Engenheiros desenvolvem nova versão de veículo de apoio

Apesar de todos os obstáculos, o mercado russo se abre cada vez mais para o "Terminador" Foto: Konstantin Zavrájin/RG

Apesar de todos os obstáculos, o mercado russo se abre cada vez mais para o "Terminador" Foto: Konstantin Zavrájin/RG

Apesar da confiança dos criadores do equipamento na sua capacidade de conquistar o título de principal força de combate das tropas terrestres, o Ministério de Defesa possui certas dúvidas em relação à aplicação do “Terminador”, que ganha nova versão.

Devido aos mecanismos modernos de realização das operações militares, os tanques mais equipados e protegidos tornam-se vulneráveis sem o apoio de tropas terrestres. Esta necessidade levou à criação de diversos modelos de veículos de combate de infantaria e veículos militares blindados destinados à liberação do caminho para os tanques, assim como à realização de missões conjuntas, servindo como meio de transporte para a infantaria.

No início deste ano, os criadores do veículo militar de apoio “Terminador” apresentaram a  versão atualizada do veículo, o “Terminador-2”, na feira Defexpo-2014. O novo modelo recebeu sistema de gerenciamento de fogo mais eficiente, proteção de estilhaços e balas de armas de pequeno porte para as lançadoras de mísseis guiados, assim como teve a quantidade de tripulação reduzida para até três pessoas por conta da exclusão dos lança-granadas anteriormente instalados no corpo do veículo. Salvo os pequenos detalhes, a nova versão da máquina cumpriu todas as exigências de especialistas.

Histórico

Os conflitos armados no Afeganistão demonstraram a incapacidade de tanques modernos de executar as tarefas de combate a tropas irregulares por conta da estrutura do seu canhão, que dificulta a eliminação de alvos localizados nas montanhas e andares superiores de prédios.

Esta desvantagem foi aproveitada pelos lançadores de granadas na luta contra as tropas soviéticas, resultando em perdas de uma grande quantidade de veículos de combate de infantaria e veículos militares blindados, cuja maioria foi destruída pelas simples balas de metralhadoras de grande calibre. O fenômeno ressaltou a necessidade de criação de uma nova maneira de proteger os gigantes de guerra.

O projeto de criação do primeiro veículo especializado em apoio a tanques na União Soviética foi iniciado em meados da década de 80, mas a separação do país impediu a finalização deste processo.

Os trabalhos correspondentes foram retomados após o término da guerra em Tchetchênia, e já no final dos anos 90, as forças armadas russas ganharam o primeiro “Terminador” nacional baseado no modelo de veículo T-72. Equipada com uma torre de combate automática com um canhão de calibre de 30 milímetros ligado a uma metralhadora de calibre 7,62 milímetros e quatro lançadores de mísseis antitanque “Kornet”, a nova máquina de guerra apresentada em 2000 incluiu dois lança-granadas AG-17D instalados no seu corpo.

Dois anos depois, em 2002, foi lançada uma nova versão do veículo em questão com dois canhões com calibre de 30 milímetros e quatro lançadores de mísseis antitanque Ataka-T. A sua funcionalidade também foi ampliada, incluindo o alcance para até seis quilômetros e a capacidade de atingir alvos variados, de objetos blindados e tropas humanas e helicópteros nas baixas atitudes.

Na época, a nova máquina militar era considerada um armamento de combate da nova geração e com qualidades extraordinárias.

"Nas missões de campo, um veículo de apoio destes é mais eficiente do que dois pelotões de infantaria motorizada, de quatro máquinas de combate de infantaria e cerca de 40 soldados cada um. Devido à baixa eficácia de armamentos de longo alcance nos locais urbanos, assim como nas florestas e regiões serranas, os veículos multifuncionais como o de apoio a tanques, sem dúvida, serão a principal arma da tropas terrestres", declarou na época Vladímir Nevólin, engenheiro dos equipamentos blindados da fábrica Uralvagonzavod e um dos criadores do equipamento.

Importação 

Diante das dúvidas dos dirigentes das forças armadas russas, o “Terminador” saiu em busca de mercados fora do território nacional, principalmente nos países já equipados com os tanques soviéticos, cuja frota necessita de renovação. Segundo Aleksandr Mikheev, vice-diretor geral da empresa estatal Rosoboronexport, os vendedores russos já receberam uma série de propostas em relação ao novo veículo, tanto de venda, quanto de transformação de tanques de modelos antigos em máquinas de apoio.

A lista dos compradores potenciais incluem representantes de Angola, Índia, Sudão, Benin, Quênia, África do Sul, Botswana e Argélia, que sediou os ensaios do veículo em meados de 2013. Em 2011, o exército de Cazaquistão ganhou 10 unidades do modelo em questão, enquanto mais máquinas serão montadas conforme uma licença adquirida pelo país.

Apesar de todos os obstáculos, o mercado russo se abre cada vez mais para o "Terminador". A Escola Técnica de Forças Aerotransportadoras inaugurou o departamento de formação de tripulantes para o veículo e já adquiriu algumas unidades dele, ao contrário do Ministério de Defesa, que ainda está analisando esta possibilidade.

Dúvidas

Apesar de uma série de vantagens anunciadas, o novo veículo deixou de ser encomendado pelo exército russo.

"Estamos analisando a possibilidade de aquisição do ‘Terminador-2’ para o uso da Infantaria nacional. A decisão final será tomada após a finalização do processo de elaboração do conceito das tropas em questão", explicou Oleg Saliúkov, Comandante Geral da Infantaria russa. 

A aparente falta de interesse pelo novo veículo apresentada pelos dirigentes deve-se a uma série de defeitos. Segundo os especialistas, a nova máquina de guerra foi equipada com uma quantidade insuficiente de lançadores de mísseis antitanque, assim como não teve nenhuma proteção contra as armas de fogo, o que aumentou as suas chances de ser destruída nos primeiros minutos de combate.

Apesar das múltiplas vantagens incontestáveis, como alta densidade de fogo e a possibilidade de atirar de um lugar protegido numa trajetória curvilínea, os lança-granadas automáticos também não agradaram os militares. Segundo eles, a localização deste armamento no corpo do próprio veículo leva à redução drástica do seu poder de destruição, além de criar uma necessidade de presença constante de dois membros de tripulação.

 

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