Tempestades magnéticas afetam velocidade de reação humana, dizem cientistas

Laços magnéticos no Sol capturados por observatório da Nasa

Laços magnéticos no Sol capturados por observatório da Nasa

Photoshot/Vostock-Photo
Alterações do campo magnético da Terra influenciariam estado físico e psicológico.

Cientistas da Universidade Estatal de Tomsk (TGU, na sigla em russo) decidiram investigar como as tempestades magnéticas afetam a saúde humana, o funcionamento de diversos dispositivos e a ecologia da Terra.

Essas tempestades, cuja duração pode variar de algumas horas a vários dias, são uma reação do campo geomagnético da Terra à chegada de nuvens de plasma provenientes do espaço e que foram ejetadas pelo Sol. Durante um ano, cientistas estudaram a atividade geomagnética e seu impacto sobre as pessoas, acompanhando 60 voluntários de diferentes idades em uma série de experimentos. Como resultado, os estudiosos confirmaram que as tempestades magnéticas afetam a audição e a visão, retardando a velocidade de reação a estímulos.

Idosos mais suscetíveis

"Realizamos mais de 350 acompanhamentos ao longo do ano. Uma condição geomagnética sem perturbações foi escolhida como pano de fundo e, para efeito de comparação, os trabalhos experimentais foram realizados em dias com perturbações. No fim, descobriu-se que o tempo que a pessoa leva para reagir aos estímulos aumenta em uma situação na qual o fundo geomagnético é mais intenso”, disse à Gazeta Russa Júlia Afanássieva, especialista da TGU no campo da física e ecologia espacial.

Segundo ela, os dados diferiam dependendo da idade da pessoa submetida aos testes: nos voluntários com idade superior a 50 anos a reação sofria, em média, um retardamento maior do que o observado nas pessoas mais jovens. Nessas últimas, as alterações do eletroencefalograma (EEG) se manifestavam após quatro ou cinco minutos, enquanto nas pessoas mais velhas esse intervalo de tempo era de apenas um minuto.

Para determinar a intensidade da tempestade, os cientistas utilizaram uma escala de potência que variava de 0 a 8, onde 0 representa uma condição sem perturbações e 8 uma tempestade geomagnética extrema.

Quando a perturbação do campo magnético ultrapassava quatro pontos, registrava-se uma alteração significativa na velocidade das reações. Essas mudanças bruscas na condição geomagnética que ocorrem em consequência da atividade solar são chamadas pelos especialistas de “pequenas tempestades”.

Reações mais lentas podem explicar, em parte, as estatísticas do Ministério de Situações de Emergência da Rússia, que apontam que durante os períodos de perturbação geomagnética aumenta o número de acidentes de trânsito, acidentes de trabalho e desastres industriais.

Outro projeto desenvolvido pela TGU mostra como a atividade elétrica do cérebro é alterada na presença de anomalias magnéticas locais naturais.

Sistema nervoso sob pressão

Maksim Sokolov, estudante de pós-graduação da TGU que acompanhou o estudo, contou à Gazeta Russa que os cientistas de Tomsk conduziram uma série de experimentos em uma área com um campo magnético heterogêneo, situada na cordilheira de Altai. Nesse lugar, perto do centro do distrito de Koch-Agatch, está localizado o epicentro de um terremoto muito forte que ocorreu em 2003 (8,5 graus na escala Richter).

"Os voluntários foram mantidos no acampamento base, em condições naturais, e depois levados para a zona anômala. Durante seus deslocamentos, monitoramos a atividade elétrica cerebral com a ajuda de sensores móveis", explicou Sokolov.

Os resultados dos experimentos de Altai demonstraram que, ao entrar em uma zona com um campo magnético modificado, os indicadores da atividade bioelétrica do cérebro humano alteram-se consideravelmente.

Os impulsos elétricos são utilizados para transmissão de sinais entre os neurônios, e a alteração desse processo se reflete no estado geral do organismo.  Entretanto, as pessoas não experimentam sensações incomuns quando o processo é modificado e geralmente não percebem essas alterações.

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