Brasil e Rússia acertam cooperação para rastrear lixo espacial

Mais de 600 detritos espaciais poderão ser detectados por dia

Mais de 600 detritos espaciais poderão ser detectados por dia

Divulgação
Sistema será instalado no Observatório do Pico dos Dias, em MG. Dados transmitidos a Moscou também ficarão disponíveis para pesquisas de cientistas brasileiros.

Um sistema optoeletrônico russo usado na detecção de lixo espacial será operado no Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis, Minas Gerais, até o final do ano. O acordo foi assinado entre o diretor de pesquisa e produção da Sistemas de Instrumentação de Precisão, Iúri Roi, e o diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) brasileiro, Bruno Castilho.

Segundo os desenvolvedores, ao longo de uma noite de trabalho (o monitoramento do espaço só é possível no escuro), o sistema será capaz de detectar mais de 600 resíduos e detritos espaciais. 

“[Este projeto] é uma contribuição para a garantia da segurança do espaço: dos satélites, da Estação Espacial Internacional e de futuros projetos, não só russos, mas também de especialistas brasileiros”, destaca o diretor do LNA, Bruno Castilho.

Embora o sistema opere em regime automático, especialistas brasileiros darão suporte técnico ao equipamento. A informação recebida através do sistema será enviada para o centro de controle em Moscou, e o acesso aos dados estará disponível também para os cientistas locais.

Segundo Castilho, isso oferecerá novas oportunidades a cientistas brasileiros que trabalham no campo da astronomia. “Os resultados que serão obtidos com a ajuda do equipamento russo poderão ser utilizados, por exemplo, na descoberta de novos asteroides e cometas e no estudo de estrelas variáveis”, acrescenta.

“Não há qualquer dúvida de que a liderança no campo espacial pertence à Rússia, não apenas do ponto de vista histórico, mas também no momento atual. Vale a pena o Brasil aprender (com a Rússia) sobre o desenvolvimento de tecnologias inovadoras, com menor custo e alta confiabilidade”, conclui.

Benefícios mútuos

Cinco dias após a assinatura do contrato, no último dia 7, a Sistemas de Instrumentação de Precisão realizou um pagamento parcial para iniciar os trabalhos de construção da estrutura.

“De acordo com o combinado, a empresa responsável tem um prazo de três meses para isso. Em seguida, enviaremos nossos especialistas, que irão garantir a instalação do equipamento e realizar o treinamento dos brasileiros”, disse Roi à agência Tass. 

As primeiras conversações sobre a construção de um sistema de detecção de detritos espaciais tiveram início na Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Fortaleza, em julho de 2014.

“Estamos tentando construir relações sólidas com a Rússia. Para tanto, é necessário trabalhar em projetos que estejam em sintonia com os nossos princípios básicos: em primeiro lugar, eles devem trazer benefícios mútuos; em segundo, o trabalho deve ser feito em conjunto”, afirma José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira.

Atualmente, o Brasil possui também três estações do sistema russo de navegação global por satélite Glonass, e uma quarta unidade entrará em operação em 20 de abril

“Essas estações, por exemplo, são úteis para nós, pois servem de laboratórios de pesquisa para nossas universidades”, diz Braga Coelho.

Com material da agência Tass

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