“Quanto mais imagens na rede, mais as pessoas vão querer vê-las ao vivo”

Após lançamento de tour virtual pelo Teatro Bolshoi, representante do Google anuncia planos de digitalizar novos espaços pela Rússia.

Fotos: AP e TASS

No ultimo dia 10, a administração do teatro, em parceria com o Google, lançou uma excursão virtual em 3D ao histórico edifício, bem como três exposições temáticas digitais das coleções do museu do Bolshoi. Fotos exclusivas de 1880 a 1910, bem como trajes feitos a partir de esboços dos mestres do palco, poderão agora ser vistos on-line no site da Academia de Cultura do Google.

Em entrevista à Gazeta Russa, o presidente de parcerias estratégicas do Google para a Europa, Oriente Médio e África Carlo d'Azaro Biondo, falou sobre as iniciativas promovidas pelo gigante de buscas on-line para digitalizar referências de patrimônio cultural ao redor do mundo.

Como surgiu a ideia de criar o Instituto Cultural do Google?

Durante um jantar, eu, o programador indiano Amit Sood e alguns colegas nossos discutimos sobre o fato de o patrimônio cultural de países como França, Itália, Espanha, Rússia ou Oriente Médio ter pouca representação na internet. Em compensação, há cada vez mais conteúdos ingleses e norte-americanos.

Inicialmente, os gestores dos museus achavam que as pessoas deixariam de visitá-los se tudo fosse postado na rede. Nossa resposta foi simples: “Vocês sabem qual é a imagem mais reproduzida digitalmente em todo o mundo? – A Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. E sabem qual é a mais visitada no museu? – Também a Mona Lisa”. Passado algum tempo, conseguimos provar que quanto mais imagens se colocar na rede, mais as pessoas vão querer vê-las ao vivo.

Tem muita gente interessada em projetos como esse?

O projeto com obras-primas digitalizadas atraiu milhões de pessoas. Atualmente temos 1,5 milhões de pinturas e 620 museus, com 150 obras em altíssima definição.

Eu mesmo, às vezes, chego em casa, acendo um charuto, escolho uma garrafa de vinho tinto e ponho uma música clássica para tocar. Aí, eu e minha esposa nos sentamos no sofá e ficamos apreciando essas imagens na tela da TV. Podemos ficar ali olhando para elas umas duas ou três horas. Afinal, onde mais você pode encontrar 65 pinturas de Renoir reunidas em um mesmo lugar? Ou 42 pinturas de Van Gogh?

E de que óperas você mais gosta?

Ópera é como comida: depende do momento, do nosso estado de espírito. Afinal, eu sou italiano. Se eu pudesse ir para uma ilha deserta e me permitissem levar comigo apenas uma ópera, qual seria? Naturalmente, uma italiana, provavelmente algo de Nabucco. A música dele é excelente e me traria sempre a Itália à memória. Mas se pudesse levar mais do que uma, levaria Mozart e, em seguida, Tchaikovsky. É uma escolha difícil!

Quanto custa digitalizar um teatro?

Infelizmente, não estou autorizado a dizer os valores. Mas, por exemplo, a digitalização de um quadro em alta definição pode custar de 10 a 50 mil euros, dependendo do próprio quadro e do equipamento utilizado.

O que mais na Rússia pretendem digitalizar?

Temos muitos planos. O Kremlin, por exemplo...

O escritório de Pútin?

Bem, não pretendemos espionar ninguém. Queremos mostrar aquilo que vai ajudar os estrangeiros a entenderem a Rússia. Igrejas, museus, arte contemporânea, arte de rua. Não tem limites. A ideia que tiverem, a gente concretiza. Tentamos fazer todo o possível para entender melhor a cultura dos povos.

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