Pela segunda vez, cientistas detectam ondas gravitacionais

Maior sensibilidade dos detectores permitirá aumentar o volume do Universo sondado

Maior sensibilidade dos detectores permitirá aumentar o volume do Universo sondado

Panthermedia/Vostock-photo
Sinal foi produzido pela colisão de dois buracos negros a 1,4 bilhões de anos-luz de distância. Pesquisa confirma teoria de Einstein ao propor nova compreensão de gravidade.

Cientistas de 15 países anunciaram na quarta-feira (15) uma nova detecção de ondas gravitacionais a partir da colisão de buracos negros – ondulações no tecido de espaço-tempo. O anúncio foi feito durante uma apresentação simultânea na Universidade Estatal de Moscou (MGU) e na Associação de Astronomia de San Diego, nos EUA.

As ondas foram detectadas pelo grupo conjunto de cientistas internacionais pela segunda vez na história, após um primeiro evento relatado em 11 de fevereiro de 2016. Desta vez, o sinal foi produzido pela colisão de dois buracos negros a 1,4 bilhões de anos-luz de distância da Terra.

“A base para a criação de astronomia de ondas gravitacionais está ficando cada vez mais forte e confiável”, declarou o professor do departamento de física da Estatal de Moscou, Valéri Mitrofanov, que lidera o grupo na Rússia.

O conceito de ondas gravitacionais é parte essencial dos preceitos da Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein, publicada em 1915, e envolve uma nova compreensão da gravidade, onde o papel principal é desempenhado pelo espaço-tempo.

Segundo a teoria, o tecido de espaço-tempo é distorcido pela presença de grandes quantidades de massa ou energia, isto é, o efeito da gravidade é causado pela curvatura do espaço-tempo.

“Antes vistas como exóticas, as ondas gravitacionais – essas linhas voadoras de curvatura do espaço-tempo – se tornaram uma fonte de novas informações sobre o universo e inauguraram a era da astronomia gravitacional”, diz Serguêi Viatchanin, também professor do departamento de física da MGU.

A atual pesquisa é conduzida por uma equipe de mais de mil cientistas de 15 países, incluindo a Rússia, no âmbito do LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory, ou observatório de Interferometria de Ondas Gravitacionais). As ondas foram registradas por detectores gêmeos do LIGO, localizados em Louisiana e Washington, nos Estados Unidos.

Tecnologia russa

O próximo ciclo de observações é previsto para o segundo semestre de 2016. Até lá, espera-se aperfeiçoar a sensibilidade dos detectores para que o LIGO possa aumentar o volume do Universo sondado em 1,5 a 2 vezes.

“A segunda detecção de ondas gravitacionais dá um poderoso impulso para a criação de uma nova geração de detectores de ondas gravitacionais em todo o mundo e, assim, possibilita um estudo mais aprofundado do Universo”, diz o professor associado da Estatal de Moscou, Serguêi Striguin.

O grupo da MGU está envolvido no projeto desde 1992. Os estudos teóricos e experimentais de cientistas russos foram incorporados na criação de detectores, o que permitiu observar as ondas gravitacionais a partir da colisão dos dois buracos negros.

Atualmente, a equipe da universidade está desenvolvendo a próxima geração de detectores de ondas gravitacionais. A meta é que o novo aparato permita a detecção de sinais de onda gravitacional em uma base quase diária.

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