Os 5 MAIORES (em tamanho mesmo!) livros russos para você devorar na quarentena

Legion Media
Os escritores russos são famosos por sua verbosidade e sentenças longas. Mas muitos de seus romances são realmente verdadeiras obras-primas. Por isso, esta é a melhor hora para derrotar o medo de pegar estes tijolões!

1. “Guerra e Paz”, de Lev Tolstói

Quando Lev Tolstói escreveu este livro, ele era tão fora do comum para a literatura russa que inaugurou um novo gênero: o "romance épico". O livro descreve a vida russa durante a guerra com a França de Napoleão.

No centro da narrativa estão as histórias de diversas famílias (e Tolstói retratava muito seus próprios parentes). Na atualidade a maioria dos russos aprende a história da guerra com a França napoleônica por meio do texto de Tolstói.

Tolstói levou seis anos para escrever o romance, e não teria sido possível terminá-lo sem a ajuda da mulher dele, Sofia, que passou o manuscrito a limpo cerca de seis vezes – já que o insaciável Lev não conseguia parar de corrigir a obra.

2. “Os Irmãos Karamázov”, de Fiódor Dostoiévski

Este romance, na realidade, deveria ter ganhado uma continuação, mas Dostoiévski morreu dois meses depois de sua publicação. Ele é uma obra fundamental que reflete os pensamentos do autor sobre a fé e a falta dela, amor, traição, destino, milagres e humanidade.

Não tema a filosofia sombria e profunda de Dostoiévski! Para além desses aspectos, o enredo do romance é uma grande história policial que mantém os leitores interessados ​​até a última linha. Paixão, ciúmes e o mistério de um assassinato... Você nem notará quantas páginas tem o romance!

Uma das maiores e mais incríveis cenas é a que se passa dentro do tribunal onde o suposto assassino está sendo condenado.

3. “O Don Tranquilo”, de Mikhaíl Chôlokhov

Este romance chegou até mesmo a ser apelidado de "o Guerra e paz do século 20". Trata-se de uma obra épica sobre a Guerra Civil na Rússia após a Revolução e como os cossacos do Don participaram dela.

O livro se concentra na história pessoal de um cossaco, Grigóri, que transita várias vezes entre o movimento dos “Vermelhos” e o dos “Brancos” e não consegue se decidir em qual ficar. Ao mesmo tempo, ele tem casos de amor ao longo da vida com duas mulheres, deixando uma para partir com a outra várias vezes também.

Em um período tão turbulento, um homem comum simplesmente não consegue entender de que precisa, e todas as suas ações levam a tragédias para além das bélicas.

Essa trama contraditória correu risco de ser banida pelos censores soviéticos, que exigiam histórias positivas sobre os heróis do Exército Vermelho. Mas Iôssif Stálin leu, ele mesmo, o romance e aprovou sua publicação.

4.“O Arquipélago Gulag”, de Aleksandr Soljenítsin

 Esta obra está longe de ser uma leitura fácil e não é um romance, mas "uma tentativa de pesquisa fictícia". Para escrevê-la, Soljenítsin conversou, durante dez anos, em segredo, com 250 ex-prisioneiros, baseando-se também em sua própria experiência no gulag.

Assim, Soljenítsin conseguiu não apenas descrever todo o sistema de campos de trabalho soviético entre 1918 e 1956, mas também fazer um relato pessoal - o que ele considerava ainda mais importante do que o científico.

Ele reconstruiu a história do gulag, da indústria que era impulsionada pelo trabalho dos prisioneiros, e tentou descobrir quantos campos houve durante aqueles anos e como eles diferiam entre si.

“O Arquipélago Gulag” foi inicialmente na França, no início dos anos 1970, e, por isso, Soljenítsin foi privado de sua cidadania soviética e exilado. O livro só foi publicado na Rússia após o colapso da URSS.

5,“Vida e Destino”, de Vassíli Grossman

Este é mais um "Guerra e paz do século 20". O romance épico de Grossman retrata a vida de diversas famílias nos bastidores da Segunda Guerra Mundial. Grossman foi correspondente militar, cobrindo ativamente a Batalha de Stalingrado, por isso o romance está focado nesse período, de 1942 a 1943.

Os mais terríveis sofrimentos possíveis pelos quais as pessoas passaram durante a guerra foram descritos no livro. Grossman mostra a evacuação, a separação das famílias, o Holocausto (a própria mãe do autor foi morta pelos nazistas na Ucrânia) etc.

Grossman também escreve sobre o antissemitismo soviético e as repressões de Stálin e sobre como amigos e vizinhos se afastavam quando um membro da família de alguém era preso.

“Vida e Destino” era uma obra muito crítica ao regime stalinista. Assim, o manuscrito do romance foi apreendido pela KGB, mas, felizmente, cópias já tinham sido enviadas para o Ocidente e o livro foi publicado inicialmente no estrangeiro.

BÔNUS: 3 grandes livros contemporâneos russos

Os escritores modernos são tão loquazes como seus antecessores:

1. “A casa onde...”, de Mariam Petrosian

Ainda sem tradução para o português, esta obra (em russo, “Dom, v kotorom...”) já se encontra disponível em diversas línguas, como espanhol (“La casa de los otros”), italiano (“La casa del tempo sospeso”), francês (“La Maison dans laquelle”), inglês (“The grey house”) etc. Por isso, é possível lê-la em versão digital ou impressa se você dominar outros idiomas.

Na trama, acontecimentos místicos começam a se passar em um internato para crianças com deficiência – praticamente uma visão soviética de “Harry Potter”!

2. “O mosteiro”, de Zakhár Prilépin

Este enorme romance relata a vida de um homem comum no gulag Solovki. Interessante para comparar com Soljenítsin. Intitulada em russo “Obitel”, a obra ainda não foi vertida ao português, mas como a anterior, já está disponível em outras línguas: italiano (“Il monastero”), francês (L'Archipel des Solovki) etc.

3. “A Escada de Jacó”, de Ludmila Ulítskaia

Uma mulher encontra o diário de seu avô e parece que suas vidas estão conectadas de uma maneira extraordinária. Uma bela saga familiar, cheia de amor e psicologia. Como as anteriores, esta obra também não está disponível em português, mas você pode aceitar o desafio de lê-la em inglês (“Jacob's Ladder”), francês (“L'échelle de Jacob”), italiano (“Il sogno di Jakov”) ou, por que não, em russo (“Lestnitsa Iakova”)!

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