‘Viagra feminino’ vence competição de startups em Skôlkovo

Droga proposta influencia cérebro e comportamento sexual em geral

Droga proposta influencia cérebro e comportamento sexual em geral

Getty Images
Fundação Skôlkovo, o maior tecnoparque russo, selecionou as melhores incubadoras do país. A novidade é que a maioria delas é especializada em medicina e indústria.

A empresa russa Ivix ganhou o prêmio na 6ª edição da StartUp Village Conference, realizada em Skôlkovo, ao propor um ‘Viagra feminino’. A empresa levou quase US$ 90 mil pelo projeto inovador.

 “O ‘Viagra feminino’ é apenas um apelido para o nosso medicamento, porque o Viagra trata a disfunção erétil, o que não existe nas mulheres”, explica Dmítri Golikov, presidente da Ivix.

Segundo ele, o sucesso da droga se deve à descoberta de uma nova molécula e sua influência, anteriormente desconhecida, no cérebro.

 “Nossa droga influencia o cérebro e o comportamento sexual em geral, que é dividido em duas funções: penetração e reprodução. É por isso que também seremos capazes de curar a infertilidade”, explica Golikov.

Empresa russa Ivix venceu o prêmio na 6ª StartUp Village Conference (Foto: sk.ru)Empresa russa Ivix venceu o prêmio na 6ª StartUp Village Conference (Foto: sk.ru)

O medicamento é administrado sob a forma de spray nasal e não tem influência sobre os hormônios. A fórmula foi resultado de quatro anos e meio de trabalho.

Em geral, as inovações farmacêuticas provêm do campo acadêmico. “A ideia e a base científica do projeto Ivix pertencem ao acadêmico do RAS, Nikolai Miasoedov, que agora é mentor do projeto, e a nova molécula que a Ivix criou foi uma das 100 melhores invenções russas de 2014”, observa Camilla Zarubina, gerente de projeto científico no complexo de Tecnologia Biológica e Médica da Fundação Skôlkovo.

A Startup Village, realizada em Skôlkovo desde 2012, é a maior conferência de startups da Rússia e dos países da CEI para empreendedores no setor de tecnologia. Na presente edição reuniu 20 mil participantes de mais de 80 países.

Startups médicas são tendência

Entre os vencedores da competição, havia outra startup médica: a OnkoTartis, que, graças a seu medicamento inovador OT-82, para curar leucemia aguda, recebeu um prêmio de quase US$ 35 mil.

“Desenvolver esses projetos médicos é difícil e caro, não só na Rússia, mas em todo o mundo”, diz Zarubina. “Pode demorar entre 10 a 12 anos para introduzir uma droga no mercado, e a pesquisa pode custar milhões de dólares”.

Evento reuniu 20 mil participantes de mais de 80 países (Foto: Divulgação)Evento reuniu 20 mil participantes de mais de 80 países (Foto: Divulgação)

“Antes, os institutos de desenvolvimento na Rússia investiam pesado no setor de tecnologia de informação, porque era mais fácil de gerar lucro. Mas ninguém queria investir em biomedicina, porque é um processo caro e demorado”, afirma Dmítri Golikov. “Mas agora esse setor está mudando”, continua.

Segundo Zarubina, esses tipos de projetos têm recebido apoio não só da Fundação Skôlkovo, mas também de fundos especializados, institutos de desenvolvimento e programas ministeriais voltados à biomedicina.

Tecnologia da saúde à indústria

Apesar do nome médico da empresa, BioMicroGeli, seus desenvolvimentos estão relacionados a tecnologias industriais. Na competição Startup Village, a companhia ganhou o segundo lugar e um prêmio de mais de US$ 50mil.

“Inicialmente, o microgel era usado ​​em medicina na transferência de recursos médicos para organismos, mas nossa equipe conseguiu empregá-los em um contexto industrial”, explica Andrêi Ielaguin, diretor da BioMicroGeli.

EcoSap é um dos produtos da BioMicroGeli, de Iekaterinburgo (Foto: Divulgação)EcoSap é um dos produtos da BioMicroGeli, de Iekaterinburgo (Foto: Divulgação)

Os biomicrogéis são reagentes seguros capazes de criar filmes elásticos entre óleo e água, ou água e qualquer partícula dura. É por isso que os novos desenvolvimentos da BioMicroGeli ajudam a purificar a água de íons metálicos e produtos petrolíferos, bem como limpar os derramamentos de óleo na superfície da água.

“O objetivo da nossa participação no StartUp Village foi atrair investimentos para empresa. Tivemos cerca de duas dúzias de encontros com potenciais investidores. Por enquanto, está tudo bem, mas levará meses até que façamos um acordo”, diz Ielaguin.

A equipe da BioMicroGeli também já levou sua tecnologia para conferências na Alemanha, Finlândia e Reino Unido. Em 2016, o projeto também participou do Horizonte 2020, o maior programa da Comissão Europeia para a introdução de novas tecnologias no bloco europeu.

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