Os 10 principais contos de fadas russos

Viktor Vasnetsov; Aleksandr Rou/ Estúdio Górki, 1964; Domínio público
As tramas dessas histórias já se tornaram parte da psiquê nacional — tanto que elas gozam de popularidade até hoje!

Há muito tempo, quando a maioria dos russos era analfabeta, inventavam milhares de contos de fadas que foram transmitidos oralmente de geração em geração. Ouvir contos de fadas era um passatempo amado não só pelas crianças, mas também pelos adultos.

Essas histórias, sempre com alguma moral, eram inspiradas na vida cotidiana, fábulas sobre animais e criaturas fantásticas que vivem nas florestas, rios e pântanos, ou contos de fadas sobre princesas e príncipes. Pode-se dizer que esses mesmos contos de fadas moldaram o caráter do povo russo.

Todos os escritores e poetas russos cresceram ouvindo e lendo contos folclóricos russos, e muitos adaptaram ou usaram seus tradicionais enredos em suas próprias obras.

O escritor do século 19 Aleksandr Afanasiev contribuiu enormemente para manter a herança folclórica russa coletando os principais contos de fadas e os publicando em uma obra chamada “Contos Folclóricos Russos”.

  1. Kolobok

Este conto de fadas tem uma estrutura de enredo cumulativa, em que a mesma ação é repetida nele várias vezes. Portanto, era uma vez um velhinho que vivia com uma velhinha (esta frase inicial também é usada em outros contos de fadas)... O velho pediu à mulher que fizesse um “kolobok” (um pão assado esférico). A velha juntou as últimas migalhas de farinha e assou um “kolobok”.

Ela colocou o “kolobok” no parapeito da janela para esfriar, mas ele caiu e rolou para longe – e aí se tornou o personagem Kolobok. Enquanto ele rolava por uma via, cruzou com uma lebre, um lobo e um urso. Todos ameaçaram comê-lo, mas o Kolobok foi muito astuto e conseguiu fugir de todos eles, cantando: “Consegui fugir do vovôzinho, consegui fugir da vovó, e vou conseguir fugir de você também." No entanto, após três fugas bem-sucedidas, o Kolobok encontrou uma raposa, que o enganou e o comeu.

O conto folclórico sobre o Kolobok se tornou muito popular na Rússia e é lido por todas as crianças até hoje. A versão mais conhecida da história foi escrita por um proeminente professor do século 19 e fundador da ciência pedagógica na Rússia, Konstantin Uchinski. Existem também vários desenhos animados baseados na história de Kolobok.

  1. Kurotchka Riaba

Era uma vez, um velhinho que vivia com uma velhinha. Eles tinham uma galinha chamada Riaba (a “Kurotchka Riaba” do título), que botou um ovo de ouro. Nem o velho nem a velha conseguiram quebrar o ovo, mas um rato passou correndo, sacudiu o rabo e o ovo caiu e quebrou. O velho e a velha ficaram muito aborrecidos, mas a galinha prometeu botar um novo ovo, normal, para eles.

Esse final feliz foi adicionado mais recentemente na história para as crianças. No original, porém, o ovo quebrado causou uma série de infortúnios para toda a aldeia.

A história de Kurotchka Riaba atraiu o interesse de muitos escritores, entre eles Uchinski e Afanasiev, já mencionados, assim como o lexicógrafo russo Vladímir Dal e o escritor soviético Aleksêi Tolstói — ambos criaram suas próprias versões da história.

Além disso, diferentes regiões da Rússia tinham sua própria versão do conto, com diferentes infortúnios recaindo sobre a aldeia depois que o ovo se quebrou.

  1. Repka

Esta história começa com um velho plantando um nabo. O nabo (em russo, “repka”) cresceu tanto que o velho não conseguiu colhê-lo sozinho. Então, ele chamou a esposa, depois a neta, depois o cachorro e o gato para ajudá-lo.

Mas, com todos puxando o nabo juntos, eles ainda não conseguiam colhê-lo. O último que chamaram para ajudar foi o rato: e só então, finalmente, conseguiram tirar o nabo da terra.

A moral da história é que, se todos se unirem em uma tarefa comum, as coisas dão certo. E não se deve temer pedir ajuda até mesmo a seu pior inimigo (o gato e o rato se uniram aqui!).

A alegoria com o nabo atraiu o interesse de muitos escritores, por isso este enredo de conto de fadas recebeu várias interpretações e também serviu de inspiração para a sátira.

Durante a Primeira Guerra Mundial, havia caricaturas satíricas representando "o velho" imperador Franz Joseph plantando o nabo da guerra e chamando seus aliados europeus para ajudá-lo a puxá-lo.

Já na propaganda soviética, o velho era descrito como uma representação do Capital, que queria arrancar o “nabo vermelho” da Revolução.

  1. Teremok

Era uma vez uma casinha de madeira (teremok). Um rato passou correndo por ela, parou e perguntou: "Quem mora nesta casinha?" Ninguém respondeu, então o rato decidiu se estabelecer ali.

Em seguida, juntou-se a ele na casa um sapo, uma lebre, uma raposa e um lobo... Todos viviam muito amigavelmente na casinha, até que apareceu um urso. Eles o convidaram a se juntar a eles também, mas o urso era muito grande para se espremer na casinha pela porta, por isso ele decidiu subir no telhado... e esmagou a casinha.

Felizmente, os animais conseguiram pular a tempo. Juntos, eles começaram a construir uma nova casinha, que ficou ainda melhor que o anterior - e todos foram morar lá.

Este é mais um conto de fadas incrivelmente popular, que inspirou muitos escritores russos a criar suas próprias versões da história. A do poeta Samuil Marshak tornou-se uma das peças preferidas de encenação em teatros infantis e teatrinhos em casa.

  1. Sob o comando do peixe lúcio

Este é um dos contos de fadas russos mais arquetípicos, já que seu protagonista, embora preguiçoso e simplório, é bondoso e depende da sorte e do intraduzível “avos” russo.

Um aldeão simples chamado Emeliá pesca um peixe lúcio mágico, que promete realizar qualquer desejo se ele o poupar. Emeliá usa a magia dos desejos para cuidar de tudo o que ele mesmo tem preguiça de fazer.

Assim, "a mando do lúcio", um machado corta lenha sozinho, os baldes são enchidos com água etc. Emeliá tem tanta preguiça de se levantar do fogão de pedra quente onde deita que ordena que o fogão o leve aonde quer que ele precise ir. No final das contas, ele se casa com a filha do tsar.

A história do peixe mágico que realiza desejos também foi usado por Aleksandr Púchkin, o poeta mais amado da Rússia, em seu Conto do Pescador e o Peixe. Nele, porém, os protagonistas são um velho e sua velha esposa. Além disso, a ganância do casal acaba em tragédia, pois o peixe mágico tira tudo o que havia concedido ao velho casal, e eles são deixados no "cocho quebrado" onde começaram o conto.

  1. A Princesa-Sapo

Esta é a história de uma noiva encantada. O tsar ordena a seus três filhos que escolham as futuras esposas, cada um atirando uma flecha de um arco e se casando com quem quer que encontrem, onde quer que a flecha caia. O filho mais novo, Ivan Tsarevich, encontra sua flecha em um pântano e a única criatura viva que ele existe ali é um sapo. Assim, Ivan Tsarevich tem que se casar com o sapo.

Acontece que o sapo é encantado: ele pode trocar de pele e se transformar em uma bela jovem, Vassilisa, a Bela (ou Vassilisa, a Sábia). Para libertar a esposa do feitiço maligno, Ivan Tsarevich tem que viajar por florestas e pântanos em busca do terrível Koschei, o Imortal.

Só que, para matá-lo, Ivan primeiro tem que encontrar a morte de Koschei, que está escondida "na ponta de uma agulha: a agulha está em um ovo, o ovo está dentro de um pato, o pato está dentro de uma lebre, a lebre está em um baú de pedra, e o baú fica em um carvalho alto ".

Felizmente, o corajoso e bondoso Ivan Tsarevich recebe a ajuda de vários animais e, no final das contas, é claro, salva sua Vassilisa.

  1. Morozko

Esta história é basicamente uma versão russa de Cinderela que inspirou uma popular adaptação cinematográfica soviética, geralmente exibida na TV durante a temporada de Ano Novo. Uma madrasta malvada não gosta da enteada Marfusha (no filme, ela se chama Nastenka) e pede ao marido (ou seja, o pai da menina) que a leve para a floresta no inverno e a deixe lá.

A garota é encontrada pelo mágico Morozko, que pergunta três vezes se ela está aquecida. A menina, embora tremendo de frio, responde que está aquecida, e Morozko, tocado por sua modéstia, a salva e a presenteia com presentes caros e um casaco de pele.

O destino da menina deixa a madrasta malvada com inveja, por isso ela manda levar suas próprias filhas mimadas para a floresta. Mas elas não são tão legais com Morozko, e ele as deixa congelar no frio. Talvez a versão mais famosa do mesmo conto seja “Doze Meses”, de Samuil Marshak.

  1. Baba Iaga

A personagem de Baba Iaga ainda é frequentemente usado para assustar crianças quando elas se comportam mal. A velha bruxa mora em uma floresta, em uma cabana com pernas de galinha, e voa em um pilão.

Uma madrasta envia a enteada a Baba Iaga para se tornar sua serva. A velha malvada faz a menina trabalhar, mas acontece que ela quer mesmo é comê-la! A menina planeja uma fuga e animais da floresta e até objetos inanimados a ajudam, já que ela é gentil e afetuosa com todos. O pai, ao saber que a esposa mandou sua filha para a morte certa, fica muito zangado e expulsa a mulher.

Há, no entanto, outra versão desse conto, em que o próprio pai leva sua filha para Baga Iaga (como em Morozko, a mando de sua esposa malvada). Lá a menina e Baba Iaga se tornam amigas, mas então o pai sequestra a menina, e a leva de volta - e Baba Iaga fica tão brava que tudo o que resta da menina são seus ossos...

  1. Ivan Tsarevich e o lobo cinza

O tsar envia seus três filhos em busca de um pássaro de fogo mágico com penas douradas. O filho mais novo, Ivan Tsarevich, sofre um sério revés no início da viagem: quando está descansando, seu cavalo é comido por um lobo.

O jovem fica tão chateado que até o lobo fica com pena dele e oferece ajuda. Assim, Ivan sai em busca do pássaro de fogo montado em um lobo cinzento. Além disso, o lobo mostra-se muito astuto e, graças a ele, o príncipe encontra não só o pássaro de fogo, mas também a sua amada, Elena, a Bela, que ele - com a ajuda do lobo - rouba de outro rei.

No entanto, os irmãos de Ivan tentam armar para ele... Mas, como costuma acontecer nos contos de fadas russos, no final das contas a bondade e a honra sempre prevalecem.

A popular história sobre um pássaro de fogo e um cavalo mágico também é tema trabalhado no famoso conto de fadas “O Pequeno Cavalo Corcunda”, escrito por Piotr Ierchov (1834). Na época soviética, esse foi um dos contos de fadas mais populares, impresso em tiragens enorme e encenado em muitos teatros infantis por todo o país.

  1. Irmã Alionuchka e irmão Ivanuchka

O enredo deste conto de fadas lembra vagamente a história de Hansel e Gretel, dos Irmãos Grimm. Dois órfãos, Alionuchka e Ivanuchka, estão vagando há muito tempo. Ivanuchka está com muita sede, mas sempre que eles veem um corpo de água, há animais próximos.

Alionuchka proíbe seu irmão de beber, avisando-o que se ele beber da água onde as cabras beberam, ele se tornará um cabrito, e se beber da água onde as vacas beberam, se tornará um bezerro.

No entanto, Ivanuchka não aguenta mais a sede e desobedece a irmã, bebe um pouco de água e se transforma em um cabrito. Alionuchka, em lágrimas, continua sua jornada, levando o irmão com ela.

De repente, eles encontram um belo tsarevich, que tem pena da pobre órfã e quer se casar com ela. Mas uma bruxa malvada, com ciúmes de sua felicidade, joga Alionuchka no mar com uma pedra amarrada no pescoço. O tsarevich fica devastado, enquanto o cabrito continua correndo em direção ao mar - e acaba por conduzir o tsarevich até lá. Alionuchka é resgatada do mar, ela continua viva e saudável e a bruxa é punida.

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.

Mais reportagens e vídeos interessantes na nossa página no Facebook.

Este site utiliza cookies. Clique aqui para saber mais.

Aceitar cookies