Novo elemento químico pode ser batizado em tributo a Moscou

Os funcionários do ICPN reivindicam a descoberta de outros três elementos: 118, 117 e 113.

Os funcionários do ICPN reivindicam a descoberta de outros três elementos: 118, 117 e 113.

Boris Babanov / RIA Nóvosti
115º elemento da tabela periódica pode ser reconhecido até o fim de 2015.

A descoberta do 115º elemento da tabela periódica deve ser reconhecida oficialmente até o final deste ano, segundo funcionários do Instituto Central de Pesquisa Nuclear (ICPN) em Dubna, próximo a Moscou. O pedido está sendo analisado pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, na sigla em inglês).

Se a descoberta for reconhecida, os cientistas responsáveis terão a oportunidade de dar nome ao elemento, que poderá se chamar "Moscóvio", em homenagem à capital russa, segundo informou o ICPN.

"Este é um dos possíveis nomes”, disse à Gazeta Russa Andrêi Popeko, vice-diretor do Laboratório de Reações Nucleares do ICPN. “O primeiro trabalho dedicado à descoberta foi publicado em 2004. O estudo precisou ser repetido por outros cientistas e os nossos resultados foram confirmados na Alemanha e nos EUA", explicou.

No núcleo do novo elemento existem 115 prótons e nêutrons. Trata-se de uma substância super pesada, por isso surge como um dos últimos elementos na tabela periódica. De acordo com Popeko, a substância só pode ser obtida no acelerador de partículas e apenas um átomo por semana.

"A descoberta deste elemento é importante para a compreensão dos processos que ocorrem no universo", disse o vice-diretor, ressaltando que é perfeitamente possível que o elemento 115 possa ser encontrado no espaço. Enquanto no laboratório o “Moscóvio” existe durante cerca de um décimo de segundo, os isótopos no universo podem ser de longa duração.

Além do elemento 115, os funcionários do ICPN reivindicam a descoberta de outros três elementos: 118, 117 e 113. Este último é controverso, pois pesquisadores do centro japonês Riken Nishina também afirmam que fizeram a descoberta em um acelerador nos arredores de Tóquio. Especialistas russos chegaram a um resultado semelhante durante a experiência para obtenção dos átomos do elemento 115. No entanto, eles ainda não foram capazes de provar seu pioneirismo devido ao fato de faltar uma explicação adequada da cadeia de decaimento do elemento.

A obtenção dos novos elementos da tabela periódica com os números 119 a 126 também é alvo de pesquisadores do Instituto Alemão para Pesquisa de Íons Pesados ​​GSI, do acelerador de partículas francês Ganil e de muitos outros laboratórios.

Os elementos com números superiores a 92 não podem existir na natureza, sendo que aqueles listados até o férmio (número atômico 100) podem ser obtidos em reatores nucleares, enquanto as partículas mais pesadas são produzidas em aceleradores.

 

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