Controle de atividade mental poderia reverter casos de diabetes tipo 2

Trocar de profissão e até de cidade poderiam auxiliar no tratamento

Trocar de profissão e até de cidade poderiam auxiliar no tratamento

Panthermedia / Vostock-photo
Casos estudados em Moscou mostram que atuação da doença varia conforme características genéticas. Objetivo é criar procedimento que avalie a predisposição para várias formas de diabetes.

Cientistas russos acreditam que a diabetes de tipo 2 pode ser revertida por meio do controle tanto da atividade física como mental do paciente, dependendo de sua predisposição genética. Os biólogos chegaram a esta conclusão depois de estudar 103 casos da doença em um laboratório em Moscou.

“Existem genes que fortalecem a atividade mental”, disse o coautor do estudo, Dmítri Davidov, pesquisador-chefe do Instituto de Patologia Geral e Fisiopatologia. “Isso não está necessariamente relacionado ao intelecto, mas, em geral, o cérebro é o principal consumidor de glicose.”

Segundo essa teoria, mesmo que um doente foque em uma atividade física indicada para prevenção e tratamento, isso não irá necessariamente ajudá-lo porque é necessário também ajustar a atividade mental.

Cérebro de glicose

Quando um cérebro geneticamente predisposto a atividades permanece inativo, o consumo de glicose é reduzido. Paralelamente, se as pessoas que estão predispostas a atividade física não fazem esportes, seus músculos não processam a glicose, e isso aumenta o nível de glicose no sangue.

“Mas os músculos podem relaxar, e o cérebro precisa de um nível constante e estável de glicose porque nunca para de trabalhar, mesmo quando estamos dormindo”, explica Davidov.

A ideia do estudo, portanto, é que a diabetes tipo 2 também poderia ser causada pela escolha errada de profissão, ou por uma mudança de cidade, por exemplo. Além disso, as consequências para pacientes geneticamente “astuto” (aqueles que pensam muito)  ou “ativo” (como atletas) serão diferentes.

No caso de insuficiência de atividade mental, a diabetes do tipo 2 pode resultar em esquizofrenia, doença de Alzheimer, ou aterosclerose. Enquanto isso, em pacientes com atividade física insuficiente, a doença pode gerar problemas cardiovasculares, de estômago e pulmonares.

Para prevenir a diabetes, os cientistas sugerem, assim, que também pode ser útil trocar o meio em que se vive ou profissão.

Outra alternativa é usar medicamentos para compensar a falta de qualquer uma das duas atividades. É possível criar artificialmente vínculos moleculares que reduzem a atividade dos genes e reprogramam os processos fisiológicos.

O esperto e o forte

De acordo com os cientistas, os métodos de diagnóstico para os dois grupos de pessoas também são diferentes. No do “astuto”, deve-se medir o nível de hemoglobina glicada nos tecidos; nos “fortes”, mede-se os níveis de sangue com estômago vazio.

A seleção do método geralmente depende do desenvolvimento econômico do país em questão. O primeiro é mais caro, porém considerado superior e usado na maioria das nações desenvolvidas. Já em países africanos que tendem a ser mais pobres geralmente prefere-se diagnosticar pelo segundo.

“A diabetes não pode ser avaliada pela quantidade de glicose no sangue ou tecidos, e é melhor estudar o metabolismo da glicose no corpo inteiro, mas tais análises não existem ainda”, diz Davidov. “Os mesmos processos fisiológicos podem aumentar ou diminuir o nível de glicose no corpo. Por exemplo, em atletas saudáveis, isso pode mudar dependendo do treinamento.”

O estudo russo foi publicado na revista “Endocrine Connections”, da Sociedade Europeia de Endocrinologia. Os cientistas planejam introduzir o procedimento para avaliar a predisposição para várias formas de diabetes na clínica GLMED, em Moscou, que financiou a pesquisa.

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