Empresas nacionais investem em novos tratamentos contra o câncer

Espera-se que o medicamento com base no novo método sejá lançado no mercado entre  2018 e  2019 Foto: Shutterstock

Espera-se que o medicamento com base no novo método sejá lançado no mercado entre 2018 e 2019 Foto: Shutterstock

Neste ano houve um grande avanço na área de desenvolvimento de tratamentos para o câncer na Rússia. Entre as novidades estão terapias com iodo radioativo e nanoestruturas.

No final de novembro, a empresa russa Biocad anunciou a criação de uma nova plataforma de tecnologia inteligente: com sua ajuda pode-se criar de maneira rápida e eficiente medicamentos altamente específicos que contêm como ingredientes ativos novas moléculas, inclusive algumas que não existiam.

A plataforma foi desenvolvida dentro do projeto MabNext, que se dedica à criação de medicamentos com base nos chamados anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer. Eles são produzidos por células do sistema imune e podem ser aplicados contra quase qualquer antígeno natural. A plataforma foi projetada com base em modelagem matemática.

Terapia-alvo

"A única maneira bem sucedida de desenvolvimento da indústria farmacêutica russa é a criação de ‘blockbusters’ totalmente novos", diz o diretor-geral da BioCad Dmítri Morozov. Agora, mais de dez medicamentos inovadores, baseados em anticorpos monoclonais, existem na empresa, em vários estágios de desenvolvimento. Sua vantagem é que eles afetam só certas células e moléculas. Em outras palavras, trata-se de uma terapia-alvo: os anticorpos monoclonais neutralizam os alvos necessários, sem afetar as células saudáveis.

De acordo com os especialistas da Biocad, graças ao uso da plataforma inteligente, a fase de laboratório da criação de um medicamento revolucionário para o tratamento de um dos mais agressivos tipos de câncer de pele, o melanoma, foi bem-sucedida.

Com a plataforma, foram selecionadas várias dezenas de moléculas capazes de bloquear a função dos receptores, que provocam inclusive o desenvolvimento desse tipo de câncer. De acordo com especialistas, a aplicação de anticorpos monoclonais com antígeno DP-1 poderá parar o desenvolvimento de tumores em 30% a 40% dos pacientes. Espera-se que o medicamento com base nesse método sejá lançado no mercado entre  2018 e  2019.

Ataque de microfontes 

Hoje em dia, é possível implantar em um tumor uma cápsula radioativa (chamada de microfonte), menor que um grão de arroz, de modo que os órgãos saudáveis ao redor do tumor permanecem intactos. Em um projeto conjunto do Grupo Europeu Eckert & Ziegler BEBIG e ROSNANO, são produzidas microfontes para implantação  na próstata. Eles fornecem boa biocompatibilidade e imagiologia por ultrassons, que são produzidas por aparelho de ultrassom ou por meio de tomografia computadorizada.

Em agosto de 2014, pela primeira vez na Rússia foi posta em prática uma nova forma de tratamento: a  MIBG ou terapia para neuroblastoma.

“MIBG são as iniciais de ‘metayodbenzilguanidin’, uma molécula que é ativamente capturada pelas células tumorais. Sua composição inclui iodo radioativo. A substância concentra-se nos focos de tumor e os irradia por dentro", disse o vice-diretor do Centro Federal de Hematologia Pediátrica, Oncologia e Imunologia Aleksêi Maschan.

Como resultado, as células de tumor recebem uma dose de radiação muito maior do que durante a terapia de radiação convencional. Essa terapia prepara um paciente para o transplante de medula óssea do próprio organismo. Uma caixa de proteção especial que permite realizar a MIBG-terapia foi apresentada pelo Centro Científico Russo de Radiologia. Nos dias seguintes dias após a injeção do medicamento o paciente deve permanecer isolado, até o momento em que a maior parte do MIBG sair do corpo: o paciente, e todos os líquidos liberados, permanecem radioativos durante esse tempo.

Inovações de 2014

Em novembro deste ano, a Rússia sediou o 18º Congresso oncológico russo, onde foram apresentados 20 projetos inovadores no tratamento do câncer, finalistas do concurso OnkoBioMed 2014 (um projeto conjunto da Fundação Skolkovo e da comunidade profissional de oncologistas-quimioterapeutas RUSSCO).

Um dos vencedores do concurso, Roman Kholodenko, desenvolve nanoconstrutores que possuem a capacidade de se ligar a substâncias que estão envolvidas nas interações ocorridas entre células e inibem o desenvolvimento de tumores.

Entre as inovações há também o sistema de testes Biosoft.ru para o diagnóstico precoce do câncer do colo e um novo composto à base de platina e substâncias orgânicas para o tratamento de câncer da empresa Nobel.

“Entre mais de 200 startups do cluster biomédico Skolkovo, cerca de 50 deles desenvolvem projetos na área da oncologia", informou o serviço de imprensa do cluster. A maioria deles estão em fase experimental.

No entanto, alguns deles já podem aparecer no mercado global num futuro próximo. Assim, os testes clínicos dos medicamentos Inkuron, baseados em Skolkovo, são realizados tanto na Rússia quanto nos Estados Unidos.

 

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