De militares a civis, Tupolev transportou milhões

Anton Denisov/RIA Nôvosti
A maioria dos russos imediatamente associam Tupolev ao enorme avião civil que transportou milhões de pessoas em todo o URSS por décadas até se aposentar recentemente. Mas poucos sabem o gigante da aviação civil originalmente fabricava bombardeiros nucleares estratégicos intercontinentais.

Pouca gente sabe que o escritório de projetos Tupolev tinha como principais produtos não os aviões civis, mas A história desse bureau foi iniciada ainda nos anos pré-revolucionários.

No começo do século 20, a Rússia estava dando seus primeiros passos no setor aeronáutico. Apesar da atividade dos pioneiros, a base científica e industrial não tinha sido formada. Os alicerces da aeronaútica foram lançados justamente nessa época pelo então jovem estudante Andrêi Nikolaevitch Tupolev.

Sob determinação do Exército Vermelho, engajou-se ativamente em pesquisa aeronáutica aplicada. Seu sucesso o levou, em 1922, a tornar-se chefe de uma equipe autônoma – e que viria ser futuro núcleo do conhecido bureau de projetos.

A equipe desenvolveu um pequeno monoplano, batizado como ANG-1, com as iniciais de Tupolev.


Tupolev (centro) ao lado de seu primeiro avião, em 1923 Foto: RIA Nôvosti

Na época, ainda não havia na União Soviética qualquer produção de ligas de alumínio para a construção de aeronaves. Tupolev fundou por conta própria esse setor, e apresentou-o aos europeus no seu ANT-3.

Na segunda metade da década de 1920, os progressos alcançados pelo escritório abriram caminho para o desenvolvimento de um novo avião de combate de classe mundial.

A paixão de Tupolev estava reservada para os bombardeiros. Em 1925, iniciou-se os trabalhos de um enorme monoplano, denominado ANT-4, com alta potência e capacidade de voar longas distâncias.

Foi a bordo de um ANT-4 que os pilotos soviéticos realizaram o primeiro voo transcontinental para os Estados Unidos. Na América, o modelo causou frisson.


Produção própria de ligas de metal ajudou a produzir ANT-3 Foto: Arquivo

Anos depois, o enorme ANT-20, de 8 motores, coroou a atividade do escritório. O avião não só levava uma estação telefônica, mas tinha também uma pequena estação para geração de energia.

Sob medida

Milhares de modelos Tupolev, entre caças, aviões de ataque e bombardeiros, participaram das diversas frentes da Grande Guerra Patriótica, como é conhecida a Segunda Guerra Mundial na Rússia.

Nos primeiros anos de guerra ficou claro que a concepção de aviões gigantes tinha chegado ao seu limite. Era necessário produzir novos aviões, mais velozes, poderosos e capazes de transportar ogivas nucleares.

A solução apresentada por Tupolev se mostrou impraticável para o país, totalmente devastado pela guerra. O governo decidiu seguir o caminho mais simples, ordenando ao bureau que copiasse o projeto do bombardeiro norte-americano B-29, derivado do lendário B-17 Flying Fortress.

A iniciativa foi um sucesso, e o Tu-4 se tornou o primeiro bombardeiro estratégico soviético.


Bem-sucedido, bombardeio TU-4 foi versão mais barata encomendada pelo governo soviético Foto: RIA Nôvosti

Durante toda a década de 1970, o bureau concentrou sua atenção para o desenvolvimento de bombardeiros capazes de realizar ataques com mísseis de cruzeiro. A regra era clara: deveriam estar à altura do B-52 norte-americano.

A Tupolev também ostentou aos concorrentes estrangeiros o Tu-95MS e Tu-160, que até hoje são a espinha dorsal do Comando Aéreo Estratégico da Força Aérea Russa.


TU-160 foi mais uma resposta da URSS aos concorrentes estrangeiros Foto: Marina Listseva/TASS

Todos a bordo

Após a guerra, os aviões Tupolev se mostraram surpreendentemente adequados para o transporte de passageiros. Em 1957, cinco anos depois de iniciar o projeto, o bureau lançou o avião civil de longo alcance Tu-114.

Em dez anos de operação, o modelo tranportou mais de 100 milhões de passageiros e ganhou vários prêmios de prestígio internacional. 


Tu-114, o "burro de carga soviético", transportou milhões de passageiros Foto: Lev Polikachin/RIA Nôvosti

Os aviões civis Tupolev cuja designação numérica terminava em “4” conquistaram os céus um após o outro: Tu-124, Tu-134, Tu-154 e, enfim, Tu-144, que, ao lado do lendário Concorde, foi o único avião supersônico usado para transportar passageiros no mundo.

A fábrica é hoje responsável pela manuntenção e modernização dos bombardeiros estratégicos da força aérea, além de produzir novos aviões de passageiros, incluindo para as mais altas autoridades. O presidente e o premiê da Rússia voam, por exemplo, nos modelos Tu-204 e Tu-214, respectivamente.  


Tu-214 é modelo usado por autoridades como o premiê Dmítri Medvedev Foto: RIA Nôvosti

 

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