Vírus gigante de 30 mil anos é descoberto na Sibéria

Vírus gigante pode ser observado com a ajuda de um microscópio óptico comum

Vírus gigante pode ser observado com a ajuda de um microscópio óptico comum

Shutter Stock/Legion Media
Encontrado em solo congelado, vírus voltou a se tornar contagioso após degelo. Cerca de 28 novos vírus foram identificados no norte da Eurásia recentemente e, segundo cientistas, há muitos outros nas camadas de permafrost da região.

O vírus Mollivirus sibericum, que possui 0,6 micrômetros de comprimento (um micrômetro equivale à milésima parte de um milímetro) e pode ser observado em um microscópio óptico comum, foi encontrado recentemente em uma camada profunda de permafrost por cientistas do Instituto de Problemas Físico-Químicos e Biológicos do Solo, de Moscou.

Depois de descongelado, porém, o vírus voltou a se tornar contagioso. “Os vírus gigantes não são incomuns e são muito diversificados”, disse à agência AFP o professor Jean-Michel Claverie, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), da universidade francesa de Aix-Marseile, que está trabalhando em parceria com os cientistas russos.

Ainda não se sabe qual é o grau de perigo que esse vírus poderia representar para os humanos. O Mollivirus sibericum tem mais de 500 genes, enquanto o megavírus Pandoravirus possui 2.500 e o vírus influenza tipo A não tem mais do que 11.

No entanto, de acordo com os especialistas, esse fato não é um indicador de periculosidade. “Os vírus são parasitas intracelulares, eles são mais eficazes quando possuem um pequeno número de genes ativos”, explicou o virologista russo Schelkanov à Gazeta Russa.

Os cientistas já conseguiram infectar algumas amebas com amostras de DNA do Mollivirus sibericum preservadas. “O estudo desses vírus e o desenvolvimento de métodos de trabalho para lidar com eles vai permitir que a situação fique sob controle”, acrescentou Schelkanov.

A descoberta foi divulgada na publicação especializada “Proceedings”, da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Ameaças ocultas

Embora os cientistas garantam que não há risco de o contágio representar perigo para humanos ou animais, eles alertam para o possível risco de outros vírus infecciosos que podem ser liberados com o eventual descongelamento do permafrost, tipo de solo constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congeladas.

“Mais cedo ou mais tarde, o aquecimento irreversível que está ocorrendo no Ártico irá levar a consequências indesejáveis, e é melhor termos conhecimento delas com antecedência”, disse Schelkanov à Gazeta Russa.

Ao longo dos últimos anos, entre 24 e 28 novos vírus foram descobertos no norte da Eurásia. Quase metade deles foi encontrada em latitudes elevadas nas ilhas e na costa do Ártico, no mar de Barents e no Oceano Pacífico.

“Atualmente, também estão sendo estudados antigos agentes infecciosos que haviam sido isolados durante a era soviética. Na época não existiam métodos eficazes para estudá-los e eles simplesmente foram preservados em baixas temperaturas na coleção estatal de vírus.”

Na Rússia, as fendas mais profundas no território de permafrost, que são repositórios de vírus, estão localizadas na Iakútia e na Península de Kola. Em 2013, a mesma equipe russo-francesa já havia descoberto o vírus gigante Pithovirus sibericum.

 

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