Com visual repaginado, Kalashnikov mira novos mercados

Novo modelo da metralhadora Kalashnikov AK-12 é considerado o projeto mais promissor de todos a serem desenvolvidos pelo consórcio Foto: Rostekh

Novo modelo da metralhadora Kalashnikov AK-12 é considerado o projeto mais promissor de todos a serem desenvolvidos pelo consórcio Foto: Rostekh

Consórcio Kalashnikov oficializou a troca da imagem comercial dos seus produtos. O novo slogan, que daqui em diante representará toda a linha de armas da empresa, promete incrementar vendas mundo afora e neutralizar ainda mais efeito das sanções ocidentais.

O consórcio Kalashnikov acaba de passar por uma renovação de imagem de toda a sua linha de produtos, desde as famosas metralhadoras homônimas até as armas de caça Baikal e pistolas esportivas Ijmach. O valor total investido na mudança se aproxima de US$ 395 mil, que foram disponibilizados por investidores externos e pelos sócios-proprietários do consórcio, Aleksêi Krivorutchko e Andrêi Bókarev.

“A mudança de marca reflete os princípios básicos adotados pela empresa, tais como segurança, responsabilidade e tecnologia”, explicou Krivorutchko durante uma entrevista coletiva.

De acordo com o grupo estatal Rostekh, que administra o consórcio Kalashnikov, a marca recém-elaborada é apenas uma nova versão do patrimônio simbólico do produto representado pelo slogan “Arma da Paz” (ou “Protecting Peace”, na versão em inglês), que, no entanto, carrega duplo sentido.

“De um lado, as armas fabricadas pelo consórcio, além de serem famosas no mundo inteiro, caracterizam-se pela expansão muito maior que os seus concorrentes mais próximos. Por outro, as metralhadoras servem para manter a atmosfera pacífica em toda a face da Terra, permitindo que os povos protejam a sua soberania, direito de viver em paz e definir o rumo de sua história”, diz o comunicado oficial da Rostekh.

Além das mudanças na marca, a metralhadora Kalashnikov trocou a silhueta estilizada com letras AK, no fundo vermelho, branco e azul, por uma letra K, em um fundo apenas vermelho, que possui semelhança incontestável com o carregador da arma. 

Todas essas alterações fazem parte de uma estratégia ambiciosa adotada pela empresa até o ano de 2020, que prevê a criação de outros modelos de armas ligeiras e a exploração de novos mercados. No momento, o consórcio prepara-se para o lançamento de 30 projetos de grande porte que abrangem todos os tipos de armamento – de fuzis de precisão a pistolas simples.

Quinta geração

O novo modelo de metralhadora Kalashnikov AK-12 é considerado o projeto mais promissor de todos a serem desenvolvidos pelo consórcio. “Trata-se da quinta geração do sistema de mecanismo automático de retirada de gás criado pelo engenheiro homônimo no século passado”, disse à GazetaRussa Semion Fedosseev, historiador e especialista em armas ligeiras.

Segundo ele, o novo modelo ganhou recarregamento da direita à esquerda e passou por alterações no sistema de disparo que permitem reduzir o tempo de espera após a troca de carregador da arma.

“Além disso, a nova metralhadora possui contorno mais suave e uma coronha de comprimento regulável, que pode ser retraída para qualquer lado ou apenas fixada. As dimensões e forma da alavanca de controle também sofreram alterações, aumentando a durabilidade da arma, sem prejudicar a sua segurança”, acrescentou Fedosseev.

A versão atualizada da AK-12 está sendo submetida a testes finais e tem todas as chances de ser eleita a principal metralhadora da chamada “Tropa do Futuro”, cujo conceito está sendo elaborado pelas Forças Armadas da Rússia.

Arma contra sanções

Além das armas de guerra, uma série de produtos para fins esportivos e de caça baseados nas metralhadoras militares (tais como as carabinas Saiga) também foi submetida a mudanças. Enquanto os itens de caça continuam com o antigo logo de cores azul e branca e com o nome “Baikal”, as espingardas e pistolas esportivas serão comercializadas sob a marca “Ijmach”, escrita em letras latinas.

Devido às sanções econômicas recentemente impostas a Moscou, o consórcio se viu obrigado a abandonar os seus clientes ocidentais, tais como Estados Unidos e Canadá, para onde ia a maior parte do armamento produzido.

A busca por novos mercados em países africanos, latino-americanos e do Círculo do Pacífico resultou, entretanto, na triplicação do volume de exportação em comparação com o mesmo período de 2012.

No final de novembro, o consórcio Kalashnikov assinou contratos inéditos para fornecimento de armas a Tailândia e Malásia. “Os novos acordos firmados permitiram neutralizar os efeitos negativos provocados pelas sanções econômicas e ampliar a nossa presença no mercado mundial de armamentos”, lê-se no comunicado emitido pela Rostekh.

 

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