Nova droga russa traz esperança ao controle do ebola

Menos tóxico, Triazavirin está na liderança entre medicamentos antivirais contra a febre do ebola  Foto: Press Photo

Menos tóxico, Triazavirin está na liderança entre medicamentos antivirais contra a febre do ebola Foto: Press Photo

Desenvolvido por cientistas dos Urais, o Triazavirin combate uma grande quantidade de vírus e infecções. Medicamento deve entrar no mercado russo antes do final do ano.

De acordo com os cientistas do Instituto de Tecnologia Química da Universidade Federal dos Urais, além de tratar doenças causadas pelos vírus da gripe e uma série de infecções, medicamento que entrará no mercado russo este ano também se mostra eficaz contra a febre hemorrágica da Crimeia-Congo, do vale do Rift e do Nilo Ocidental.

“Esse medicamento realmente possui propriedades farmacológicas únicas: atualmente estão sendo conduzidos trabalhos ativos com cinco análogos dele, direcionados a diferentes alvos medicinais”, disse à Gazeta Russa Oleg Kisseliov, doutor em ciências biológicas e diretor do Instituto de Pesquisa Científica da Gripe, que participou dos testes clínicos.

Há dois anos o Triazavirin foi testado com sucesso contra o vírus do Nilo Ocidental nos EUA e, em setembro passado, apresentado formalmente em uma reunião da OMS (Organização Mundial de Saúde) em Genebra. “Uma análise comparativa das propostas de medicamentos antivirais contra a febre do ebola demonstrou que o Triazavirin está na liderança”, afirmou Kisseliov.

Em comparação com os demais medicamentos disponíveis no mercado mundial para tratar a doença, o Triazavirin é menos tóxico, apresenta boa janela terapêutica (faixa entre a dose eficaz mínima e a dose máxima permitida), pode ser administrado por via intravenosa em pacientes em estado grave e é compatível com quaisquer outros tipos de terapia.

De acordo com os cálculos do fabricante, a Fábrica Medsintez, o volume de produção chegará aos 12 milhões de embalagens por ano. Durante o primeiro ano, o Triazavirin será comercializado apenas na Rússia mediante apresentação de receita médica. O medicamento deve entrar no mercado mundial a partir de 2016.

Baixa toxicidade

A maioria dos antivirais em uso atualmente destina-se à manutenção da imunidade do paciente ou à eliminação dos sintomas da doença. No entanto, a nova droga pertence ao grupo “triazol-triazinas”, que possui um mecanismo especial de ação: inibe os estágios iniciais da infecção das células, de vital importância para os vírus. Ao se ligar às proteínas virais, a molécula do Triazavirin inviabiliza a proliferação do vírus.

Membro do grupo de pesquisa responsável pelo desenvolvimento do Triazavirin e diretor do Instituto de Tecnologia Química, Vladímir Russinov contou à Gazeta Russa que a medicação antiviral de amplo espectro já existe na indústria farmacêutica mundial. “Trata-se do Ribavirin, mas ele é tóxico e acumula-se nos eritrócitos.”

Durante a recente epidemia de Sars na China, uma dose sem precedentes de Ribavirin foi administrada aos doentes, sendo capaz de suprimir o vírus. Porém, os pacientes apresentaram problemas no fígado e nos órgãos hematopoiéticos. “Já a toxicidade do Triazavirin é muito pequena. Quando aumentamos a dose do medicamento nos testes, nem mesmo os ratinhos sofreram danos com o Triazavirin”, disse Russinov.

Longa espera

Os cientistas dos Urais Valéri Tcharúchin e Oleg Tchupákhin receberam o Prêmio do Estado da Federação Russa pelo desenvolvimento das bases fundamentais da síntese orgânica das triazol-triazinas e do fármaco Triazavirin. O medicamento levou mais de 20 anos para ser desenvolvido e é resultado de anos de pesquisa iniciada ainda no começo da década de 1990.

Em 2009, a droga recebeu pela primeira vez uma boa avaliação da ministra da Saúde russa, Veronika Skvortsova, quando foi usado contra a pandemia de gripe suína. Graças ao apoio do ministério, o medicamento passou pelas fases II e III de ensaios clínicos e acabou sendo registrado para solucionar problemas com o tratamento e a quimioprofilaxia da febre hemorrágica do ebola.

 

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