Degradação do solo ártico intensifica efeito estufa

Lagos termocásticos são formados pelo derretimento do permafrost

Lagos termocásticos são formados pelo derretimento do permafrost

EPA
Presença de carbono na plataforma ártica aumenta fluxo de gases do efeito estufa na atmosfera. Processo de derretimento do permafrost e aumento do nível dos oceanos são característicos do período interglacial, sugerem cientistas.

Cientistas da Universidade Estatal de Tomsk (UET), que estudam a região subártica da Sibéria Ocidental há mais de 20 anos, vêm presenciando cada vez mais lagos termocásticos formados pelo derretimento do permafrost (solo constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congeladas). Em alguns casos, a linha costeira avançou 70 metros em dois ou três anos.

Tão grave quanto os lagos termostáticos são os estoques de carbono da plataforma ártica, já que a substância é liberada para a atmosfera em forma de gases, intensificando o efeito estufa. “O carbono do solo, ou turfa, se transforma mais rapidamente em dióxido de carbono em meio aquoso”, explica Serguêi Kirpotin, diretor do centro de pesquisa BioKlimLand da UET.

“Mais de 80% da Sibéria subártica está coberta por lagos termocásticos. Até agora, ninguém mediu em toda a sua amplitude o fluxo de dióxido de carbono para a atmosfera, assim como a composição química da água. Estamos agora trabalhando ativamente nisso juntamente com parceiros da Suécia e da França, no âmbito do projeto internacional Siberian Inland Waters.”

A equipe de Kirpotin descobriu também que os inúmeros lagos de área de até 100 m2, que dificilmente são visíveis do espaço e, por isso, não estão representados no mapa, emitem várias vezes mais gases do efeito estufa do que os lagos de maiores proporções. “Devido a seu tamanho, até há pouco eles não eram levados em conta no cálculo do volume de carbono”, diz.

Acredita-se, contudo, que o aumento do ritmo do derretimento do permafrost na Sibéria ocidental possa levar à substituição dos grandes lagos termocásticos por lagoas muito menores, porém numerosas. “Isso vai aumentar em 10 vezes a emissão de gases do efeito estufa e do carbono orgânico dissolvido nos rios e no Oceano Ártico”, acrescenta o cientista da UET.

Efeito interglacial

Os processos ao longo da plataforma ártica são motivo de preocupação não só para os cientistas da UET. “Cinco anos atrás, descobrimos que a emissão maciça de metano nos mares do Ártico Oriental ultrapassa em quase duas vezes as emissões desse gás em todos os outros mares do oceano global”, diz Igor Semiletov, geoquímico do Instituto Ilichev de Oceanologia do Pacífico.


Emissao de metano no Ártico Oriental é quase duas vezes maiores do que em outros mares do oceano global Foto: DPA/Vostock-Photo

Em 2014, uma equipe internacional liderada por Semiletov realizou uma nova expedição científica ao Ártico a bordo do quebra-gelo Oden. O objetivo era estudar o espaço aquático da plataforma exterior do mar do Ártico oriental a profundidades inferiores a 50 metros.

Entre os resultados, os cientistas descobriram a emissão maciça de metano que atinge diariamente a plataforma do Ártico Oriental. Também registraram em torno de 700 “buracos de metano” com até um quilômetro de diâmetro, o que revela um elevado grau de degradação do permafrost subaquático na região.

“Encontramos novas evidências para a nossa hipótese sobre o papel da plataforma continental siberiana na alteração do equilíbrio de metano hoje e, pelo menos, nos últimos 400 anos”, diz Semiletov. “Estamos vivendo um período interglacial, caracterizado pelo aumento do nível dos oceanos.”

 

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