Cientistas reconstroem ‘cerrado africano’ na Sibéria Ocidental

Fósseis e característicos da época foram aplicados em reconstrução da Síberia antiga Foto: wikipedia.org

Fósseis e característicos da época foram aplicados em reconstrução da Síberia antiga Foto: wikipedia.org

Cientistas do Instituto Ecologia Vegetal e Animal dos Urais reconstituíram as condições climáticas, vegetação e fauna da Sibéria Ocidental de 60 mil anos atrás para observar que o território na época era uma combinação bizarra de cerrado africano e tundra siberiana.

“É quase impossível encontrar algum paralelo para comparar o ambiente natural do passado distante com qualquer um dos ecossistemas atuais”, afirma Pável Kosintsev, chefe do laboratório de paleoecologia no Instituto Ecologia Vegetal e Animal. “Era algo que se assemelha tanto com o cerrado africano, como com a tundra de Iakútia. Uma espécie de híbrido não encontrado na natureza moderna.”

De acordo com os cientistas responsáveis pelo estudo, na época em que o Homo sapiens chegou à Sibéria Ocidental (de 60.000 a 30.000 anos atrás) as condições climáticas eram bastante favoráveis.

Os ecossistemas desse período eram caracterizados por uma produtividade biológica muito alta, segundo Kosintsev. O território era coberto com uma vegetação de gramado parecida com a encontrada nas estepes de hoje em dia, com grande abundância de cereais e poucas árvores.

A região era habitada por diversos animais – roedores, cavalos, bisões, rinocerontes, mamutes, antílopes-saiga e renas, entre outros. Pedaços do esqueleto de Elasmotheriidae (uma espécie de rinoceronte fossilizado) foram encontrados no norte da região pela primeira vez. Entre os predadores que habitavam essa área havia leões das cavernas, ursos marrons, lobos, glutões e raposas polares.

“Parece que as espécies dominantes eram os cavalos e as renas – seus ossos foram encontrados aos montes. A terceira espécie mais comum era, é claro, o bisão. A população de rinoceronte-lanudo também era bem grande”, observa Kosintsev.

Os trabalhos de reconstrução climática levaram três anos, para que os cientistas recuperassem fósseis de mamíferos, pássaros, peixes, insetos e plantas ao longo das margens do rio Irtich. Hoje, eles formam a maior coleção paleontológica da Rússia, com cerca de 10 mil fósseis.

“Depois de nossos especialistas estudarem esses achados, eles foram capazes de delinear as características gerais de seus habitats”, explica Kosintsen.

O estudo foi realizado por uma equipe internacional que sequenciou o mais antigo genoma humano extraído de um osso humano fossilizado encontrado na Sibéria Ocidental. Os resultados do mapeamento do genoma completo do homem Ust-Ishim, como o fóssil foi apelidado, foram publicados no final de outubro.

 

Publicado originalmente pela agência Tass

 

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