Laboratórios estrangeiros abrem vantagem

Substituição de importações prevista só afetará quem não tem planta no país

Substituição de importações prevista só afetará quem não tem planta no país

Ramil Sitdikov / RIA Nôvosti
Empresas que têm fábricas na Rússia poderão expandir negócios, enquanto as que não têm já estabelecem parcerias com locais.

Quando o premiê russo Dmítri Medvedev encarregou o governo de substituir importações no setor farmacêutico, em maio de 2015, as empresas estrangeiras entraram em pânico.

O mercado farmacêutico russo para essas é avaliado em US$ 19 bilhões ao ano - pouco, perto dos US$ 157 bilhões das cinco maiores economias europeias e dos US$ 377 bilhões do mercado americano, de acordo com a revista Pharmaceutical Commerce.

Mesmo assim, a perda da fatia russa seria um golpe duro para os fabricantes ocidentais de medicamentos, justamente em um momento em que a crise econômica global está contraindo os lucros.

19 bilhões de dólares

é o valor do mercado farmacêutico russo - modesto diante dos 157 bi das maiores economias europeias

Entretanto, a substituição de importações só afetará as empresas estrangeiras que permanecerem como exportadores líquidos de medicamentos. Para aquelas que mantêm fábricas na Rússia, a mudança poderia, pelo contrário, trazer mais lucros.

“Para os estrangeiros aqui estabelecidos, o anúncio abriu uma oportunidade para recuperar rapidamente os investimentos feitos no país, enquanto para os que não têm fábricas é um incentivo para sua implantação a toque de caixa”, diz Víktor Dmítriev, diretor-executivo da Associação Russa dos Fabricantes de Produtos Farmacêuticos.

A parte comercial do mercado não será, inevitavelmente, afetada pela substituição de importações. Isso porque empresas privadas ainda poderão importar medicamentos estrangeiros em grande volume.

O setor público, porém, sofrerá mudanças significativas. Hoje 60% dos itens na Lista de Medicamentos Essenciais e Vitais são produzidos no país. Até 2018, essa porção deverá alcançar os 90%, de acordo com os planos do governo, reduzindo o total de medicamentos importados no país a 30%.

Mercado desenvolto

Empresas de grande porte, como a anglo-sueca AstraZeneca, a francesa Sanofi, a suíça Novartis e a dinamarquesa Novo Nordisk, já têm instalações de produção por toda a Rússia.

Além disso, em 2014, a norte-americana Abbott fechou uma das maiores transações farmacêuticas na história da Rússia ao adquirir o segundo maior fabricante de medicamentos do país, a Veropharm, por US$ 495 milhões.

60 por cento

dos itens da Lista de Medicamentos Essenciais e Vitais russa são produzidos no país. A ideia é alcançar os 90% até 2018, de acordo com o governo.

Assim, a empresa tem perspectivas otimistas. “Vemos nosso investimento na Veropharm como uma oportunidade de participar do desenvolvimento da indústria farmacêutica russa”, disse à Gazeta Russa a porta-voz da Abbot na Rússia, Irina Gushchina.

Segundo ela, a empresa expandirá suas capacidades de pesquisa e posteriormente desenvolverá a base de produção da Veropharm em ginecologia, neurologia, gastroenterologia e oncologia, áreas em que a demanda pela inovação de produtos é particularmente alta.

“Vemos na substituição de importações oportunidades extras para a expansão dos negócios na Rússia”, diz o diretor-executivo da Sanofi, Thibault Crosnier-Leconte.

A fabricante francesa planeja iniciar a produção em São Petersburgo de uma vacina infantil popular. A planta produzirá cerca de 10 milhões de doses por ano, o que deverá satisfazer a demanda na Rússia.

A Sanofi planeja implantar a produção da vacina já em 2016, com a transferência de know-how para a tecnologia de produção e controle de qualidade. A transferência de tecnologia deverá ser completada em 2019.

Parceiros locais

Algumas empresas estrangeiras, porém, entre elas a norte-americana Pfizer, a alemã Bayer e a belga UCB Pharma, não têm plantas na Rússia. Mas, com parceiros locais, poderão transferir parte da produção para suas instalações.

“A Bayer busca parcerias com produtores russos focando no ciclo completo de produção”, explica o diretor-executivo da companhia alemã, Niels Hessmann.

A empresa firmou parceria ainda em 2012 com a russa Medsintez para fabricar parte de sua produção no país. Em 2015, o primeiro lote comercial do antibiótico Avelox saiu da fábrica do laboratório Medsintez.

 

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