Internet desponta como maior ameaça à segurança nacional

Centro de processamento de dados da Rostelecom, em São Petersburgo

Centro de processamento de dados da Rostelecom, em São Petersburgo

Ria Nôvosti/Vadim Jernov
Nova doutrina que define ações contra cibercrime entrará em vigor em 2016. Segurança na rede não tratará apenas da proteção contra hackers, mas também da divulgação de componentes ideológicos.

Ao contrário das versões anteriores, a nova Doutrina de Segurança da Informação dá ênfase à internet como principal ameaça à segurança nacional, destacou o jornal “Kommersant”, após ter acesso aos pontos-chave do documento que entrará em vigor a partir de 2016.

Na doutrina atual, por exemplo, o termo “internet” não é usado uma única vez. “Fala-se muito de proteção dos direitos e liberdades constitucionais, mas, no documento para o ano que vem, a internet é talvez considerada o principal terreno fértil de ideias nocivas”, diz o veículo.

A maior preocupação dos autores, entre eles o secretário do Conselho de Segurança, Nikolai Patruchev, é a falta de competitividade dos softwares russos, bem como a presença de serviços secretos e organizações públicas controladas que, com a ajuda das tecnologias da informação, “minam a soberania russa e a sua estabilidade política”.

Acredita-se que a segurança cibernética no país não deva tratar apenas da proteção contra ataques, hackers e vazamento de informação. “Há também componentes ideológicos: o controle do espaço da informação, a proteção contra propaganda e coisas do gênero”, disse à Gazeta Russa o analista da Associação de Comunicações Eletrônicas, Karen Kazarian.

Bloqueio na internet

Nos últimos anos, os legisladores vêm garantindo ferramentas para reforço o controle no ciberespaço. “A coisa mais importante que aconteceu recentemente foi a prática de travar o acesso a certos recursos da internet”, aponta o advogado do projeto público em defesa da liberdade de informação RosKomSvoboda, Sarguis Darbinian.

Em 2012, em meio à discussão de medidas para proteção das crianças, foram aprovados cinco registros de informação proibida e outros 13 fundamentos que dão aos órgãos do poder autonomia para bloquear sites com conteúdo considerado como ameaça.

Já as tentativas de proteger contra hackers as páginas oficiais do governo e de empresas de importância vital para o país não apresentaram avanço ao longo do mesmo período.

“As grandes empresas de infraestrutura e de exploração de recursos naturais ainda dependem basicamente de softwares importados”, diz a diretora-geral da desenvolvedora de soluções de informática InfoWatch, Natália Kaspérskaia. “Por enquanto, não é possível fazê-las passar para um sistema operacional nosso, já que isso simplesmente não existe.”

Mito do hacker russo

O estado de segurança cibernética varia bastante de uma instituição para outra, dizem os especialistas, devido ao nível insuficiente de penetração de TI em muitos setores do Estado. “Talvez seja justamente isso que nos salve de catástrofes globais", disse Kazarian à Gazeta Russa, acrescentando que o estereótipo de que a Rússia é um dos líderes em número de autores de ataques na internet “não passa de um mito urbano sobre o hacker russo”.

De acordo com os dados da empresa internacional Grupo-IB, que investiga incidentes na área de TI, os hackers de língua russa na Rússia e na CEI (território das ex-repúblicas soviéticas) são responsáveis por apenas cerca de 2% (com prejuízo de US$ 2,5 bilhões) do cibercrime global. 

 

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