Novas descobertas aumentam chances de cura do câncer

Mesmo com financiamento escasso, descobertas evoluem graças ao entusiasmo de cientistas

Mesmo com financiamento escasso, descobertas evoluem graças ao entusiasmo de cientistas

Mikhail Kireev/RIA Nôvosti
Experimentos em Moscou demostraram boa resposta para alguns de tipos de difícil tratamento, como o câncer de ovário. Verbas escassas, porém, são um dos maiores obstáculos para que pesquisas na área continuem avançando.

Cientistas russos identificaram compostos capazes de combater tipos de câncer que demonstram maior resistência à quimioterapia, como o de ovário. Em novembro passado, os pesquisadores isolaram 12 compostos que, segundo experimentos preliminares, podem retardar e cessar por completo o crescimento de células cancerígenas.

Recursos insuficientes

Os cientistas realizaram experimentos em embriões de ouriço-do-mar e, em seguida, em células cancerígenas humanas. Durante os ensaios, verificou-se que as células morreram devido à destruição de estruturas especiais – microtúbulos ocos formados pela proteína tubulina.

A descoberta, entretanto, terá seu desenvolvimento postergado porque os cientistas estão em busca de um laboratório interessado na pesquisa. Também necessitam de verba extra para testar os compostos em células cancerígenas transplantadas em animais.

“O processo de desenvolvimento biomédico funciona bem na Europa e nos EUA, mas aqui na Rússia há problemas de financiamento, especialmente quando os experimentos são realizados em animais e durante a pesquisa clínica”, diz Aleksandr Kiselev, diretor de pesquisa e professor do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou (MIPT).

Apesar das dificuldades, a expectativa é realizar testes em parceria com a Universidade Estatal de Moscou (MGU) e o Instituto de Física de Engenharia da capital.

“Já sintetizamos novas moléculas contendo selênio com alta atividade antitumoral”, afirma Ian Ivanenkov, diretor do laboratório de bioinformática da incubadora do MIPT. “Estamos agora conduzindo testes nas células, mas, mais para o final de 2017, planejamos fazer experimentos com animais”, completa.

Estudos paralelos na Sibéria

Pesquisadores de diversos institutos em Krasnoiarsk, na Sibéria, estão desenvolvendo métodos que fazem uso de nano e micropartículas magnéticas para destruir células cancerosas. A terapia magnética, que funciona por meio da destruição seletiva e mecânica de células, demonstrou eficácia em testes com camundongos.

Nanoestruturas foram injetadas em animais com tumores, que, na sequência, foram submetidos a um campo magnético por 10 minutos. Segundo os cientistas, devido à frequência usada, de 100Hz, o campo não danifica células saudáveis, mas ativa as nanoestruturas e microdiscos na superfície do tumor.

Espera-se que os microdiscos sejam futuramente usados ​​para microcirurgia de tumores, embora ainda sejam muito grandes e, por isso, danifiquem o tecido circundante. Com a ajuda de uma parceria local, os cientistas planejam produzir grandes volumes de nanodiscos com tamanhos entre 20 e 50 nanômetros e diferentes formatos.

A finalização dos trabalhos tem, porém, esbarrado na falta de financiamento. Segundo Anna Zamai, diretora do projeto no Centro Científico SORAN de Krasnoiarsk, as verbas se esgotaram, e o projeto continua apenas graças à iniciativa e ao entusiasmo dos cientistas.

“A eficácia comprovada pelos cientistas nem sempre leva à certificação comercial e ao sucesso”, diz Zamai. “Qualquer descoberta requer um parceiro comercial e um investidor dispostos a desenvolver uma droga completamente nova, a certificá-la e a injetar capital em ensaios pré-clínicos e clínicos”, conclui.

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