Cientistas desenvolvem tecnologia que tira “radiografia” do solo

Tecnologia favorece busca e avaliação de jazidas

Tecnologia favorece busca e avaliação de jazidas

Shutterstock/Legion Media
Imagens subterrâneas otimizam custo e extração de petroleiras e mineradoras. Preço, agilidade e alcance são diferenciais em relação a atuais concorrentes.

Cientistas russos desenvolveram uma tecnologia que permite obter imagens enormes do subsolo terrestre. Graças ao método, é possível estudar a área sob edifícios, pontes e túneis, e até mesmo tirar “raios X” das camadas de gelo em áreas de permafrost.

“Me propus a desenvolver uma tecnologia universal que possibilite obter imagens de substrato geológico não homogêneo”, explica o pesquisador Viatcheslav Istratov, que fundou a empresa Radionda.

A tecnologia já vem sendo utilizada com sucesso em diferentes países para investigar depósitos de urânio, diamantes, ouro e outros metais.

O estudo do terreno entre os poços é realizado por meio da instalação de um transmissor em um poço e um receptor de ondas de rádio no outro.

Entre os recordes registrados pela Radionda estão uma radiografia dos 1.560 metros de profundidade em uma reserva de cobre e níquel em Norilsk e outra imagem feita com 1.640 metros de profundidade em um campo de petróleo nos Urais.

No setor de petróleo, o maior concorrente direto é, segundo Istratov, a empresa de serviços para indústria petrolífera Schlumberger. “Mas temos vantagem nas rochas de alta resistência, e nosso método é mais barato e mais rápido”, diz o cientista.

Primórdios na URSS

Durante a época da União Soviética, Istratov trabalhava no Instituto Central de Pesquisa Geológica de metais ferrosos e nobres.

Os geofísicos de então se dedicavam ao desenvolvimento de um método de obtenção de imagens por radiação com base na teoria de que as rochas absorvem as ondas de rádio de formas distintas.

O método provou ser útil na busca de ouro e metais ferrosos quando os minerais de maior tamanho se encontravam em rochas de estrutura homogênea.

Atualmente muitos sítios arqueológicos e jazidas se encontram a mais de 500 metros de profundidade e contêm pequenas quantidades de minerais preciosos. Para buscar minerais sob tais condições, a perfuração do solo acarreta muitos riscos econômicos.

De imagens em grande escala a mapas 4D

Ao longo dos 15 anos de operação da Radionda, a empresa já executou mais de 100 contratos com grandes companhias de petróleo e de mineração, entre elas a Alrosa.

A empresa também manteve parcerias com as espanholas Río Tinto Minera e Promotora de Minas de Carbón e participou de explorações conjuntas com a sul-africana Anglo American Corporation.

Hoje em dia, as tecnologias utilizadas pela empresa permitem o registro de alterações no substrato da Terra com a produção de mapas 3D e 4D, que permitem obter dados sobre a estrutura e as propriedades das rochas, e avaliar a eficácia dos depósitos.

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