Conflito político faz Kremlin desistir de avião de carga ucraniano

Usado atualmente, o An-124 pode transportar cargas pesadas de até 150 toneladas Foto: Aleksandr Vilf/RIA Nóvosti

Usado atualmente, o An-124 pode transportar cargas pesadas de até 150 toneladas Foto: Aleksandr Vilf/RIA Nóvosti

Embora eficiente, An-124 Ruslan será substituído por um novo veículo de transporte aéreo nacional. Projeto será iniciado daqui dois anos.

O processo de licitação para elaborar o projeto do avião de transporte de cargas pesadas foi vencido pela empresa russa Iliúchin, criadora dos aviões Il-76, capazes de transportar de 40 a 50 toneladas. Segundo uma declaração recente feita por Serguêi Sergueev, diretor-geral da Iliúchin, o projeto de criação do novo modelo de avião com capacidade superior a 80 toneladas, chamado Ermak, vai ser iniciado em 2016.

O avião ucraniano An-124 Ruslan, modelo da Antonov que atualmente aguarda a substituição, foi originalmente escolhido pelas Forças Armadas russas por sua capacidade de transportar cargas pesadas de até 150 toneladas. “Esse veículo aéreo permite realizar o deslocamento de objetos de pequeno porte pelo território tão vasto como o russo. E esta é a sua principal vantagem”, explica Roman Gussarov, administrador do site Avia.ru.

“Uma fuselagem ampla faz deste avião um transporte ideal para os satélites, motores de foguetes espaciais, assim como para as equipes militares com os equipamentos blindados a serem transportadas para os locais afastados durante os treinamentos de campo”, acrescenta. 

O rompimento das parcerias econômicas russo-ucranianas tem todas as chances de tirar o An-124 Ruslan de ambos países. A decisão dos dirigentes ucranianos, que se recusam a prestar serviços de modernização e a eventualmente fornecer transportadores aéreos, fez com que a empresa de engenharia Antonov perdesse o seu único cliente. Além da Rússia, nenhum outro Estado está disposto a adquirir um avião de grande capacidade de carga e autonomia acima de 1.000 km.

Como o modelo menor da Antonov, o An-22 Antei, com capacidade de 80 toneladas, geralmente perde os seus potenciais compradores para o S-17 Globemaster, o fabricante ucraniano corre risco de ficar sem nenhuma encomenda no futuro próximo. Criada como integrante da indústria militar soviética, após a queda da União Soviética, a empresa Antonov tinha basicamente a função de suprir a demanda do Kremlin.

Além dos contratos para fornecimento de aviões de transporte, a crise política entre os países prejudicou grandes parcerias tecnológicas, incluindo um projeto conjunto de fabricação de motores encomendados pelo governo russo.

Começar do zero

“Todos os mecanismos de realização da presente tarefa ainda não foram definidos. Na verdade, a Iliúchin não fez nenhuma promessa, além de declarar as suas intenções”, anunciou Roman Gussarov. “O centro de engenharia Tupolev também estava concorrendo na licitação pública para o desenvolvimento do avião substituto.

O especialista militar independente Oleg Jeltonojko acredita que, apesar de os prazos já terem sido estabelecidos, a empresa vencedora ainda não possui recursos suficientes para cumpri-los. A realização lenta do projeto de elaboração do avião de transporte leve Il-212 e a demora ainda maior para entrega do veículo de transporte aéreo de médio porte Il-214 são prova disso, garante Jeltonojko.

A Rússia dispõe atualmente de uma frota atualizada dos aviões An-124 Ruslan, assim como de todos os recursos necessários para a sua manutenção e reparos. “A criação do modelo substituto nacional não é uma tarefa urgente”, diz Jeltonojko.

Mais tamanho, menos peso

As forças armadas da Rússia têm demanda por um avião de médio porte, análogo do americano S-17, que aguente cargas de 70 a 80 toneladas – superiores às do Il-76, cuja capacidade é de 40 toneladas, porém inferiores às do An-124.

“O Il-76 não serve para o transporte de alguns equipamentos militares devido ao diâmetro insuficiente de sua fuselagem, o que impede a entrada de tanques com guindastes de bordo e veículos terrestres do modelo Armat”, explica o especialista.

No Ruslan, por sua vez, sobra muito espaço livre durante o transporte de unidades pesadas, como tanques tipo lagarta, e isso não permite reduzir os custos de utilização.  “O Exército russo precisa de um veículo aéreo com o tamanho de fuselagem do Ruslan, mas volume do compartimento de carga e capacidade próximos aos do Il-76.”

Para isso, os criadores do projeto Ermak devem usar alguns princípios do Il-106, famoso pelas plataformas traseiras e dianteiras destinadas a facilitar a carga e descarga dos equipamentos transportados.

 

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