‘Minha Amiga Palma’ estreia no streaming brasileiro

Aleksandr Domogarov, Jr./Central Partnership, 2020
Competindo em pé de igualdade com os abundantes filmes de temática canina hollywoodianos, coprodução Rússia-Japão foi premiada na categoria de “melhor filme” em quatro festivais e, ao contrário dos primeiros, não nivela por baixo a inteligência do espectador, independentemente de sua idade.

Baseado em uma incrível história real, o filme “Minha Amiga Palma” mostra um episódio que se passa em 1977, em Moscou, com a pastor alemão Palma, que é abandonada pelo dono, Igor Polski, no aeroporto da capital russa. Ela faz amizade com Nikolai, um menino de nove anos que ficou órfão de mãe e teve que ir morar com o pai, o piloto Viatcheslav, que mal conhecia. 

Impedida de embarcar com o dono por não ter um certificado veterinário, Palma se esconde no aeroporto e espera todos os dias pelo avião que trará seu dono para buscá-la. Por meio de Nina, uma funcionária do aeroporto, Nikolai fica sabendo que o nome da cadela é Alma ou Palma, um dos dois, e passa a chamá-la pelo último.

Fugindo do serviço de segurança, que persegue incansavelmente os animais que aparecem no aeroporto, Palma se refugia no vagão do técnico Tikhonov, pai de Nina, que cuida da cadela e não deixa ninguém machucá-la.

“Minha Amiga Palma” é um bom filme de família e de aventura, que não deve nada às superproduções norte-americanas do gênero. Ele é baseado em uma história real, assim como “Sempre a seu lado” (2009), inspirado na história do cão japonês Hachiko, que esperou seu dono voltar do trabalho em frente a uma estação por nove anos após a morte.

Abandonada entre 1974 e 1976 no aeroporto de Vnúkovo, em Moscou, o cão soviético também esperou seu dono no aeroporto, recepcionando todos os passageiros de aviões aterrissando do modelo Iliúchin-18, o mesmo que o levou.

Em 1976, o jornalista Iúri Rost publicou no Komsomólskaia Pravda o artigo “Dois anos de espera”, sobre o cachorro, e o filme traz até uma referência irônica ao artigo, provando a frase de Mark Twain de que “a realidade é mais estranha do que a ficção, porque a ficção precisa fazer sentido”.

“Palma” é um exemplar típico do cinema russo. Apesar do final feliz à la Hollywood, seus personagens são, em geral, mais esféricos, e as situações remontam a uma história muito mais profunda que a exibida nos filmes norte-americanos.

Os produtores de Palma não subestimam o espectador, seja qual for sua idade: até o uso da cadela como ferramenta de propaganda política é revelado desde cedo, abrindo assim uma janela para o discernimento e o florescimento do censo crítico e do questionamento.

Assim, em geral, “Palma” não se assemelha em nada às produções “caninas” da Disney ou até mesmo à história de Hachiko com Richard Gere, e nem mesmo deve nada a elas. É a cadela, inclusive, quem consegue estabelecer o elo emocional que falta entre o menino Nikolai e o pai, e a variedade de emoções que perpassa o roteiro, traição, lealdade, as coisas que são realmente importantes na vida, são um convite perfeito a este filme delicado e nobre.

 

“Minha Amiga Palma” está disponível nas plataformas Looke, Apple TV e Now.

 

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