Trilhando caminho inverso, UVZ guiou URSS à vitória

Tanques T-34 foram os mais produzidos pela URSS durante a Segunda Guerra Mundial Foto: Ksênia Dranitsina / TASS

Tanques T-34 foram os mais produzidos pela URSS durante a Segunda Guerra Mundial Foto: Ksênia Dranitsina / TASS

Risco de ataque alemão durante Segunda Guerra provocou concentração de indústrias no centro da Rússia. Reunidos a Uralvagonzavod (UVZ), que até então produzia apenas vagões de trem, fabricantes de blindados deram origem a uma das maiores fábricas de tanques do mundo.

No início da década de 1930, o governo soviético decidiu que o distrito dos Urais, complexo industrial da Rússia havia 200 anos, teria que ganhar um novo rosto produtivo. As minas de ferro e as fornalhas deveriam fornecer matéria-prima para as novas indústrias de construção de máquinas, cujo equipamento era comprado em grandes lotes por grandes empresas estrangeiras. Foi então decidido construir, perto de Nijni Taguil, a maior fabricantes de trens do país.

Mas fabricar vagões era um processo trabalhoso que exigia não só tecnologia avançada, como profissionais experientes e matérias-primas de alta qualidade. Além disso, uma vez que a frota de trens era também um recurso estratégico do país, a fábrica de trens dos Urais Uralvagonzavod foi concebida como uma das mais importantes empresas da União Soviética.

Em pouco tempo, o investimento pesado começou a gerar resultados. A Rússia, que até a Revolução de 1917 tinha que comprar a maioria de seus trens, tornou-se uma das maiores fabricantes de material ferroviário.

Em apenas cinco anos de produção, a Uralvagonzavod fabricou mais de 35 mil vagões, superando – e muito – a produção conjunta de todas as outras fábricas de vagões ferroviários da União Soviética durante toda a década de 1930.

A fábrica também tinha, conforme planejado por seus criadores, uma função complementar: servia de plataforma para a implantação de outras oficinas industriais.

Quando, em 1941, o ataque da Alemanha à URSS colocou sob ameaça de destruição e captura todo o potencial industrial soviético, concentrado na porção europeia do país, foi iniciado o desmantelamento de dezenas de indústrias e sua rápida evacuação para os Urais.

Porém, apesar da nova localização, essas indústrias tinham que continuar produzindo artigos de defesa. Foi assim que a Uralvagonzavod se uniu a outras 12 empresas e, em agosto de 1941, surgiu a fábrica de tanques dos Urais – uma das maiores do país e do mundo.

Rota alterada

Em dois meses, as oficinas, relativamente iniciantes na produção de vagões, passaram a construir tanques. Durante a Segunda Guerra Mundial, entretanto, os armeiros dos Urais forneceram 25 mil veículos blindados, sobretudo tanques T-34, ao Exército Vermelho – mais do que todas as fábricas alemãs juntas haviam construído no mesmo período.

Cerca de um terço dos blindadas da União Soviética usados em guerra foram produzidos nos Urais. E isso sem falar de subprodutos, como bombas aéreas, carretas de artilharia, fuselagem metálica para aeronaves e vagões de trem, que, com a guerra, se tornaram ainda mais valiosos.

Depois do conflito, as indústrias que haviam sido evacuadas para os Urais decidiram não regressar aos locais de origem. Em seu lugar, novas fábricas foram surgindo na Ucrânia e na parte europeia da Rússia, enquanto a Uralvagonzavod manteve o status de maior fabricante de material de defesa do país.

Sucesso no pós-guerra


T-72 é o blindado de maior produção em massa e principal veículo do exército de muitos países Foto: PhotoXPress

Ao longo dos anos de trabalho intenso na retaguarda da guerra, os operários dos Urais ganharam grande experiência em projeção, construção e conserto de tanques. Logo, tornaram-se o núcleo da escola soviética de construção de blindados.

Não é à toa que as instalações em Nijni Taguil deram origem aos tanques T-44 e T-62, modelos baseados no famigerado T-34, e ao T-72, que, embora remonte à década de 1960, ainda é o blindado de maior produção em massa e principal veículo do exército de muitos países.

Na década de 2000, a fábrica realizou ainda um feito duplo na construção de blindados: o T-90, equipado com o mais avançado sistema ótico, sistemas de guerra eletrônica e blindagem reativa; e um protótipo fundamentalmente novo de tanque no chassi universal Armata, que, em vários de seus parâmetros, não possui análogos no mundo.

T-90 foi um dos lançamentos de destaques da Uralvagonzavod na década de 2000 Foto: Anatóli Semiókhin/TASS

Nos dias de hoje, a Uralvagonzavod está sobretudo associada à construção de tanques, mas os trabalhadores dos Urais nunca esqueceram a sua especialização inicial e continuaram abastecendo as ferrovias russas com novos vagões.

 

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