Homem com primeiro exoesqueleto russo se casa em Arkhanguelsk

Exoesqueleto permitiu que Rubinchtein caminhasse com esposa ao altar

Exoesqueleto permitiu que Rubinchtein caminhasse com esposa ao altar

Assessoria de imprensa
Em fase final de teste, tecnologia de locomoção mira mercados estrangeiros. Demanda maior promete derrubar preço e aumentar acesso ao equipamento.

Há poucos dias, o russo Serguêi Rubinchtein, 42, levou ao altar sua parceira de quase dez anos. A demora, porém, não foi uma questão de escolha ou falta de vontade: uma lesão nas costas em 2007 o deixou confinado a uma cadeira de rodas, e o casamento só foi possível graças a um novo exoesqueleto, o primeiro fabricado na Rússia.

Rubinchtein, de Arkhanguelsk, no norte da Rússia, é uma das 20 pessoas envolvidas no ensaio do dispositivo que ajuda pessoas com dificuldades em funções motoras dos membros inferiores a se locomoverem.

“Minha família sempre me ajudou, juntos superamos todas as dificuldades. Espero que, com a ajuda das novas tecnologias de reabilitação na posição vertical, eu consiga sair com minha mulher e filha a um restaurante ou caminhada”, diz o russo.

Hoje existem duas versões do dispositivo, com diferentes preços e componentes de software. A primeira, projetada para uso individual, será vendida por US$ 23 mil, enquanto a outra, destinada a clínicas, custará US$ 55 mil, porém, será universal (totalmente regulável, inclusive em relação à velocidade e ao comprimento do passo).

 
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O equipamento permite ao paciente caminhar, subir escadas, sentar e levantar-se sem a ajuda de outras pessoas, e pode ser usado a partir de seis meses após a lesão. Além disso, com autonomia de quatro horas, pode ser controlado por um programa ou por uma muleta “inteligente”.

“Ele pesa 20 quilos, mas para mim não pesa nada”, comenta Serguêi Chmakov, outro paciente envolvido no ensaio da tecnologia. “O progresso é evidente. Antes eu não conseguia usar muletas, mas, agora, em duas semanas, eu já me levanto com elas graças à ajuda de ExoAtlet.”

Demanda vs preço

Os ensaios clínicos estão sendo realizados em Moscou, Iekaterinburgo, Arkhanguelsk e Novosibirsk. Dez centros de competência, onde as pessoas aprenderão a usar o ExoAtlet antes de comprá-lo, também estão previstos.

“O aumento da demanda e a expansão da produção ajudarão a derrubar o custo e, assim, o acesso de pacientes particulares ao dispositivo será maior”, diz Svetlana Tchupcheva, diretora de projetos sociais da Agência de Iniciativas Estratégicas.

Segundo a agência de análise ABI Research, o volume do mercado global de exoesqueletos em 2014 ascendeu a 68 milhões, e chegará a 1,8 bilhão. Além da ExoAtlet, as quatro principais empresas neste mercado são a norte-americana Indego, a israelense ReWalk, e as japonesas Hybrid Assistive Limb e Ekso Bionics.

Exoesqueleto para exportação

Trinta e oito centros médicos e mais de 20 pacientes particulares já apresentaram pedidos para compra do exoesqueleto, que já existe há mais de dois anos.

O projeto foi inicialmente concebido para atender às necessidades do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, ajudando as equipes de resgate a remover os obstáculos e extinguir incêndios. Mais tarde, porém, os desenvolvedores perceberam que se adequaria a pessoas com mobilidade reduzida.

Na segunda metade de 2016, a empresa começara a desenvolver exoesqueletos especiais para crianças com paralisia cerebral e pessoas que tenham sofrido um acidente vascular cerebral. A ideia da ExoAtlet é também entrar nos mercados dos EUA, da Europa e da Coreia do Sul.

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