Futuro presente

Pintura “Humanos na lua”, do cosmonauta e artista Aleksêi Leônov./

Pintura “Humanos na lua”, do cosmonauta e artista Aleksêi Leônov./

Pável Balabanov/RIA Novosti
De smart watches a monotrilhos, o que soviéticos e americanos previram em seus filmes de ficção científica

Com o cinema pipocando mundo afora a partir da década de 1920, não eram, porém, os filmes de ficção que faziam sucesso nos primeiros anos da União Soviética. O principal mote naquele tempo era a revolução mundial e o plano quinquenal de desenvolvimento industrial – além, claro, da Segunda Guerra Mundial.

Foi apenas no final da década de 1950, quando se iniciou a corrida espacial entre a União Soviética e os EUA, que os diretores e produtores de cinema começaram a pensar em levar o assunto às telonas.

Já nos anos 1980, obras de ficção científica de escritores como Aleksandr Beliáev, os irmãos Strugátski e Kir Bulitchóv foram adaptadas para o cinema. Hoje, esses filmes são vistos repetidamente por crianças e adultos.

O Russia Beyond compilou uma lista dos filmes que permearam o imaginário popular então:

A Lua

O povo soviético sonhava com uma viagem espacial muito antes disso se tornar realidade. Um dos primeiros filmes no país a tratar do assunto foi “Kosmitcheski reis” (em tradução livre, “Viagem cósmica”), de 1935, que previa um voo à Lua no verão de 1946.

O voo seria organizado pelo Instituto de Comunicação Interplanetária Tsiolkovski (o cientista era um dos consultores do filme). Os membros da primeira expedição à Lua pousariam no lado escuro do satélite natural, onde o terreno era rochoso.

“Viagem cósmica” (1935) retratava uma primeira viagem à Lua que seria realizada em 1946.

No filme, os protagonistas ficavam sem oxigênio, mas encontravam os restos congelados da atmosfera lunar, com o qual resolviam o problema. Um gato preto, passageiro de um voo experimental anterior, retornava então com eles para casa.

Em 1950, o norte-americano “Destino à Lua” foi o primeiro filme de ficção científica em cores a sair no país. O clímax ocorre quando a tripulação percebe que o foguete é pesado demais para decolar e tenta retornar.

O norte-americano “Destino à Lua” (1950)/ Foto: Screenshot

Já o também norte-americano “Os primeiros homens na Lua” (1964) retratava o conflito entre humanos e alienígenas que habitavam o satélite, os Selenitas.

Apenas cinco anos depois, os norte-americanos aterrissavam na Lua, e nos três anos que se seguiram, 12 astronautas do país seguiram seus passos.

A última missão à Lua ocorreu em dezembro de 1972, e nunca se encontrou nenhum ser vivo por lá.

Exploração espacial

A corrida espacial entre a URSS e os EUA foi o principal assunto dos filmes de ficção científica dos anos 1960. Os roteiros constantemente se repetiam. Além disso, em 1962, a URSS produziu “Planeta bur” (em tradução livre, “O planeta das tormentas”), sobre uma expediução conjunta do país com os EUA a Vênus.  

A tripulação é forçada a pousar neste planeta, cheio de criaturas parecidas com dinossauros. A produção não fez muito sucesso na União Soviética, apesar de 28 outros países comprarem os direitos de distribuição.

Em 1965, os EUA fizeram um remake do título, “O planeta pré-histórico”.

O soviético “Planeta blur” (1962) não fez sucesso em casa, apesar de ter os direitos de exibição vendidos a 28 outros países e ganhar um remake norte-americano em 1965.

Os produtores também mandaram seus espectadores a Marte, Urânio e outras galáxias não exploradas. N o filme soviético “Tumannost Andromedi” (em tradução livre, “Nebulosa de Andrômeda”), de 1967, tratava de um futuro distante em que uma nave espacial ficava presa em um campo gravitacional estelar.

A nave espacial tinha detalhes interessantes, como uma piscina com trampolim.

No soviético “Tumannost Andromedi”, nave espacial tinha detalhes interessantes, como piscina com trampolim.

Em “Solaris” (1972), de Andrêi Tarkóvski, baseado na obra do polonês Stanislav Lem, o futuro é apresentado em uma visão horripilante.

A ação ocorre em uma estação espacial quase deserta que está estudando o planeta Solaris e seu oceano, capaz de materializar as lembranças mais terríveis do homem, e os participantes da expedição perdem suas memórias. Em 2002, Steven Soderbergh filmou sua versão da história, revisitando a obra de Tarkóvski.  

Habilidades fora do comum

No século 23, segundo imaginaram os produtores de “Tcherez terni k zviozdam” (em tradução livre, “Um caminho de espinhos até as estrelas”), de 1980, as pessoas não ficarão impressionadas com clones. Elas poderão ainda ler pensamentos e mover objetos a distância, segundo imaginou Kir Bulitchov em seu roteiro.

Nia, uma menina encontrada em encontrada em uma nave espacial quebrada, pode ler pensamentos e mover-se pelo espaço sem oxigênio. Ela não se lembra quem é e de onde veio, mas só de que tem a missão de salvar o planeta Dess.

No soviético ““Tcherez terni k zviozdam” (1980), Nia tem a missão de salvar o planeta Dess, segundo roteiro de Kir Bulitchóv.

Já em “Gostia iz budushego” (em tradução livre, “Hóspede do futuro”,1985), a protagonista é uma adolescente chamada Alissa Selezniova, de 2084. Ela lê os pensamentos das pessoas com a ajuda de um equipamento especial, um mielofone, que piratas espaciais tentam roubar dela.

Em 1992, uma série de TV australiana rodou uma história muito parecida em “The Girl from Tomorrow”.

Robôs-androides

No filme de aventura infantil de duas partes “Moskvá-Kassiopeia” (em tradução livre “Moscou: Cassiopeia”, 1974), cosmonautas adolescentes se veem em um planeta habitado por robôs com inteligência artificial.

Os robôs percebem que as emoções humanas evitam a evolução da civilização e com a ajuda de procedimentos especiais tiram as emoções de todas as pessoas.

Como resultado, as pessoas param de se reproduzir e a humanidade quase é extinta. Algum sobrevivente manda sinais à Terra, e esses são captados por alunos de uma escola soviética.  

“Moskvá-Kassiopeia” (1974).

No filme soviético “Gostia iz budushego” (em tradução livre, “Visitante do futuro”, 1985), o aluno soviético Kólia Guerassímov viaja no tempo até o ano de 2084 e conhece o robô Werther, que é um administrador no Instituto do Tempo. Werther ajuda Kília a ver o futuro, visitar um cosmódromo e retornar ao seu tempo atual.

Em “Gostia iz budushego” (1985), garoto viaja até o ano de 2084 e conhece robô.

No mesmo período, os EUA lançavam seu “O exterminador do futuro” (1984), sobre um cyborg que viajava ao passado, saindo do ano de 2029 ao de 1984.

Sua missão é matar Sara Connor, cujo filho, ainda não nascido, iria ganhar a guerra entre homens e máquinas. Na sequência de 1991, o robô muda e vai para o lado do bem. Ele aprende até mesmo a sorrir.

Gadgets

O uso extensivo da comunicação por vídeo é previsto em praticamente todos os filmes de ficção científica soviética e norte-americana. Análogos do Skype e do Facetime são mostrados em “Tumannost Andromedi” (1967), “Iá bil spútnikom solntsa” (em tradução livre, “Eu era um satélite do sol”, 1959), do norte-americano “2001: Uma  Odisseia no Espaço” (1968), entre outros.

"2001: Uma odisseia no espaço", videotexto.

PCs antes dos PCs

Em meados do século 20, os computadores eram equipamentos desajeitados usados apenas no trabalho. Mesmo assim, alguns filmes de ficção científica mostram computadores pessoais, algo que não se podia conceber naquele tempo.

Na mesa do protagonista de “Tumannost Andromedi” (1967), vemos dois equipamentos sem fio e algo que se parece muito com um notebook moderno.

O visionário “Tumannost Andromedi” (1967) traz equipamentos sem fio e algo que se parece com um notebook.

O filme também tem um equipamento que é um diário de voo em áudio que aparece como um microfone rotatório em forma de anel.

O diário de voo em áudio em forma de anel em “Tumannost Andromedi” (1967).

Em “Tcherez terni k zviozdam” (1980), pode-se ver ainda outro gadget fascinante à época: um smart watch para comunicações.

  “Tcherez terni k zviozdam” mostrava, em 1980, um smart watch para comunicações.

Diretores e roteiristas também pensavam com cuidado no ambiente que cercava seus protagonistas, e o futuro por eles previsto teria uma porção de arranha-céus, junções complexas de vias e automóveis voadores.

“Solaris”, de Tarkóvski.

Já em 1935, os soviéticos puderam ver monotrilhos em um filme.

O monotrilho de “Kosmítcheski reis” (1935).

Já o título soviético “Planeta bur” (1962) mostra como um carro com um motor antigravitacional, algo parecido com o que é mostrado em “Star Wars” e em “De volta ao futuro 2” (1989).

Roteiristas norte-americanos acreditavam que os protagonistas deveriam ter veículos autônomos. Você se lembra de “O vingador do futuro” (1990), em que Schwarzenegger tenta explicar ao motorista de táxi robô aonde ir?

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.