Rico em proteína, trigo de inverno promete alternativa a OGMs

Quatorze das 15 novas variedades de trigo já foram patenteadas pelos especialistas do “Nemtchiovka” Foto: Bagrat Sanukhadze/RIA Nóvosti

Quatorze das 15 novas variedades de trigo já foram patenteadas pelos especialistas do “Nemtchiovka” Foto: Bagrat Sanukhadze/RIA Nóvosti

Especialistas em melhoramento genético selecionaram variedades únicas de trigo adaptadas a climas frios. Expectativa é que esses novos tipos de trigo contenham a queda da qualidade dos grãos observada ao redor do mundo e ganhem terreno dos organismos geneticamente modificados (OGMs).

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Científica Agrária “Nemtchinovka”, em Moscou, selecionaram variedades especiais de trigo de inverno têm duas vezes mais proteína do que a maioria dos demais disponíveis no mercado mundial. Esses tipos de trigo podem crescer em áreas com clima frio e solo pouco fértil.

Bagrat Sandukhadze, especialista em melhoramento genético do “Nemtchiovka” e membro da Academia Russa de Ciências, criou com sua equipe 15 variedades de trigo de inverno apropriadas para o plantio em áreas que ficam fora da faixa do tchernozion (solo fértil de coloração negra) e ocupam um território enorme na porção europeia da Rússia, estendendo-se da costa do Oceano Ártico à zona de floresta do Mar Báltico e Sibéria Ocidental.

Quatorze das 15 novas variedades de trigo já foram patenteadas pelos especialistas do “Nemtchiovka”. Eles acreditam que graças a esses novos tipos de trigo será possível conter a queda da qualidade dos grãos observada ao redor do mundo.

“Hoje, a colheita média de trigo de inverno nos países desenvolvidos é de 9 a 10 toneladas por hectare. O teor de proteínas nesse trigo é de apenas 8 a 9%, o que não permite assar um pão de qualidade”, disse Sandukhadze à Gazeta Russa, referindo-se às novas variedades como “uma resposta digna aos organismos geneticamente modificados”.

Ouro vivo

A Rússia está entre os seis maiores produtores mundiais de trigo. Mas o mercado de grãos está muda constantemente, exigindo novas variedades dominantes. 

“A seleção de boas variedades de grãos alimentícios com genes dominantes permitem preservar o ambiente, e isso é dez vezes mais vantajoso do que investir em estimulantes químicos ou engenharia genética”, disse Sandukhadze.

“O melhoramento genético profissional tem custo máximo calculado em milhões, enquanto os fatores tecnogênicos levam a gastos biliardários e causam danos ao ambiente. Na Rússia, existem 40 milhões de hectares ociosos, onde é possível cultivar grãos orgânicos de boa qualidade e garantir a saúde da nação.”

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