Sem casos registrados, Rússia desenvolve vacina contra o ebola

Apesar de todas as medidas preventivas, os moradores da Rússia temem uma possível epidemia da febre hemorrágica Foto: divulgação

Apesar de todas as medidas preventivas, os moradores da Rússia temem uma possível epidemia da febre hemorrágica Foto: divulgação

Vacina está sendo criada por pesquisadores do Centro de Virologia do Instituto de Pesquisas Microbiológicas do Ministério de Defesa, localizado na cidade de Serguiev Possad, assim como pelo Centro de Virologia e Bacteriologia Vektor, em Novossibirsk.

Cientistas russos trabalham a todo vapor para desenvolver uma vacina contra o vírus ebola. Ela está sendo criada por pesquisadores do Centro de Virologia do Instituto de Pesquisas Microbiológicas do Ministério de Defesa, localizado na cidade de Serguiev Possad, assim como pelo Centro de Virologia e Bacteriologia Vektor, em Novossibirsk.

Ambas as entidades manipulam o vírus desde a época da União Soviética, quando ela foi usada para a elaboração de armas bacteriológicas. A maioria das informações são mantidas em sigilo.

Mas segundo Anna Popova, diretora do Rospotrebnadzor, órgão responsável pelo controle de situação epidemiológica no território nacional, a primeira vacina experimental russa contra a febre hemorrágica encontra-se na fase de testes em animais e logo poderá ser testada em seres humanos. 

Desde setembro deste ano, as medidas tomadas pelas autoridades para evitar que o vírus se torne um problema no país incluem a verificação da temperatura de passageiros de aeronaves de origem estrangeira, feita pelos funcionários do Rospotrebnadzor.

Controle nos aeroportos 

Apesar de a Rússia não possuir nenhuma ponte aérea direta com os países da África Ocidental, em particular Libéria e Serra Leoa, supostos locais de origem da doença, os especialistas não descartam a possibilidade de sua chegada ao país. O maior problema enfrentado atualmente pelos órgãos de controle epidemiológico consiste em um longo período de incubação do vírus, que pode durar até três semanas, dificultando a identificação dos contagiados. Os sintomas desta espécie de febre hemorrágica parecem com os da malária e incluem fortes dores de cabeça, fraqueza corporal, diarreia, febre alta, assim como dores musculares, dores no estômago, náusea e indícios de desidratação.

História da pesquisa do vírus Ebola na Rússia

Aleksandr Tcherpunov, antigo chefe do laboratório de infecções virais de alto risco do Centro Vektor, manipula o vírus Ebola desde o final da década de 80. Além deste, os especialistas do laboratório estudaram seus análogos, tais como os agentes da febre hemorrágica de Lassa, de Machupo e de Marburg. Em 1996, foi descoberta a base genética da virulência da febre hemorrágica de Ebola (ou a sua capacidade de contágio) e quatro anos mais tarde o laboratório definiu as mutações do vírus responsáveis por essas características.

Segundo Popova, desde o início deste ano, as autoridades russas registraram cerca de 20 casos suspeitos, mas em nenhum deles o  contágio foi confirmado. Durante esse tempo, cerca de 600 pessoas que haviam chegado do oeste africano ficaram em observação, mas todos  foram liberados.

O porta-voz do aeroporto internacional moscovita Cheremetievo afirmou que, até o momento, "nenhum caso de contágio do vírus de Ebola foi detectado".

"Na hipótese de surgimento de casos isolados de doença trazidos de fora, como aconteceu nos Estados Unidos e na Espanha, os serviços epidemiológicos possuem o preparo suficiente para impedir a propagação da infecção", afirmou Oleg Salagai, porta-voz do Ministério de Saúde da Federação Russa, em entrevista coletiva.

Medidas tomadas 

Segundo Mikhail Schelkanov, especialista em Ebola e chefe do Laboratório de Ecologia Viral do Instituto de Pesquisa de Vírus, a população do país não desconfia da existência de um forte sistema de segurança bacteriológica responsável pela detecção e isolamento de mais de 200 casos de vírus exóticos importados ao território do país todos os anos.

Apesar de todas as medidas preventivas, os moradores da Rússia temem uma possível epidemia da febre hemorrágica. De acordo com pesquisa realizada pelo Fundo de Opinião Pública, 47% dos russos acreditam no alto risco de surgimento da Ebola no país, enquanto 60% apontam a necessidade de aumentar a quantidade de medidas preventivas. Destes, 18% se manifestam a favor do fortalecimento do controle epidemiológico de todos que chegam ao país, 10% apostam no estudo do vírus e no desenvolvimento de uma vacina, enquanto outros 9%, na redução do fluxo dos viajantes provenientes dos países com surtos da Ebola.

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.