Nova camada misteriosa é encontrada no manto da Terra

Rios de oxigênio poderiam oxidar materiais circundantes ou subir para camadas superiores

Rios de oxigênio poderiam oxidar materiais circundantes ou subir para camadas superiores

Shutterstock / Legion-Media
Estrutura contém enormes quantidades de oxigênio em estado líquido. Pesquisadores tentam agora desvendar origem e possíveis efeitos de formação.

Um grupo internacional de cientistas descobriu uma camada até então desconhecida no manto terrestre. A estimativa é que a camada recém-descoberta concentre cerca de oito a dez vezes mais oxigênio do que a atmosfera da Terra.

“Essa descoberta surgiu como uma grande surpresa para nós e até agora não sabemos o que está acontecendo com esses ‘rios de oxigênio’ nas profundezas do planeta”, diz Elena Bíkova, que participou do grupo de pesquisa.

Os cientistas acreditam que esse oxigênio poderia reagir com materiais circundantes e oxidá-los, ou subir para as camadas superiores dentro do manto.

A descoberta foi feita enquanto os pesquisadores estudavam as reações de vários tipos de óxido de ferro, um dos principais componentes das rochas profundas.

Teorias

“Como sabemos, o oxigênio livre na atmosfera é produzido pela fotossíntese das plantas”, diz Innokenty Kantor, pesquisador sênior do departamento de física da Universidade Técnica da Dinamarca.

“Antes do rápido desenvolvimento de bactérias fotossintéticas bilhões de anos atrás, as condições na superfície da Terra estavam mudando, e água do oceano estava repleta de compostos de ferro dissolvidos. Assim que oxigênio livre foi liberado na época, este reagiu imediatamente com ferro reduzido, produzindo sedimentos de óxido de ferro sedimentos, ou, em outras palavras, oxidação, no fundo dos oceanos.”

Segundo Kantor, uma enorme quantidade desses depósitos se formaram após o chamado grande evento de oxigenação (GOE), há cerca de 2,4 bilhões de anos, quando o oxigênio apareceu na atmosfera.

Esses depósitos, que tinham centenas de metros de espessura e quilômetros de comprimento, foram lentamente afundando para o manto. No entanto, milhões de anos mais tarde, algumas partes foram empurradas para a superfície, como é o caso da Anomalia Magnética de Kursk, a bacia do maior minério de ferro no mundo.

Efeitos

Atualmente, os cientistas são capazes de reproduzir em laboratório condições de extrema pressão e alta temperatura usando pequenas prensas com bigornas em miniatura feitas de diamantes e lasers de grande potência.

“O óxido de ferro, Fe2O3, se decompõe parcialmente sob as condições do manto inferior e libera uma enorme quantidade de oxigênio [várias vezes maior que na atmosfera], que deve ser líquido nas condições a que corresponde”, explica Kantor.

Esses fluidos altamente oxidantes que se infiltram no manto poderiam afetar muitos processos geoquímicos, embora o seu papel ainda esteja sendo investigado.

“Algumas das pequenas anomalias da propagação de ondas sísmicas a 1.500-2.000 km de profundidade também poderiam estar relacionadas com a formação de lagos de oxigênio líquido no manto profundo”, conclui o cientista.

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