Parques científicos: arma secreta ou falsa esperança?

Laboratório da Universidade Estatal Immanuel Kant, em Kaliningrado, já produziu diversos modelos de robô

Laboratório da Universidade Estatal Immanuel Kant, em Kaliningrado, já produziu diversos modelos de robô

Igor Zarembo/RIA Nôvosti
Diante do prejuízo causado por sanções, a Rússia está determinada a desenvolver novas tecnologias para alavancar o crescimento econômico do país. Os parques científicos, cujo número aumentou consideravelmente na última década, são parte crucial da estratégia nacional de inovação. Mas será que esses centros estão mesmo cumprindo seu papel?

Nos últimos dez anos, o número de parques científicos na Rússia cresceu rapidamente e hoje chegam a mais de 300. Os especialistas alegam, contudo, que um grande número deles existe apenas no papel. 

De acordo com a Associação Russa de Conglomerados e Parques Científicos, somente 70 parques são genuinamente científicos, concentrando empresários de tecnologia e todo o apoio necessário para a evolução das pesquisas.

“Um parque científico de verdade consiste em laboratórios e organiza eventos educacionais, bem como fornece suporte para iniciantes que querem alcançar os mercados internacionais”, explicou à Gazeta Russa o diretor-geral do Centro de Inovação Skôlkovo, Renat Batirov.

“No entanto, a maioria dos parques científicos na Rússia se referem a áreas industriais ou apenas edifícios de escritórios”, acrescentou o gestor, antes de citar dois exemplos de sucesso no país: um parque de TI (Tecnologia da Informação) em Kazan, e o Parque Científico de Novosibirsk.

Em tempos de crise econômica e escassez de financiamento, os parques científicos russos só contam, porém, com o apoio do Estado. Enquanto os investidores privados russos se veem obrigados a apertar o orçamento, os investidores estrangeiros estão proibidos de atuar no país devido às sanções.

“Se o governo decidisse investir em parques científicos, seria uma das medidas mais eficazes de combate à crise”, lê-se em um comunicado divulgado pela Associação Russa de Conglomerados e Parques Científicos.

“Isso ajudaria a criar novas empresas de alta tecnologia e novos postos de trabalho. Afinal, os parques científicos criam condições favoráveis ​​para o desenvolvimento de novos negócios”, continua o documento.

Designer: Aliona RépkinaIlustração: Aliona Répkina

Ocidente ou Oriente? 

De acordo com o Ministério das Comunicações da Rússia, a maioria dos parques científicos do país são especializados na área de TI. Outros campos de destaque são medicina, biotecnologia, nanotecnologia e desenvolvimento de novos materiais, além da indústria de petróleo e gás.

A enorme extensão do país tem impacto sobre as especialidades e orientação geográfica dos parques científicos russos. Os centros localizados no Extremo Oriente e na Sibéria são, por exemplo, mantém parcerias com China, Japão e Coreia do Sul.

“Devido à nossa proximidade, podemos servir como uma janela para a Ásia para empresas de tecnologia russas”, diz Anatóli Semenov, diretor do Parque Científico Iakútia, na Sibéria, que possui projetos conjuntos com uma empresa sul-coreana de biotecnologia, na província de Chuncheon.

Já os parques científicos de Moscou, São Petersburgo e Kaliningrado, tendem a estabelecer cooperação com outros centros da Europa.

“Estamos mais orientados para Finlândia, República Tcheca e países mais próximos de São Petersburgo”, diz Aleksandr Koloustov, diretor do parque científico da Universidade Nacional de Pesquisa de Tecnologia da Informação, Mecânica e Ótica de São Petersburgo.

O tipo de negócio também influencia a cooperação com outros países. Por exemplo, as empresas francesas estão interessadas no sul da Rússia por sua proximidade com os mercados do Leste Europeu e seu potencial agroindustrial.

“Com a presença da Renault na nossa cidade, estamos desenvolvendo ativamente tecnologias para automóveis, e muitos cidadãos franceses vivem hoje em Togliatti”, ressalta Aleksêi Kokôtkin, vice-diretor-geral do Parque Científico Jigulevskayia Dolina, que também colabora com a França no setor de tecnologias espaciais.

Futuro brilhante

Segundo Batirov, do Centro Skôlkovo, os parques científicos que operam em edifícios de escritórios devem desaparecer em um futuro próximo, dando maior espaço aos centros com foco em especialização geográfica.

“Considerando as necessidades tecnológicas da Rússia, deve haver um parque científico em todas as cidades com população superior a 500 mil pessoas”, diz.

“É necessário coordenar os melhores parques e criar sistemas de informação que ajudem os residentes a encontrar parceiros de outros centros no país e no exterior.”

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