Probabilidade de ebola chegar à Rússia é mínima, garantem especialistas

Condições socioeconômicas propiciaram disseminação do vírus na África Ocidental Foto: Reuters

Condições socioeconômicas propiciaram disseminação do vírus na África Ocidental Foto: Reuters

Centro de Pesquisa Virológica expõe fatores que geraram surto de febre hemorrágica na África Ocidental e traça as chances de propagação do vírus ebola fora do território africano.

De acordo com o Centro de Pesquisa Virológica do Ministério de Saúde da Rússia, o surto de febre hemorrágica, causada pelo vírus ebola, deve-se a quatro fatores principais: aos portadores naturais de Zaire ebolavirus no Guiné, Libéria e Serra Leoa; à ausência de dados cientificamente comprovados sobre a circulação do vírus nos países anteriormente citados;  à situação socioeconômica na África Ocidental; e às tradições locais que favorecem à propagação do vírus.

Os morcegos-da-fruta que habitam as florestas locais, uma espécie diferente dos morcegos conhecidos no Brasil, são os portadores naturais do vírus. Esses animais diurnos se alimentam de frutas tropicais e não apresentam sinal de infecção pelo vírus ebola, mas seus fluídos corporais podem ser contagiosos para outras espécies, incluindo os seres humanos. Além do morcego-da-fruta, que é também um dos alimentos preferidos da população africana, outros seres infectados também podem disseminar a doença.

Em muitas regiões da África Ocidental, a sociedade vive em condições precárias. A falta de saneamento básico é um dos motivos das altas taxas de mortalidade infantil (118 para cada 1.000 moradores) e adulta na região, que foram apenas agravadas pelo recente surto do ebola e até então não eram motivo de preocupação dos países desenvolvidos.

Além disso, de acordo com as crenças locais, os parentes do falecido devem lavar e abraçar o seu corpo para evitar que “ele volte para levá-los junto”. Uma vez que o vírus é transmitido pelo contato, todos os participantes desse ritual têm chances elevadas de contrair a doença.

Etapas de propagação

O surto epidêmico do vírus ebola remete a dois cenários iniciais. No caso de uma epidemia florestal, o vírus surge nos pequenos povoados dentro das florestas e logo se espalha por toda a sua população. Já a epidemia de aldeia deve-se às mudanças no comportamento do morcego-de-fruta provocadas pela aproximação das plantações de frutas tropicais à área florestal, elevando, assim, o risco de contágio.

Na opinião dos especialistas do Centro de Pesquisa Virológica, o paciente zero, isto é, a primeira vítima da doença, pode ter surgido nas proximidades de uma plantação. Trata-se especificamente de um menino de dois anos que veio a falecer em 6 de dezembro de 2013.

A partir de então, o vírus começou a se propagar e atingiu as cidades, transformando a epidemia de aldeia em uma epidemia urbana. Como a transmissão da doença ocorre apenas pelo contato com os fluídos biológicos de uma pessoa contaminada, ao contrário da gripe que se espalha por via aérea, os especialistas garantem que o vírus de ebola têm poucas chances de atingir um grande número de pessoas no território europeu.

Ebola na Rússia?

Apesar da ausência de portadores naturais do vírus na Rússia, o país possui um mecanismo eficiente de controle utilizado para outras ameaças do mesmo tipo. Além de uma situação socioeconômico diferente da observada nos países africanos, os russos também dispõem de um sistema atualizado de garantia da segurança biológica da população.

As medidas de segurança adotadas nos aeroportos, incluindo a medição de temperatura e a realização de um inquérito, não são suficientes para evitar a entrada de todas as pessoas infectadas devido à existência do período de incubação da doença. Porém, o possível aparecimento do ebola em território russo estaria ligado a casos isolados de viajantes que, segundo os especialistas do Centro de Pesquisa, são prontamente identificados e localizados.

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