no festival. Os selecionadores do programa paralelo Quinzena dos Realizadores tinham, até ao último momento, previsto incluir na lista o filme ‘Um pássaro à procura de uma gaiola’ da aluna de Sokurov, Malika Musayeva, rodado em tchetcheno.

  1. Documentário sem ser

Piotr Tchaikovsky e sua mulher Antonina Miliukova

A homossexualidade de Piotr Tchaikovsky é um fato bem conhecido. No entanto, demonstrar isso em obras biográficas destinadas a um público amplo na Rússia era, de fato, um tabu. Kirill Serebrennikov transpoe essas barreiras. A orientação sexual do famoso compositor não só é retratada de forma inequívoca – mas, em geral, é o tema central do filme.

Há poucos filmes sobre Tchaikovsky, embora seja considerado um dos pilares da música clássica. Uma boa opção é a cinebiografia soviética de Igor Talankin intitulada ‘Tchaikovsky’ (1970), praticamente desconhecida do público russo e estrangeiro. Vale lembrar também do filme ‘Delírio de Amor’ (1971), dirigido pelo cineasta britânico Ken Russell, uma fantasia sobre a biografia do compositor. Serebrennikov vai além – a julgar pelo material divulgado, ele criou um retrato franco e íntimo do maestro, baseado apenas em fatos documentais.

  1. Estilo afiado
Kirill Serebrennikov

Serebrennikov sempre foi conhecido na Rússia como um criador de tendências tanto para o teatro quanto para o cinema. Nesse sentido, ‘A mulher de Tchaikovsky’ é a quintessência de sua coleção. Nele, o teatro progressista de Berlim “encontra” os filmes de Derek Jarmens.

Há muita nudez masculina e decadência pós-moderna. Trata-se provavelmente de uma das obras mais inconformistas e estéticas da cultura russa nos últimos anos.

  1. Segredos da arte
Cena do filme ‘A mulher de Tchaikovsky’

A última coleção de poesias de Anna Akhmátova publicada durante sua vida chamada ‘A Corrida do Tempo’ tem uma série de poemas intitulada ‘Segredos do Ofício’, onde ela reflete sobre as fontes de inspiração para grandes obras de arte. Esses versos da série se tornaram um bordão na Rússia: “Se vocês soubessem de que lixeira saem, desavergonhados, os versos”.

O filme de Serebrennikov é uma adaptação dessa ideia. O diretor se pergunta o que está no coração do gênio Tchaikovsky e conclui que, literalmente, tudo – um casamento fracassado, orgias sexuais e tragédias pessoais, tudo na mesma medida. Para um grande artista, qualquer experiência forte, seja mental ou física, serve como uma faísca que acende a chama da grande arte. O espectador enxerga apenas a ponta desse iceberg. Serebrennikov nos mostra a parte submersa.

  1. Atuação
Atriz Aliona Mikhailova como Antonina

A esposa de Tchaikovsky, Antonina Milyukova, é interpretada por Aliona Mikhailova, que, nos últimos anos, ficou muito famosa na Rússia, mas ainda que não havia interpretado papéis importantes em filmes independentes. O filme revela Mikhailova como uma atriz versátil e corajosa, que se sente confiante, mesmo nas circunstâncias mais desconfortáveis.

Tchaikovsky é interpretado por Odin Byron, ator norte-americano que viveu em Moscou e é conhecido por seus papéis em seriados russos. ‘A mulher de Tchaikovsky’ é uma grande chance para ele enfim se destacar internacionalmente e relançar sua carreira.

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