Fábrica de aviões russa mantém importância desde a 2ª Guerra

Tu-95

Tu-95

USAF
Conflito armado levou a evacuação de indústrias do centro do país.

A Segunda Guerra Mundial foi um marco importante no desenvolvimento da indústria aeronáutica russa. Como resultado da evacuação das indústrias do centro do país, que ficou vulnerável à invasão das tropas alemãs e a ataques aéreos, empresas aeronáuticas começaram a surgir em outras regiões russas. Entre elas está a Fábrica de Aviões de Samara, hoje uma das maiores do país.

Tudo começou em 1941, quando no lugar das atuais oficinas e hangares existia apenas a estepe do Volga. A antecessora da empresa de Samara foi a fábrica de aviões de Voronej, construída em 1932. De suas instalações saíram, até 1941, centenas de aviões de assalto IL-2 – os famosos "tanques voadores". O início da guerra obrigou a uma aceleração da produção de aeronaves e levou a fábrica de Voronej a produzir 15 aviões de assalto por dia em 1941.

Il-2 Foto: TASS

No entanto, rapidamente se tornou claro que Voronej não era o lugar mais seguro para a produção de equipamentos de importância estratégica para o front. No dia 1° de outubro de 1941, tropas da Wehrmacht (Forças Armadas da Alemanha) chegaram às portas de Kharkov, que ficava a apenas 250 km da cidade de Voronej, levando o governo a ordenar a evacuação de emergência da fábrica para o interior do país.

Para o funcionamento temporário das oficinas foi escolhida a cidade de Kuibichev, atual Samara, pois a localidade já possuía uma plataforma para a construção de uma fábrica de aviões semelhante a de Voronej. A montagem em ritmo acelerado das instalações da fábrica foi realizada com o trabalho de prisioneiros e em dezembro de 1941 já saíam das oficinas as primeiras aeronaves.

A especialização da empresa se manteve: a fábrica estava em quase toda a sua totalidade orientada para a produção de aeronaves do tipo IL-2. Nos primeiros tempos, a fábrica de Kuibichev produzia um avião por dia, ritmo que foi considerado um verdadeiro fiasco pelo governo russo. O líder da União Soviética, Iossif Stálin, então passou a pressionar os diretores da fábrica para que melhorassem o desempenho. Como resultado, em apenas alguns meses a produção de aviões IL-2 aumentou em várias vezes.

Durante a guerra, as fábricas soviéticas produziram mais de 36 mil unidades dessa aeronave, garantindo ao "tanque voador" o feito de ser o avião militar mais construído da história, sendo que 75% de toda a produção foi realizada na fábrica de Kuibichev.

Depois da guerra, a fábrica de Kuibichev focou em uma tarefa estratégica: criar aeronaves capazes de transportar armas nucleares e realizar ataques com elas. Começaram a ser produzidas então aeronaves da família TU, e em 1949 saiu das oficinas de Kuibichev o primeiro desses aviões, o TU-4, criado à imagem e semelhança do lendário avião americano B-29, que jogou as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Em 1954, o TU-4 foi usado para o primeiro teste nuclear soviético em campo aberto.

Entre as décadas de 1950 e 1970, os construtores aeronáuticos de Kuibichev aperfeiçoaram as aeronaves de combate da família TU. A nova fase de produção resultou na criação do modelo TU-95. Durante várias décadas o TU-95 e suas variantes formaram a base da aviação estratégica das Forças Armadas da URSS.

O esqueleto do TU-95 era de tal modo universal que com ele foi possível produzir aviões exclusivamente civis. O avião de passageiros TU-114, único pelo fato de não ter sofrido nenhum acidente em mais de 20 anos de voo, foi uma versão adaptada do modelo militar. A confiança na aeronave era tanta em 1959, a bordo do TU-114, que não tinha ainda passado por testes, aterrissou em Washington a delegação do governo soviético chefiada por Nikita Khruchov.

A partir de 1968 o avião de passageiros TU-154 começou a ser produzido em série. Quase todas as aeronaves desse tipo, que ao longo de 30 anos formaram a base da frota aérea civil da União Soviética e da Rússia, saíram das instalações da fábrica de Kuibichev. Hoje, depois da crise econômica da década de 1990, a empresa está atravessando um período de recuperação.

An-140 Foto: Nikolai Nikítin /TASS 

Um dos projetos-piloto atualmente desenvolvidos pela fábrica de Samara é o An-140, que deverá no futuro fazer parte da base da aviação de transporte militar da Rússia. Em 2014, foi levantada a questão de se produzir em Samara o modelo IL-114, que deverá se tornar a principal aeronave usada pelas companhias aéreas nacionais. Algumas das dificuldades da crise ainda persistem e muito teve que ser recuperado ou até mesmo construído a partir do zero. No entanto, a fábrica continua operando e mantém sua importância no cenário aeronáutico russo.

 

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