Novos mísseis substituirão obsoletos Totchka até 2018

Segundo o Exército, Iskander-M está dentro das normas de tratado soviético-americano Foto: Aleksandr Vilf/RIA Nóvosti

Segundo o Exército, Iskander-M está dentro das normas de tratado soviético-americano Foto: Aleksandr Vilf/RIA Nóvosti

As qualidades de combate do sistema Iskander-M, bem como o fato de não possuir análogos no mundo, causam preocupação aos Estados Unidos e aos países da Otan.

O comandante das Forças de Mísseis Estratégicos e Artilharia do Exército russo, Major-General Mikhail Matvéevski, informou à agência Tass que até 2018 haverá dez brigadas equipadas com mísseis Iskander-M no Exército russo, distribuidas na proporção de dois a três para cada Comando Militar. Atualmente, há apenas cinco delas. Os mísseis tático-balísticos Iskander-M irão substituir os atuais obsoletos mísseis táticos 9K79 Tochka e 9K79-1 Tochka-U.

Herdeiro do Oka

Uma comparação entre o Iskander e o Tochka é, em certo ponto, irrelevante. O novo míssil é muito mais eficiente do que o antecessor em inúmeros parâmetros. Por outro lado, uma comparação mais interessante pode ser feita com o progenitor do Iskander, o míssil tático-balístico OTP-23 Oka, batizado pela Otan de SS-23 Spider e aposentado pelo Tratado Soviético-Americano para Liquidação de Mísseis de Curto e Médio Alcance de 1989 (INF).

O Oka não era incluso nos parâmetros do tratado, tendo em vista que seu alcance máximo era de 400 km e o acordo versava sobre mísseis com alcance entre 500 km e 5.500 km. No entanto, os norte-americanos exigiram por todos os meios o enquadramento do míssil na lista de liquidação, embora ele ainda não tivesse posto operacional no exército soviético. Os Estados Unidos temiam as qualidades únicas do sistema: montado sobre uma plataforma off-road com capacidade anfíbia, ele era operado por apenas três militares e podia carregar uma ogiva convencional, de fragmentação ou até mesmo nuclear. Sua interceptação era praticamente impossível.

No total, 239 mísseis Oka foram destruídos no âmbito do INF, bem como 106 lançadores e todos os equipamentos de produção e documentação do projeto.

Somente após dez anos o herdeiro do Oka ressurgiu, materializando-se no sistema de míssil tático-balístico Iskander-M. Todas as qualidades únicas de seu antecessor foram absorvidas pelo novo projeto, diferenciando-se apenas no que concerce ao desenho e à plataforma lançadora: a anterior consistia de um blindado 8x8 anfíbio; o de hoje não é blindado e nem possui capacidade anfíbia. No entanto, o atual caminhão é capaz de transportar dois mísseis, diferentemente do anterior, lançando-os contra alvos distintos em questão de segundos.

Esta capacidade é viabilizada por dois fatores: o computador de bordo de alta performance e os aviônicos de orientação do novo míssil, chamado também de “Oka reencarnado”.

Arma política

As qualidades de combate do sistema Iskander-M, bem como o fato de não possuir análogos no mundo, causam preocupação aos Estados Unidos e aos países da Otan. Particularmente, parlamentares americanos afirmaram que o míssil R-500, capaz de ser lançado pela mesma plataforma, viola o Tratado de 1989 por ter um alcance maior de 500 km.

Matvéevski rebateu a afirmação dizendo que “os R-500 não voam mais do que 500 km” e que “respeitamos todas as normas do Tratado INF”.

 

Publicado originalmente pelo Centro de Análise Política

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.