Aleksandr Névski lança mísseis no Oceano Pacífico

Programa comtempla um total de 8 submarinos dessa classe, que já estão sendo construídos Foto: serviço de imprensa

Programa comtempla um total de 8 submarinos dessa classe, que já estão sendo construídos Foto: serviço de imprensa

O lançamento foi realizado a partir do submarino nuclear da classe Borey, Aleksandr Névski, marcando definitivamente o progresso da força estratégica nuclear russa baseada em ICBMs e deixando no passado a série de problemas que o projeto Bulava enfrentou no início de seu desenvolvimento.

“Realizamos o disparo com o submarino em posição submersa. As coordenadas da trajetória do Bulava foram determinadas como “padrão”. O voo ocorreu normalmente e confirmamos a queda da ogiva na área de testes de Kura, na península da Kamchatka”, informou o porta-voz do Ministério da Defesa, Ígor Konachenkov.

Este é o terceiro lançamento “padrão” do Bulava durante o outono. Em setembro, houve lançamento a partir do submarino atômico Vladímir Monomach, que ainda não entrou em serviço ativo na Marinha russa e no dia 29, carregando 16 mísseis Bulavas, o submarino Iuri Dolgoruki realizou um disparo com sucesso. Esses lançamentos encorajaram a Marinha a continuar com o projeto de desenvolvimento da nova classe de submarinos e mísses, seu principal armamento estratégico que, no entanto, vinha enfrentando graves problemas na fase inicial: de 23 lançamentos, apenas 14 foram considerados bem sucedidos.

O próprio submarino Aleksandr Nevski, o primeiro da classe Borei, lançado ao mar em 2010, apresentou problemas já no outono de 2011, tendo de voltar à doca seca para “recuperação de alguns sistemas de bordo”. O primeio disparo do Bulava a partir do Nevski ocorreu em setembro de 2013, que restou mal sucedido.Mesmo assim, o submarino foi posto em serviço ativo na Marinha, mas não foi enviado ao Oceano Pacífico, onde deverá ser utilizado.

Os testes do dia 28 foram realizados no Mar do Norte, na área de testes de Kura, na Kamchatka. Espera-se que, quando o Aleksandr Névski e o Vladímir Monomakh seguirem para a Frota do Pacífico, para onde foram designados, os lançamentos do Bulava ocorrerão na direção oposta. Já o Iuri Dolgoruky está sendo preparado para guarnecer a Frota do Norte. Sendo assim, quando os três submarinos estiverem plenamente operacionais, a Rússia terá 48 mísseis nucleares de pronto emprego com capacidade de levar 10 ogivas nucleares a uma distância de mais de 9.000 km, alcançando assim a paridade de números de ogivas nucleares postas em estado operativo pelos Estados Unidos.

Tendo em vista o desenvolvimento dos dois sistemas de defesa antimíssil dos Eua baseados no mar (Aegis) e na Europa (Euro-AMB), bem como o o conceito norte-americano de “Prompt Global Strike” (Ataque-Relâmpago Global), os submarinos nucleares russos são de fundamental importância para a segurança da Rússia, pois são eles que garantem a capacidade de retaliação.

Além disso, o Projeto 955 Borei é capaz de lançar seus mísseis submerso, mesmo debaixo de gelo, o que dificulta a detecção do submarino por sistemas de satélites, bem como do lançamento, deixando pouco tempo para a interceptação na fase inicial do voo. A nova classe de submarios é mais silenciosa do que seus predecessores e pode realizar o disparo dos mísseis em movimento.

O programa comtempla um total de 8 submarinos dessa classe, que já estão sendo construídos: Kniaz Vladímir, Kniaz Oleg e Kniaz Suvorov. “Estes serão uma atualização do projeto atual, denominada Borei-A”, afirmou Ígor Vilnit, diretor da CDB Rubin, empresa responsável pelo projeto dos novos submarinos, dizendo que “serão um Borei com algumas melhorias”.

Do Topol ao Bulava

A entrada em serviço ativo do novo míssil estratégico na Marinha russa atrasou significativamente. O principal motivo foi a interrupção do desenvolvimento do quase-pronto míssil de 100 toneladas Bark pelo Bureau Makeyev, na época responsável também pelo Projeto 955 Borei. Em 1998, após algumas falhas críticas (que são normais no início de qualquer projeto), o governo russo preferiu confiar ao Instituto de Moscou de Tecnologia Térmica o desenvolvimento de uma versão naval do ICBM terrestre Topol.   

O Bulava é duas vezes menor que o Bark, o que exigiu alterações no projeto e estrutura dos novos submarinos. Além disso, o Topol enfrentou diversos problemas de lançamentos sob a água. Em 2006, após uma série de contratempos, já se ventilava a ideia de que os novos submarinos não embarcariam nenhum míssil balístico, mas somente os de cruzeiro.

Enquanto isso, os submarinos da classe Delta 3 (Kalmar),  Delta 4 (Dolphin) e Typhoon (Akula) estavam se tornando obsoletos a uma velocidade alarmante. A urgente necessidade de substituição não abria possibilidades para o desenvolvimento de uma nova classe adaptada exclusivamente ao míssil de testes. Em 2009, o vice-comandante do Estado-Maior naval, vice-almirante Oleg Burtsev, expressou sua preocupação com os testes: “Estamos condenados ao fato de que ele ainda voa”.

No entanto, as profundas análises das causas dos diversos fracassos e contratempos gerou revelaram que os problemas não eram falhas no projeto, mas deficiências da tecnologia de produção. Isso gerou um programa novo de voos, onde os fabricantes puderam eliminar os problemas concernentes aos lançamentos, apresentando resultados satisfatórios no outono deste ano.

A Marinha enfrenta a grave necessidade da implementação urgente dos Boreis, tendo em vista que possui apenas 14 submarinos nucleares estratégicos, contando aqueles que não estão totalmente operacionais como o Iuri Dolgoruki e Aleksandr Névski, bem como aqueles que estão passando por reparos como os da classe Delta 3 (Kalmar e Riazan) e Delta 4 - Dolphin e Ekaterinburgo -, este último em reparos após um incêndio a bordo. Os Typhoon (Arkhangelsk e Severstal) estão sendo retirados de serviço ativo.

O Bulava ainda deverá passar por mais 5 testes de qualificação, além dos 3 já realizados.    

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