Startup lança software para ‘espiar’ funcionários improdutivos

“CrocoTime” calcula o tempo de trabalho baseando-se no uso do mouse e do teclado Foto: Shutterstock

“CrocoTime” calcula o tempo de trabalho baseando-se no uso do mouse e do teclado Foto: Shutterstock

Projetado para controlar o tempo de trabalho, “CrocoTime” será lançado no mercado internacional. Software russo é capaz de controlar as ações de 10 mil usuários.

Atualmente, cerca de 20 mil funcionários de grandes empresas russas estão sob o controle do “CrocoTime”. Entre as corporações que usam o serviço estão o gigante de energia Gazprom, e o Tinkoff, um dos maiores bancos do país. Mas por que elas se interessaram por tal ferramenta? Para responder a essa pergunta, é preciso entender o funcionamento do software.

Em primeiro lugar, o “CrocoTime” calcula o tempo de trabalho baseando-se no uso do mouse e do teclado: se eles não são usados dentro de um certo período de tempo, o programa considera que o funcionário não está exercendo suas funções.

Além disso, enquanto o “CrocoTime” é instalado no servidor do cliente, os chamados “agentes de monitoramento” são inseridos nos computadores dos funcionários. Todos os sites e programas são divididos em três categorias conforme determinação do cliente: produtivos, improdutivos e não essenciais.

“Os recursos não essenciais estão separados. São programas produtivos, mas seu uso não se aplica às responsabilidades diretas dos funcionários e podem gerar problemas na gestão de uma empresa”, explica o diretor-executivo da Infomaksimum e desenvolvedor do programa, Aleksandr Bochkin.  

“Por exemplo, os gestores de uma empresa X passavam 60% do tempo em uma versão não apropriada do Microsoft Word e faziam contratos a mão. Após o monitoramento de tempo, o departamento adotou o uso de modelos de documentos.”

Para obter a licença de uso do software, as empresas investem hoje o equivalente a 2.560 rublos (US$ 50) por funcionário. Segundo Bochkin, após a instalação do programa, os clientes conseguiram reduzir o tempo improdutivo de seus funcionários de 25 a 30% para 5 a 7%. 

Parecido, mas não igual

O CrocoTime não é o único programa no mercado russo para o controle do tempo de trabalho. “Disciplina”, “OfisMETRIKA”, “Stakhanovets” e YawareOnline também controlam a hora de chegada e saída dos funcionários, além do uso de diferentes programas e recursos on-line.

No entanto, de acordo com os criadores do “CrocoTime”, o novo programa apresenta algumas diferenças em comparação aos demais disponíveis no mercado. Além de monitorar simultaneamente as ações de até 10 mil usuários, o software gera uma estatística não só sobre cada funcionário, mas também sobre cada departamento.

O “CrocoTime” permite ainda definir as configurações automáticas para um determinado grupo de funcionários – como, por exemplo, funcionários de contabilidade ou especialistas de TI.

Tablet à prova de vigilância

Os desenvolvedores do “CrocoTime” planejam agora entrar nos mercados europeu, americano e asiático. Mas, de acordo com o analista de investimentos da Prostor Capital, Serguêi Akachkin, o programa tem um número limitado de possíveis clientes, tanto no exterior quanto na Rússia.

“Os clientes potenciais do ‘CrocoTime’ são as grandes corporações. A necessidade de utilizar soluções de controle de tempo surge em empresas com mais de 50 funcionários. Nas empresas menores, um bom gestor consegue administrar o pessoal sem recorrer a programas desse tipo”, diz Akachkin.

Além disso, segundo o analista, os funcionários de grandes empresas usam cada vez mais tablets e smartphones para navegar na internet durante o trabalho. “Muitos gerentes entendem isso e não estão com pressa para implementar o controle a distância.”

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