Kremlin ameaça restringir acesso a Facebook e Google

Para conselheiro presidencial, russos driblarão técnica com proxies CGI e servidores VPN

Para conselheiro presidencial, russos driblarão técnica com proxies CGI e servidores VPN

Reuters
Parlamento poderá aprovar emendas para tornar mais lento acesso a determinados sites.

O governo russo quer aplicar uma nova punição a sites que violem a legislação russa, diminuindo a velocidade de acesso a esses, de acordo com o jornal russo “Vêdomosti”.

Segundo fonte do jornal russo, as alterações serão introduzidas nessa no segundo trimestre de 2017 pelo Serviço Federal Antimonopólio e pelo Roskomnadzor, órgão regulador da internet no país.

O Ministério das Telecomunicações se recusou a confirmar a informação. "É um absurdo, embora tecnicamente possível”, disse o vice-ministro Aleksêi Vôlin.

Desaceleração cara

Especialistas em TI explicam que a desaceleração dos sites é um processo tecnicamente complexo, mas realizável. Segundo o diário “Republic”, os provedores podem bloquear algumas das solicitações dos usuários e desacelerar o servidor usando equipamento DPI (Deep Packet Inspection). Como resultado, determinada página poderá levar vários minutos para carregar, em vez de alguns segundos.

O preço desse equipamento é alto, dizem os especialistas. De acordo com o analista-chefe da Associação Russa de Comunicações Electrônicas, Karen Kazarian, para implementar o projeto “é preciso instalar um equipamento especial que custa bilhões de dólares".

Contra sites indesejados

Os especialistas acreditam que a nova regulamentação afetará, em primeiro lugar, Google, Facebook e Twitter. Esses recursos estão disponíveis na Rússia, mas não obedecem a decisões dos tribunais locais, já que funcionam seguindo as leis dos países onde estão registrados.

"É perigoso bloquear esse sites porque isso poderia causar uma enorme onda de descontentamento. Mas restringir o acesso sem bloqueio oficial seria um bom instrumento de pressão", diz Maksim Korniev, professor de Rádio e TV na Universidade Estatatal das Ciências Humanas da Rússia.

"Na prática, essa desaceleração é praticamente um bloqueio. Com isso, os altos funcionários querem mostrar que tudo está sob controle, inclusive sites estrangeiros", diz Korniev.

“Nessas condições, o usuário vai preferir usar sites russos. A iniciativa das autoridades pode se tornar uma tentativa de apoiar os produtos nacionais”, diz o desenvolvedor Serguêi Ríjikov.

"É possível criar um ambiente desconfortável para o usuário e, assim, alterar e controlar os seus hábitos", disse Ríjikov à rádio russa “Business FM”.

Segundo o conselheiro do presidente russo, Guêrman Klimênko, os usuários aprenderão a evitar esse sistema de desaceleração com ajuda de proxies CGI e servidores VPN.

"Se ainda há pessoas que não aprenderam a usar isso, eles vão aprender depois da introdução dessa nova medida”, disse Klimênko.

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